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O Meu Clube É a Seleção!

Os pensamentos de uma simples adepta da Seleção Nacional, que não percebe assim tanto de futebol mas que é completamente maluca pela Equipa de Todos Nós.

Portugal 1 Turquia 3 - Assim não dá

A Seleção Portuguesa de Futebol recebeu no Estádio da Luz a sua congénere turca num jogo de carácter particular de onde saiu derrotada por três bolas contra uma.

Os portugueses até entraram bem no jogo, enérgicos, entusiasmantes, certamente catalisados pelos sessenta mil adeptos sentados nas bancadas e consequente ambiente eletrizante, recordando o Euro 2004. Contudo, já nessa altura me interrogava quanto tempo demoraria a bateria a descarregar. E, de facto, não demorou muito. Embora Portugal tivesse dominado durante algum tempo, os turcos iam dando um ar de sua graça, como que recordando que eles não eram nenhuma Macedónia, nenhum Luxemburgo, não estavam ali só para elevar a auto-estima do adversário. E como Portugal não foi capaz de concretizar, de refrear a paixão turca com um golo (não percebo como é que o Hugo Almeida me foi falhar aquelas oportunidades...), marcaram eles, após um erro da defesa.

No início na segunda parte, até parecia que os portugueses estavam determinados a virar o resultado, ou, pelo menos, a empatar. Tive esperança de que marcassem em breve, relançando o jogo.

Contudo, foram os turcos a marcar, de novo. Por uma falha defensiva, de novo.

- Só podem 'tar a gozar! - exclamava eu.

Eu sabia que a Turquia era uma adversária de respeito, que criaria dificuldades, mas nunca me havia passado pela cabeça que obteria uma vantagem de dois golos sobre nós. Não num Estádio da Luz quase cheio. Como é que aquilo acontecera?

Felizmente, o Nani conseguiu reduzir marcando o primeiro golo da Seleção deste ano. Espero que seja o primeiro de muitos mas com tanto problema na finalização... Festejei este golo apesar de continuarmos em desvantagem, à semelhança do que fizeram os adeptos presentes no Estádio da Luz. Foi a eles que o golo foi dedicado - mas também era o mínimo que podiam fazer!

Devo dizer que, mais uma vez, o público foi bastante paciente para com a Seleção. Assobiou algumas vezes, é certo - e, verdade seja dita, os Marmanjos mereceram-no - mas não deixou de puxar pela equipa mesmo estando a perder. Eles mereciam mais por parte da Turma das Quinas.

Desejei que o golo do Nani relançasse a equipa. Pode-se dizer que o fez. Miguel Lopes conseguiu um penálti - embora, na verdade, me tenha parecido que forçou um penálti - algo que foi celebrado pelos jogadores como um golo. Não gostei. De certa forma, mereceram que o Cristiano Ronaldo tivesse falhado.

A minha mãe, a certa altura, perguntou-nos se não queríamos ir jantando - tinhamo-lo adiado por causa do jogo. O meu irmão respondeu:

- Não! Isto 'tá a ser giro...

E de facto estava. De uma forma retorcida, estava a ser giro. E ia ficar ainda mais. Mesmo assim, eu continuava com esperança de que chegássemos, pelo menos, ao empate. Sobretudo depois da entrada de Hélder Postiga, que marca muitas vezes no Estádio da Luz. 

O golo chegou a ser marcado. Só que na baliza errada, depois daquele lance caricato, digno dos apanhados. O meu irmão fartou-se de rir com este lance. Eu não sabia se havia de rir ou de chorar.


Ninguém se pode admirar que este jogo tenha acabado com uma monumental assobiadela. Eu, naquele momento, zangada como estava, seria capaz de fazer o mesmo. Se repararem nas publicações na página do Facebook aquando do rescaldo do encontrou, hão de ver que estava mesmo furiosa. As declarações dos protagonistas não ajudaram. "Ai e tal, nós jogámos bem, tivemos azar, cometemos erros, eles só fizeram três remates..." Será que não percebem que não podem cometer erros como esses? Nós vamos jogar contra três seleções poderosíssimas, das melhores do Mundo, com elas não será suficiente jogar melhor sem conseguir marcar golos! No nosso último jogo com a Alemanha eles fizeram meia dúzia de remates à baliza, mais coisa menos coisa, e marcaram três golos. Se queremos vencê-los, temos de saber neutralizar este tipo de adversário, que pode não jogar de forma muito vistosa, não rematar muitas vezes, mas sair de campo com uma vitória! Não podemos falhar remates, livres diretos, penálties, não podemos hesitar em frente da baliza, não podemos cometer erros defensivos! Um único deslize pode significar a morte do artista! Se queremos chegar aos quartos-de-final, não podemos jogar como jogámos ontem!

Num aspeto, contudo, têm razão. É preferível cometer tais erros em jogos particulares, numa altura em que ainda há tempo para corrigi-los. Pode ser como disse o Cristiano Ronaldo, pode ser que isto represente uma mudança de maré. O Europeu ainda nem começou, a bola não é assim tão redonda, tão linear, a bola é caprichosa. Prognósticos, só no fim do jogo. Só se saberá quem é melhor do que quem quando as equipas entrarem em campo. Até lá, tudo é possível.

E, no entanto, não é por isso que me senti tão zangada, que ainda me sinto. O que me verdadeiramente enfurece é o seguinte: eles têm prometido dar o seu melhor no Europeu, pedido o nosso apoio, nas Conferências de Imprensa, através de campanhas publicitárias. E o povo até tem correspondido, indo aos treinos abertos, participando em inúmeras manifestações de apoio, enchendo o Magalhães Pessoa e a Luz. E o que é que os Marmanjos dão em troca? Empates, derrotas, desculpas esfarrapadas, arrogância perante os assobios - que são símbolo do descontentamento daqueles que pagam quinze euros ou mais por um bilhete porque querem acarinhar a Seleção, mas depois levam com exibições miseráveis e com a condescendência dos jogadores, com o ai-e-tal-os-portugueses-são-assim. A ideia que dão é a de que eles não fazem por merecer o afeto dos portugueses, tomam-no como garantido.

Não vou deixar de apoiá-los mas estou farta de pedir que me deem, que nos deem uma boa razão para continuarmos a acreditar neles. Estou farta de dizê-lo: palavras não chegam, intenções não chegam, precisamos de mais, merecemos mais! Parece que não há maneira de eles o compreenderem...

Não me resta mais nada senão continuar a fazer o que sempre fiz: acreditar, apoiar, acarinhar, estimular os outros a fazer o mesmo, mesmo quando eles, se calhar, não o merecem. Ninguém disse que ser adepto incondicional era fácil - levar com misérias como esta e não atirar o cachecol para o chão não é para todos. Quase roça o masoquismo. No entanto, já suportei muitas situações deste género com a Seleção. Continuo aqui porque a Turma das Quinas o recompensa, mais cedo ou mais tarde. Ultimamente, a recompensa tem demorado a chegar, mas podemos vir a recebê-la muito em breve. Como sempre, enquanto for possível, acreditarei. Só espero que a Turma das Quinas comece depressa a dar-me novos argumentos para tal.