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O Meu Clube É a Seleção!

Os pensamentos de uma simples adepta da Seleção Nacional, que não percebe assim tanto de futebol mas que é completamente maluca pela Equipa de Todos Nós.

Os Eleitos

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Na passada terça-feira, dia 17 de maio, na Cidade do Futebol, Fernando Santos divulgou os vinte e três Eleitos para representar Portugal no Euro 2016. 

 

Ao contrário de Convocatórias anteriores, não houve grande cerimónia na apresentação dos vinte e três nomes: o Selecionador leu a lista e passou de imediato às perguntas e respostas. Eu prefiro assim. Geralmente quando existe demasiada pompa e circunstância no momento da Convocatória - isto é, quando Selecionador e Federação se levam demasiado a sério - a coisa acaba por correr mal. Não sei se as duas coisas estão diretamente relacionadas, mas foi o que aconteceu em 2010 e 2014.

 

Dito isto, gosto imenso do vídeo que a Federação partilhou nas redes sociais. Vejam abaixo.

 

 

Conforme muitos têm expectado, esta é uma convocatória expectável, coerente com os princípios por que Fernando Santos se tem regido enquanto Selecionador. Vários têm dito que não há "surpresas", apenas uma "novidade" chamada Renato Sanches. Pessoalmente, eu não diria que a Eleição do jovem é uma novidade - ele já tinha sido Convocado para a última dupla jornada de particulares. Renato beneficia da lesão muito recente de Bernardo Silva, que terá facilitado as Escolhas de Fernando Santos. Há quem diga que a Chamada de Renato não faz assim tanto sentido, que teria sido melhor Convocar Pizzi, por exemplo. Para ser sincera, contudo, se Renato tivesse sido deixado de fora, mesmo que por motivos legítimos, metade do país atirar-se-ia ao ar. Depois de o Benfica se ter sagrado campeão? Depois de Renato se ter transferido para o Bayern de Munique? Não Convocá-lo daria direito a cadeira elétrica!

 

Eu continuo sem saber se Renato será capaz de lidar com esta pressão toda. Quer da parte dos apoiantes, que já vêm a Seleção como Renato-mais-dez, quer da parte dos adversários, incapazes de ultrapassar as suas azias clubísticas De qualquer forma, Renato dificilmente será titular, pelo menos não nos primeiros jogos. Talvez isso lhe alivie a pressão.

 

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Entretanto, Fábio Coentrão lesionou-se há cerca de um mês e não recupera a tempo do Europeu, o que me deixa de coração partido. Em campeonatos de seleções ele tem sido um dos preferidos, muito graças à sua constante irreverência e inconformismo. O Euro 2016 não será o mesmo sem ele. A única coisa boa que deriva da lesão dele é ter permitido a Convocatória de Raphael Guerreiro. Não vou reclamar muito contra a Convocatória de Eliseu porque ele tem feito um bom trabalho no Benfica - destaque para a assistência perfeita para o golo de Jiménez, contra o Bayern. No entanto, vou fazer figas para que Guerreiro seja titular, que ele na Seleção tem jogado melhor que Eliseu.

 

Outro Marmanjo a quem vou dar o benefício da dúvida é Éder. Concordo com a opinião geral de que existe por aí muito ponta-de-lança mais merecedor de um lugar no Euro: Hugo Vieira, Bruno Moreira, André Silva... Eh pá, até Hélder Postiga seria melhor, já que ele até tem marcado várias vezes pelo seu clube e tem golos em três Europeus. Dito isto tudo, Éder tem passado por um bom momento no seu clube, o Lille. Esta não é, portanto, a pior altura para Convocar o avançado. E como de qualquer forma a tática principal dispensará ponta-de-lança, não há de fazer muita diferença.

 

Mas se este Europeu passar e ele continuar sem meter a bola na baliza, por favor, Chamem outro ponta-de-lança para a Qualificação para o Mundial 2018!

 

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Tirando isto que acabo de referir, não acho que existam grandes motivos de contestação a esta Convocatória. Pode haver quem discorde de mim, evidentemente, mas, até agora, não tenho encontrado objeções relevantes. Isto costuma ser bom sinal - foi-o em 2012. Na minha opinião, a Convocatória é boa, melhor que há dois anos, mas também, como escrevi na entrada anterior, o mais importante é todos chegarem em boas condições físicas a França, que o que se passou no Brasil foi uma tragicomédia.

 

Tenho, aliás, tido alguns flashbacks de 2014 nos últimos tempos por causa das lesões com que Cristiano Ronaldo se tem debatido. O facto de o Real Madrid se ter qualificado para a final da Liga dos Campeões (o que obriga Pepe e Cristiano a faltarem à primeira semana do estágio - mais sobre isso adiante) não ajudou. Vou ser sincera, estive muito perto de torcer pelo Manchester City, só para Cristiano e Pepe não se desgastarem com um jogo de grande intensidade. No entanto, no decurso do jogo das meias, não fui capaz de torcer contra eles. Fernando Santos garante que Ronaldo estará "na sua melhor forma"  no Europeu, que "está a preparar-se física e mentalmente" para isso, que tem "uma ambição muito forte" relativamente a este campeonato. Não que não acredite nele, mas... também se dizia isto aquando do Mundial 2014. De qualquer forma, a situação não me parece tão grave este ano. Vou esperar que corra tudo pelo melhor desta vez. E já que ele e Pepe estão na final da Liga dos Campeões... que a ganhem. 

 

A verdade é que, este ano, o calendário futebolístico está muito estranho. A final da Champions decorre apenas um dia antes do nosso particular com a Noruega. Isto faz-me imensa confusão: estou habituada a ter datas para jogos de clubes e datas para jogos de seleções bem definidas e separadas. De repente colocarem os particulares das seleções no mesmo fim de semana que a final da Champions é demasiado amadorismo para o meu gosto (falarei melhor sobre estes jogos num futuro texto).

 

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Com tudo isto, o estágio só começa oficialmente na próxima segunda-feira, dia 23 de maio. Só treze jogadores começam no primeiro dia, os restantes virão às pinguinhas ao longo do resto da semana. Por esses dias, o estágio vai ser mais soft, semelhante ao dia-a-dia de um clube: os Marmanjos vêm de manhã e regressam a casa no fim do dia, depois dos treinos. No dia 30 é que a Seleção começa a estar em regime de "internato", ainda que com dias e noites de folga, evidentemente.

 

Como tal, visto que ainda temos alguns dias e vários jogos de clubes até a Seleção se reunir de novo, vou esperar até segunda-feira para pendurar a bandeira à janela. Este ano vai para o quarto da minha irmã em vez do meu, que agora temos uma cadela e ela gosta de espreitar pela minha janela. Em compensação, estou a pensar arranjar-lhe um cachecol ou uma bandeira mais pequena para ela usar nos jogos do Europeu: mais ou menos assim.

 

Gostei de ouvir Fernando Santos agradecendo aos jogadores que ajudaram a garantir o Apuramento, mas que não foram Convocados. Fica bem a gratidão. Por outro lado, voltando a pegar no assunto do meu texto anterior, Fernando Santos reiterou a ambição de ganhar o Europeu. "Não é uma questão de fé, é uma questão de acreditar.", disse ele, o que remonta para aquilo que escrevi sobre a diferença entre um sonho e uma ambição. Disse também que Portugal, não sendo favorito, é capaz de "defrontar qualquer adversário" - algo com que todos concordam.

 

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Quanto a nós, é o costume: ao longo deste estágio, o meu coração estará sediado na Cidade do Futebol (espero que hajam treinos abertos e que dê para dar lá um saltinho) e, mais tarde, no Centro Nacional de Râguebi, em Marcoussis. Dentro das minhas possibilidades, manter-me-ei a par do que for acontecendo com a Seleção. Espero que este seja o início de uma caminhada memorável pelos melhores motivos.

 

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