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O Meu Clube É a Seleção!

Os pensamentos de uma simples adepta da Seleção Nacional, que não percebe assim tanto de futebol mas que é completamente maluca pela Equipa de Todos Nós.

Nada de novo

O estágio de preparação do Euro 2012 já começou há alguns dias. A Seleção Nacional concentrou-se em Óbidos na passada segunda-feira e, tirando 24h horas entre quarta e quinta feira, têm estado por lá, afinando as armas e definindo estratégias para, em junho, irem à conquista da Europa.

Como José Carlos Freitas assinalou no Record de quarta-feira (depois deste tempo todo como blogueira e administradora de uma página de Facebook sobre a Seleção, estes nomes ficam na cabeça), pode haver quem critique o facto de Paulo Bento dar folgas, alegando que os jogadores têm é de trabalhar. Contudo, acredito que aprisionar os jogadores pode ser contraproducente. Paulo Bento assinalou, aliás, da Conferência de Imprensa de hoje, que qualquer pessoa regressa para a família depois de trabalhar a semana inteira. No Record alegam, além disso, que há dois anos, aquando da preparação do Mundial 2010, os Marmanjos já não podiam ver Carlos Queiroz à frente - o que deve ter contribuído bastante para a degradação das relações entre jogadores e treinador.

Uau, eu andava mesmo iludida há dois anos...

Até agora não tem acontecido nada de especial no estágio, tirando a lesão de Carlos Martins e a consequente Chamada de Hugo Viana. Tenho imensa pena do Carlos, pois seria a primeira vez que ele participaria numa fase final, mas ao menos assim poderá estar ao lado do filho que, finalmente recebeu um transplante de medula, e agora vai ser sujeito a diversos tratamentos, incluindo, ao que parece, quimioterapia (vão sujeitar uma criança de três anos a quimioterapia, meu Deus...). Além disso, agora o Hugo Viana tem a sua oportunidade. E como metade do País passou a semana passada vociferando contra a ausência do médio na Convocatória inicia, suponho que o jogador será útil à Turma das Quinas.

Nestes dias, tenho acompanhado as últimas sobre a Seleção quase ao minuto, de modo a poder atualizar a página do Facebook e a juntar material para entradas no blogue. Vou aos artigos relacionados dos Alertas do Google, vasculho as redes sociais, imprimi o programa do estágio para saber a que horas são as Conferências de Imprensa para depois poder acompanhá-las pela televisão ou pela rádio, vou a cafés que tenham jornais disponíveis para leitura - o que, às vezes, origina situações caricatas. Quando a minha família vê as notícias da Seleção no Telejornal, ao fim do dia, já as notícias são velhas para mim, mais do que ouvidas e processadas.



No entanto, estas não têm trazido nada de novo, nada de inesperado. As declarações dos jogadores nas Conferências de Imprensa podem resumir-se a isto: "Ai e tal, estou muito contente por estar aqui, o Mister é que depois decide se quer que eu entre em campo em vez do X ou do Y, o Z se calhar também merecia estar aqui mas foi o Mister que não o quis convocar, a equipa vem sempre antes dos meus interesses pessoais, vou dar o meu melhor, vamos todos dar o nosso melhor, etc, etc." A única com algo diferente foi a de Raul Meireles, a quem foi perguntado se faria uma tatuagem caso Portugal se sagrasse campeão. Ele disse que sim mas, como assinalaram na SIC Notícias, ele já não deve ter espaço para mais nenhuma...

Já que se fala nisso, talvez eu faça uma tatuagem da Seleção se formos campeões. Já sonho há anos com uma tatuagem que simbolizasse a Turma das Quinas. É só uma ideia vaga pois, na verdade, tenho medo de apanhar infeções, de ter de deixar de ser dadora de sangue, de a tatuagem sair mal, de me arrepender. Mas se Portugal levantar a Taça Henri Delaunay em Kiev, considerarei seriamente essa hipótese.

Mas regressemos ao assunto anterior. Igualmente repetitivas têm sido as mil e quinhentas delcarações de tudo o que é personalidade no mesmo desportivo com prognósticos para o Euro 2012. Há pessoas mais otimistas do que outras, comparações entre a Seleção atual e a Seleção de outras fases finais mas, no fim, as conclusões são quase sempre as mesmas.



É por esse motivo, por suspeitar que não há muito mais a acrescentar, que não tenho visto o programa "Diário do Euro", nem sequer para passar em fast-forward, apesar de ter todas as emissões gravadas. O "Vamos Lá Portugal" tenho visto apenas por serem cinco minutos e, na minha opinião, tem tido altos e baixos, o único de que gostei realmente até agora foi o do aniversário do Hugo Almeida. Os outros pareceram-me irrelevantes, na sua maioria; mais uma vez, não trouxeram nada de novo. Além de que irrita-me imenso o facto de o Cristiano Ronaldo aproveitar quase todas as vezes que tem uma câmara a si apontada para fazer publicidade à Nike.

Durante semanas ansiei por isto, por termos todos os holofotes virados para a Seleção; no entanto, agora que estamos finalmente em vésperas do Europeu, acho que andam a conceder demasiado tempo de antena à Equipa das Quinas. Demasiado, porque não tem acontecido quase nada que justifique tanto programa. Tirando as lesões, as únicas notícias que têm saído são declarações, prognósticos, em suma, palavras. E eu cheguei a um ponto em que palavras não são suficientes, quero ação. Quero parar de analisar a Alemanha, a Holanda e a Dinamarca, quero que a Seleção entre em campo e que se descubra, de uma vez por todas, quem é melhor que quem. Aí é que as coisas se tornarão interessantes, aí é que se justificará todo o tempo de antena.

Felizmente, este fim de semana, teremos uma amostra de ação, com o particular frente à Macedónia. Só uma amostra, mas talvez o suficiente para termos algo de novo sobre que falar. Não sei nada sobre a Macedónia - nem sequer sei ao certo onde é que fica - mas, em princípio, são daquelas seleções teoricamente mais fracas. O que já não quer dizer nada. Ainda me lembro do empate sem golos frente ao Cabo Verde, na preparação para o Mundial 2010, das desculpas esfarrapadas que deram para justificar tal resultado. Não quero que isso volte a acontecer. Para podermos acreditar que temos hipótese, a mínima hipótese que seja de sobrevivermos a um grupo como o nosso, temos de ser capazes de ganhar a uma seleção como a Macedónia.

Não sei se vou conseguir ver o jogo pela televisão, pelo menos não na sua totalidade, mas vou poder ouvir o relato na rádio. Tenho a certeza que o entusiasmo dos locutores compensará sobejamente a falta de imagem. A única contrapartida é não poder ver os Marmanjos estrearem o novo equipamento mas terei tempo de ver o resumo mais tarde.

Tem-se falado muito sobre este Europeu, mas o discurso tem sido praticamente o mesmo desde o sorteio da fase de grupos, em dezembro do ano passado. Fala-se muito, promete-se muito, mas pouco ou nada se tem visto. Por falta de oportunidade, é certo, mas na única que tiveram - ou seja, no particular frente à Polónia em finais de fevereiro - pouco se viu. Estou farta de conversas, de teorias, de promessas, de palavras. Quero ações, quero resultados. Quero celebrar um golo pela primeira vez este ano - bem, em rigor, já celebrei uns quantos mas não os senti. Não como sinto um golo da Seleção. Não é pedir demais a uma equipa que quer deixar, pelo menos, um de dois vice-campeões pelo caminho, pois não?