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O Meu Clube É a Seleção!

Os pensamentos de uma simples adepta da Seleção Nacional, que não percebe assim tanto de futebol mas que é completamente maluca pela Equipa de Todos Nós.

Galvanizados

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Hoje, a Seleção Portuguesa de Futebol enfrenta a sua congénere norueguesa no Estádio do Dragão, num jogo de carácter preparatório para o Campeonato Europeu da Modalidade, que começa daqui a menos de duas semanas em França. Estamos, aliás, no fim da primeira semana de estágio de preparação para esse mesmo campeonato.

 

Conforme estava previsto, estes primeiros dias da Operação Euro 2016 decorreram em regime livre. Os jogadores foram-se juntando ao grupo aos poucos - um aplauso para Marmanjos como Ricardo Quaresma e Eliseu, que fizeram questão de vir antes dos dias a que estavam obrigados (ainda há amor à camisola) - embora continuem a faltar Nani e Bruno Alves (que chegam amanhã) e Pepe e Cristiano (que só vêm depois do jogo com a Inglaterra. 

 

Já repararam que os adversários dos jogos de preparação para o Euro são mais difíceis do que os adversários da fase de grupos? Bem, mais ou menos. A Inglaterra é que eleva muito a média de qualidade e, na minha cabeça, a Noruega é melhor que equipas como a Áustria e a Islândia. Uma ideia errónea, visto que os noruegueses nem sequer se Qualificaram para este Europeu. O nosso historial com a Noruega é positivo, tirando aquele malfadado jogo de 2010, em plena crise Queiroz, a nossa única derrota perante os nórdicos. O nosso último jogo com eles decorreu em 2011. Ganhámos por 1-0, golo de Hélder Postiga, embora a nossa exibição não tenha sido brilhante (era fim de época...). Visto não se terem Qualificado para o Europeu, a Noruega está neste momento a passar por uma fase de renovação e um dos seus maiores destaques é Martin Odegaard, o menino-prodígio que se juntou ao Real Madrid aos 16 anos (por outras palavras, o Renato Sanches dos noruegueses... mais ou menos). Segundo Fernando Santos, este adversário foi escolhido porque os noruegueses têm um estilo de jogo muito parecido com o da Islândia. 

 

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Não estou à espera de um jogo de qualidade. Para além de já ser tradição os primeiros jogos destes estágios terminarem sem golos, com exibições fracas, o facto de o estágio ter sido muito soft até agora, com os jogadores chegando em alturas diferentes aos treinos e ainda faltando quatro dos mais importantes, não dá grandes garantias. A vantagem da ausência de Cristiano Ronaldo é o facto de podermos ver como a Seleção funciona (ou não...) sem a sua maior referência. No entanto, se o resultado não for brilhante (e não é provável que o seja), já estou a ver o povo todo a atirar-se ao ar, a dizer que a Seleção não é nada sem Ronaldo - esquecendo-se que, em 2012, no particular com a Macedónia ter Ronaldo a jogar não nos serviu de nada. Como sempre, o importante é fazer experiências, afinar estratégias,. Dificilmente este jogo ficará na História, de qualquer forma. 

 

No meio disto tudo, já começaram as campanhas publicitárias dos patrocinadores da Seleção. Tal como referi antes, apesar de saber perfeitamente que os propósitos destas campanhas são maioritariamente comerciais, esta continua a ser uma da minhas partes preferidas de um campeonato de seleções. E, afinal de contas, todos beneficiarão se Portugal ganhar o Europeu.

 

Um aspeto curioso das campanhas deste ano é o facto de quase todas terem uma mensagem comum: uma declaração de Fernando Santos aquando do Anúncio dos Convocados: "se conseguirmos se 11 jogadores com 11 milhões a apoiar, será o ideal" (eu era capaz de jurar que a população portuguesa era de 10 milhões, mas adiante). Não me admiraria se tivessem sido as equipas de marketing da Federação a sugerir a frase ao nosso Selecionador. Por outro lado, gosto este lema, faz lembrar o Onze Por Todos de 2012.

 

 

O meu anúncio preferido é capaz de ser o da Sagres. Eu não escolheria o Ricardo Araújo Pereira para protagonizar uma campanha de apoio à Seleção (lembro-me de ler um artigo de opinião dele há já vários anos em que ele dizia que não ligava à Turma das Quinas, pelo menos não tanto como ao seu Benfica), mas a verdade é que o seu humor típico deu origem a um anúncio muito original. Quase uma paródia das campanhas habituais. Eles até recorreram ao tema Heart of Courage, dos Two Steps From Hell, que é a música a que todos recorrem quando procuram algo épico - já tinha sido usada num vídeo do Euro 2012. Tudo isto vale a possível incoerência.

 

Também gostei do anúncio da MEO, em que Cristiano Ronaldo vai ter com pessoas comuns, adeptos comuns, e coloca-lhes a braçadeira de Capitão (pena é eu nunca estar lá para estas coisas... Cristiano, quando é assim, manda-me mensagem antes!). 

 

Por outro lado, não gosto mesmo nada do anúncio do Continente. Ficou demasiado melodramático, nota-se que se esforçaram demasiado por parecerem épicos.

 

 

Vou recuperar aqui uma tradição do blogue, que é falar de música de apoio à Equipa de Todos Nós. Dos criadores do Hino Seleção 2012, este ano temos o... bem, o Hino Seleção 2016 (já tínhamos tido outro em 2014). Este tema não é muito diferente do de 2012, pelo menos não em termos de sonoridade. Aquilo que mais gosto nesta canção é a sua melodia - de tal forma que esta música tem versões com guitarra eléctrica, acordeão e um remix e soa espetacular em todas - e sobretudo da interpretação de Tó Zé, o vocalista. A sério, já ouviram falar em eargasms? Foi o que eu tive quando ouvi a interpretação dele pela primeira vez.

 

Fica aqui a letra:

 

Em França vamos jogar

Jogamos de coração

Vamos todos apoiar

Portugal e a seleção

As vozes estão no ar

Gritam vivas à nação

Portugal a festejar

Juntos em multidão

 

Allez Portugal,

Allez Seleção,

Allez Portugal,

Nosso campeão

Allez Portugal,

Allez Seleção,

Allez Portugal,

Nosso campeão

 

Um grito de campeão

Pelas ruas de Paris

Um fado tocado

Num canto feliz

Tudo animado

Neste País

Grito com vontade

Grito de ambição

Com muita vaidade

Allez Seleção,

Allez Portugal

Nosso campeão

 

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Chegamos, por fim, àquele que dizem ser o cântico oficial da Seleção. Quando vi o vídeo abaixo pela primeira vez, com excertos do hino, fiquem de queixo caído. Não estava à espera que convertessem Tudo o Que Eu te Dou num cântico de apoio à Equipa de Todos Nós.

 

Por incrível que pareça, mas eu já associava parcialmente a música original a Cristiano Ronaldo e à Seleção - se não acreditam, poder ir ao meu outro blogue ler o texto que escrevi sobre o tema em 2012. Na verdade, foi com outro anúncio relacionado com a Seleção que isso começou - este, do BES, que rodava pouco antes do Euro 2004. Segue um excerto do texto sobre Tudo o Que Eu te Dou, a música original: 

 

"Acreditem ou não, já na altura, consideravelmente antes do Euro 2004, já no tempo em que o jogador madeirense dava os primeiros passos no Sporting, eu sabia que ele seria algo grande. E vejam só, passados todos estes anos, onde está ele! É aqui que entra o refrão de Tudo O Que Eu Te Dou: "Tudo o que eu sonhei, tu serás assim". Além disso, ao longo destes anos todos como fervorosa adepta da Equipa de Todos Nós, Cristiano Ronaldo tem ajudado a Seleção, direta ou indiretamente, a dar-me alegrias, permitindo-me colecionar várias boas recordações. "Tudo o que eu te dou, tu me dás a mim" Por muitos defeitos que ele possa ter, ainda que, de vez em quando, ele e os colegas nos desiludam, como fizeram esta semana, [este texto foi publicado poucos dias após este jogo] este mérito ninguém lhe pode tirar."

 

 

 

Ainda que uma parte significativa de mim não esteja propriamente satisfeita por terem alterado uma letra original tão bonita, a verdade é que esta nova versão explora a mensagem que há muito atribuí ao tema original. Há quem reclame, naturalmente, mas se as claques do Sporting podem adotar um clássico de uma das maiores lendas da música internacional, a Seleção também pode adotar um clássico da música portuguesa, ainda por cima com autorização expressa e interpretação do próprio autor original.

 

Estou convencida, aliás, que a Federação quis precisamente a sua versão d'O Mundo Sabe Que para a Equipa de Todos Nós. O próprio Pedro Abrunhosa deu-o a entender, em entrevista à TVI24, quando disse que a Federação queria "um cântico pausado", "que as pessoas conhecessem de raiz", chegando a referir a clássica "You'll Never Walk Alone", do Liverpool. Consta mesmo que a Federação planeia pôr a música a tocar já hoje, no jogo com a Noruega. Duvido que admitam a influência, por razões óbvias, mas estou convencida. 

 

E não digo que tenha sido uma má ideia, bem pelo contrário. Já vi o cântico O Mundo Sabe Que entoado por milhares em Alvalade e achei lindo. Por mim, todos os clubes de futebol teriam o seu cântico pausado, a ser entoado por todo o público antes do início de cada jogo. Estou feliz por, aparentemente, o meu clube ter arranjado o seu. Pode ser desta que o desejo de Cristiano Ronaldo em 2012 se realize.

 

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Segundo Pedro Abrunhosa, a versão final de estúdio ainda está em processo de mistura. Ele entretanto interpretou a música inteira na TVI, como poderão ver aqui. Mesmo que a música não pegue como cântico oficial (a Federação está a esforçar-se), Tudo O Que Eu te Dou, Somos Portugal já tem lugar reservado na minha playlist.

 

Na mesma entrevista Abrunhosa diz que o futebol e a música são ambas capazes de "galvanizar as pessoas - neste caso um País - por uma causa em comum". Uma afirmação com a qual concordo plenamente. Não é por acaso que o futebol e a música se encontram entre as minhas paixões, que jogos e concertos sejam os meus eventos preferidos, que a música tenha sempre feito parte da minha relação com a Equipa de Todos Nós. Nota-se que está a ser feito um esforço para agregar o povo em torno da Seleção, que os jogadores e a Federação levam a sério as ambições de Fernando Santos. Como sempre, o meu desejo é que tudo isto, todos estes anúncios, músicas, declarações, etc, nos galvanizem a todos de modo a termos um bom desempenho em França. Que culmine, preferencialmente, com o título que nos escapa há demasiado tempo.