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O Meu Clube É a Seleção!

Os pensamentos de uma simples adepta da Seleção Nacional, que não percebe assim tanto de futebol mas que é completamente maluca pela Equipa de Todos Nós.

Fim da fase aguda

Ontem, a Selecção Espanhola derrotou a sua congénere holandesa, arrecadando deste modo o título de Campeã Mundial, no jogo que encerrou o Campeonato do Mundo de 2010, que se realizou na África do Sul. O próximo Mundial realizar-se-à daqui a quatro anos, no Brasil. Antes, em 2010, haverá Campeonato Europeu, a realizar-se na Polónia e na Ucrânia.


O resultado da final não me surpreendeu. Pensando friamente, pondo de parte a minha fé na Selecção, ainda antes do Campeonato começar, a Espanha era a minha aposta para Campeã desta edição do Mundial. Nuestros hermanos mereceram o título - escrevo isto sem quaisquer ressentimentos por nos terem expulso do Mundial.


Como já tinha escrito antes, o resultado dos oitavos-de-final foi justo. Eu sei que o golo foi em fora-de-jogo - só o soube depois de publicar a última entrada do blogue - e que isso condicionou o resto da partida, mas também nunca mostrámos ser claramente superiores.

E, para ser sincera, nunca percebi a lógia da regra do fora-de-jogo.


Oficialmente o Mundial só terminou agora, mas para nós já terminou há muito. No que toca ao desporto, as prioridades já regressaram aos clubes e a tudo o que com reles se relaciona - o que, para mim, é extremamente deprimente.


Como o costume, abundam as críticas ao Seleccionador Nacional. A pior situação de todas ocorreu durante a recepção da Selecção no Aeroporto da Portela, vinda da África do Sul. Estavam cerca de trinta adeptos, alguns para demonstrar apoio, mas também lá estava um sujeito (embora tenha em mente vários epítetos bem menos carinhosos) gritando com um megafone, na fala arrastada, típica da "peixeirada", passe a expressão:


- Vai p'ra casa!... Vai-t'embora! Demite-te, já não 'tás aí a fazer nada. Só queres é dinheiro!


O que mais me aborreceu nem foi isto. Pessoas de fraco carácter hão sempre de existir, não há volta a dar. O que me enraiveceu a sério foi o facto de o jornalista da RTP ter abordado o homem, dando-lhe exactamente o que ele queria mas que não merecia: tempo de antena.


Ainda agora tremo de indignação só por escrever sobre este episódio. Há quem ache patético o meu amor incondicional à Selecção, mas eu acho ainda mais patétioc ir às sete da manhã à Portela só para vociferar insultos contra o Seleccionador. E patético é mesmo a palavra mais carinhosa que encontro para descrever a situação. Mas adiante, que não vale a pena gastar cera com tão ruins defuntos.


Uma das coisas que atenuou a minha desilusão pela expulsão do Mundial foi a Conferência de Imprensa que Carlos Queiroz deu no dia seguinte ao jogo dos oitavos-de-final. Queiroz afirmou que "vamos continuar de cabeça erguida" e que, da próxima vez voltaremos "mais fortes e mais competitivos". Em Setembro começará a fase de qualificação para o Euro 2012. Não começaremos do zero: de acordo com Queiroz, "temos um grupo de jogadores e uma estrutura base consolidada". Já não teremos de passar pela adaptação a um novo treinador. Esta qualificação correrá melhor do que a última e daqui a dois anos estaremos mais fortes.


Gostei de ouvir o Professor. Correcção: gosto de ouvir o Professor. Ele fala bem, é inteligente e sensato, dá-me quase sempre razões para continuar a acreditar na Selecção. É claro que a Comunicação Social e afins arranjam sempre maneira de o contradizer, de o acusar de "optimismo exagerado", de "arrogância", etc, mas eu não ligo. Talvez seja ingénua, mas a minha lealdade vai para a Selecção e quem quer que a oriente. Há anos que é assim e é pouco provável que deixe de ser. Tenho mais motivos para acreditar nas palavras do Seleccionador, cujo interesse é, entre outros, o bem-estar da Selecção e muito menos motivos para acreditar nas palavras dos comentadores, cujo interesse é vender jornais. Mesmo que não concorde com muitas decisões do Professor (por exemplo, ainda não consegui compreender porque é que ele não Convocou o Quim, nem que fosse só para o caso de o Eduardo se lesionar). A verdade é que não percebo o suficiente de futebol para criticar abertamente as atitudes de Queiroz. Contudo, suspeito que haja muito comentador por aí a perceber ainda menos do que eu de futebol, mas a fingir saber mais.
Ontem à noite, depois da vitória da Espanha, não consegui evitar sentir-me deprimida. Quando é que chegará a nossa vez de festejarmos a conquista de um título? Sonho com isso há anos, já o imaginei milhões de vezes: os marmanjos recebendo as medalhas, o Cristiano Ronaldo recebendo a Taça e erguendo-a no ar. Nesse momento, voam confettis verdes e vermelhos, todos os jogadores erguem os punhos em sinal de triunfo - esta imagem surge nas capas de jornais de todo o Mundo na manhã seguinte. Entretanto, os adeptos saem à rua vestidos a rigor. Abraçamo-nos uns aos outros, há cerveja e champanhe, lançam-se foguetes. E a festa prolonga-se madrugada dentro.
Eu já nem me atrevo a pedir isso. Já me dava por satisfeita com um campeonato semelhante ao Euro 2004 ou ao Mundial 2006. Em que o pessoal acreditava mesmo na conquista do título sem acrescentar:
- É melhor eu não conduzir, não é?
Eu até noto um certo padrão descendente. 2004, final; 2006, meia-final; 2008, quartos-de-final; 2010, oitavos-de-final. Se continuarmos assim, em 2012 ficaremos pela fase de grupos e nem nos qualificamos para o Mundial de 2014. Espero bem estar enganada.
Será que só temos direito a campanhas como a de 2004 e de 2006 de quarenta em quarenta anos? Será que só voltaremos a chegar a uma final em 2046? Recuso-me a acreditar nisso! Mas mesmo que me reforme antes de ver a Selecção ganhar um título, não deixarei de apoiar.
Apesar de termos saído mais cedo do que o que desejava, foi bom enquanto durou. Uma das melhores coisas foi a revelação de novos talentos, que no futuro poderão fazer muito mais pela Selecção: Fabio Coentrão, Eduardo, Tiago... E ficaram boas recordações. Estes dois meses foram, para mim, mais felizes do que o costume, graças à Selecção. O que mais me dói é que só voltarei a ter dias assim daqui a dois anos. Se/Quando (escolham vocês) nos qualificarmos para o Europeu. E mesmo assim, o Mundial é mais grandioso do que o Euro. Quatro anos até termos um novo...
Ainda ando um bocado em baixo por causa disso, mas hei-de ultrapassar. Temos, aliás, o Verão para nos recompormos. Depois, em Setembro, pegamos de novo nas armas e voltamos a ir à luta. Mesmo que ainda não seja desta, não será por não tentarmos que falharemos. Deixo aqui o calendário da fase de qualificação para o Euro 2012:

03.09.2010
Portugal - Chipre

07.09.2010
Noruega - Portugal

08.10.2010
Portugal - Dinamarca

12.10.2010
Islândia - Portugal

04.06.2011
Portugal - Noruega

02.09.2011
Chipre - Portugal

07.10.2011
Portugal - Islândia

11.10.2011
Dinamarca - Portugal
Acho que não vou poder ver o primeiro jogo da qualificação, visto que nessa altura estarei de férias no estrangeiro. Mas, assim que puder, actualizarei o blogue. Entretanto, vou ver se envio para o YouTube nos próximos dias outro vídeo sobre a Selecção. Um vídeo de recomeço.
Há que continuar a acreditar que um dia a Taça virá para Portugal. Até lá...