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O Meu Clube É a Seleção!

Os pensamentos de uma simples adepta da Seleção Nacional, que não percebe assim tanto de futebol mas que é completamente maluca pela Equipa de Todos Nós.

Exorcizar o demónio

O estágio de preparação do Campeonato do Mundo de futebol, que terá lugar no Brasil - estágio esse também conhecido por Operação Mundial -  já começou há alguns dias. Mais de uma semana, se considerarmos os três dias de pré-estágio no Estoril. A preparação vai ainda numa fase muito inicial - os portugueses do Real Madrid, Fábio Coentrão, Pepe e, claro, Cristiano Ronaldo só se juntaram à comitiva na quinta-feira - pelo que as coisas têm andado relativamente calmas, em termos mediáticos pelo menos. Só uma ou outra réplica das polémicas em torno da Convocatória. Como já vai sendo hábito, os jogadores que participam nas Rodas de Imprensa adotam discursos tranquilos, prudentes, evitando ao máximo desestabilizar a equipa. Podem não ser os mais interessantes mas, em particular nesta altura do campeonato, ninguém duvida que são os que mais beneficiam a Equipa de Todos Nós. Haverá tempo, sem dúvida, mais adiante, para polémicas, não sentiremos falta delas - pelo menos foi o que aconteceu há dois anos.
 
Nem sempre me tem sido fácil estar a par do que vai acontecendo, estando eu em estágio (um estágio diferente do da Seleção, claro) das nove às seis. Mesmo não podendo atualizar de imediato a página, gosto - sempre gostei - de ir sabendo destas coisas à medida que vão acontecendo. Ao longo do dia, tento prestar atenção às notícias horárias da rádio. Uma das poucas vantagens de tê-la ligada a título quase constante no meu local de estágio - acreditem, é cansativo. Até Nelson Mandela se cansaria de Ordinary Love se tivessse de ouvi-la tantas vezes quanto eu. Outra vantagem diz respeito aos anúncios alusivos ao Mundial, cada vez mais frequentes - que sempre tornam os irritantes intervalos publicitários um pouco mais suportáveis. 
 
Adicionalmente, quando vou almoçar, tento sempre apanhar as reportagens dos telejornais. A caminho de casa, sintonizo as notícias do desporto na rádio, quando saio a tempo. Vou, também, tentando ir a cafés e esplanadas que tenham A Bola ou o Record, que geralmente têm algo mais que a televisão, a rádio ou a Internet - artigos de opinião, sobretudo. Gosto sempre de lê-los, quer concorde com eles ou não.
 
Quando chego, finalmente, a casa, ao fim da tarde ou à noite, atualizo a página. É aqui que agradeço ao blogue do meu parceiro, ao tumblr Fuck Yeah Portugal National Team e à página Seleção Nacional de Portugal - estas três fontes têm-me permitido aceder rapidamente a notícias e fotografias sobre a Turma das Quinas, para depois publicar.
 
 
 
Têm sido as fotografias a despertarem-me maior interesse. Sobretudo aquelas que mostram os momentos de galhofa, de bullying, como digo na brincadeira, entre os Marmanjos. Que representam bem uma das facetas de que mais gosto na Seleção: o facto de ser um grupo de amigos, um bromance a vinte e três, como às vezes digo, uma grande família; a maneira como estão sempre a brincar, como uma matilha de cachorrinhos. 
 
Ainda não está a ser bem o verão que antecipei ao longo de semanas. No entanto, não duvido que, dentro de poucos meses, vou sentir saudades destes dias. Sobretudo quando dispuser de mais tempo livre que agora sem ter nenhuma Operação Mundial para seguir.
 
Por enquanto, a minha disponibilidade reduzida tem-me privado de relativamente pouco. Isso provavelmente mudará à medida que nos formos aproximando do Mundial, mas hei-de arranjar uma solução. Por outro lado, uma grande vantagem da minha falta de tempo e, por vezes, paciência é deixar-me de importar com certas ninharias que surgem nas redes sociais, relativas à Seleção e não só. Tenho, literalmente, mais que fazer.

Entretanto, hoje, pelas sete e meia da tarde, a Seleção Portuguesa recebe no Estádio Nacional a sua congénere grega em jogo de carácter particular. Um encontro em teoria amigável, mas com um adversário que traz demasiadas recordações amargas. A malfadada final do Euro 2004 na Luz, o título que deveria ter sido nosso, que tinha tudo para ser nosso, mas que deixámos escapar. Uma oportunidade que não se tornou a repetir e que, provavelmente, não se repetirá nunca. Chegámos a defrontá-los de novo em 2008, pouco antes do Europeu, mas tornámos a perder, desta feita por 2-1 (foi um ano estranho aquele...).

Não nego que sinto uma certa vontade de ajustar contas com os gregos, ainda que apenas na teoria - é apenas um particular, obviamente não nos vai devolver a Taça e nem sequer nos dará três pontos. Por outro lado, os gregos acabaram por ganhar a minha simpatia por, entre outros motivos, serem treinados pelo português Fernando Santos e pela atitude que demonstraram no Euro 2012. Já não lhes guardo nenhum ressentimento em particular (o erro de 2004 foi nosso) e desejo-lhes a melhor das sortes para o Mundial - excepto caso se cruzem connosco, evidentemente.

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O jogo terá lugar no Estádio Nacional, no Jamor, uma arena com grande simbolismo para o futebol português, e estará integrado nas comemorações do centenário da Federação Portuguesa de Futebol. Consigo compreender esta escolha visto que, para mim, é uma das casas da Seleção, se não for "a" casa. Sobretudo ao longo dos últimos anos, em que tenho lá ido assistir aos treinos abertos. Além disso, acredido que, se algum dia conseguirmos ganhar um Europeu ou Mundial, será lá que a Seleção festejará com os seus adeptos.

A desvantagem continua a residir os fracos acessos, tanto em termos de entradas para o Estádio - depois do que aconteceu na final da Taça de Portugal, espero que as pessoas tenham a sensatez de chegarem com antecedência - como em transportes públicos. 

Seria bom deixarmos este demónio exorcizado, dentro do possível, a tempo do Mundial. No entanto, duvido que os Marmanjos estejam para aí virados. Nos primeiros particulares dos estágios de 2010 e 2012 (com o Cabo Verde e a Macedónia, respetivamente) não estiveram e ambos acabaram sem golos. Como se tal não bastasse, bem como a experiência de muitos outros particulares, desta feita temos metade da Seleção em momentos de forma duvidosos. Já se sabe que Pepe e Ronaldo não jogam (estou a mentalizar-me de que o madeirense será uma dúvida constante até ao nosso primeiro jogo no Brasil, se não mesmo depois disso). Não me parece que os jogadores queiram arriscar lesões que os afastem do Mundial. Pode ser que o nome e o simbolismo do adversário tenham algum peso. Mas não sei se será suficiente.

Espero que o seja para, pelo menos, fazerem um jogo decente. Invariavelmente, eu peço uma vitória, mesmo que não venha acompanhada de uma boa exibição. Até porque, durante o jogo, homenagearão Eusébio e Mário Coluna, ficaria bem honrá-los com um bom resultado. No entanto, se tudo isso falhar, ao menos que sirva para nos prepararmos para o Mundial. Que todos esperamos que seja inesquecível pelos melhores motivos.