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O Meu Clube É a Seleção!

Os pensamentos de uma simples adepta da Seleção Nacional, que não percebe assim tanto de futebol mas que é completamente maluca pela Equipa de Todos Nós.

Cheios d'a fé

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Esta noite, pelas oito horas e trinta minutos, o Selecionador Nacional Fernando Santos divulgará a Lista de Convocados para representar Portugal no Euro 2016.

 

Para quem acompanha o meu blogue há uns anos... bem, por um lado, obrigada do fundo do coração... mas por outro, estará farto de saber que eu considero o momento da Convocatória como o início do Europeu. Já é tradição eu dedicar uma entrada aqui do blogue a algumas reflexões de antecipação a esse início. No caso do próximo campeonato de seleções, este texto corresponde à altura certa para escrever sobre algo que tenho vindo a adiar há imenso tempo.

 

Há cerca de um ano, mais coisa menos coisa, Fernando Santos deu uma entrevista a um jornal desportivo qualquer (já não me lembro qual foi) em que disse que quer ser campeão da Europa com Portugal, que assumiu esse objetivo desde o seu primeiro dia como Selecionador. Para muitos, esta declaração era expectável, mesmo exigível, da parte de um Selecionador responsável por uma seleção que se tem mantido no top 10 do ranking da FIFA, de forma mais ou menos constante, nos últimos anos e que conta com um dos melhores jogadores da atualidade. Não estão errados. No entanto, quando li estas declarações pela primeira vez, tive uma mini-crise existencial. 

 

Eu desabituara-me a pensar assim há muitos anos. Já não assumia com todas as letras que queria o título. Não me atrevia a sonhar abertamente com isso. Habituara-me a pensar um jogo de cada vez e, de resto, o antigo Selecionador Paulo Bento também pensava assim (ao definir sempre como primeiro objetivo passar a fase de grupos). Era a opção segura. Sejamos realistas, todos os campeonatos de seleções têm acabado da mesma forma, mesmo que, nalguns deles, os desempenhos até tenham sido bons. Na altura destas primeiras declarações, aliás, a Qualificação para este Europeu ainda ia a meio e as últimas exibições da Equipa de Todos Nós não tinham sido brilhantes, mesmo tendo resultado em vitórias. O fraco desempenho no Mundial 2014 ocorrera menos de um ano antes, ainda estava fresco na memória. Eu não estava preparada para ouvir Fernando Santos falar assim, não estava preparada para voltar a acreditar desta forma. Ainda hoje, uma parte de mim pensa que estamos a sonhar um bocadinho alto de mais.

 

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A minha irmã resumiu bem a situação, há uns tempos. Vimos uma notícia sobre aquele que será o quartel-general português durante o Europeu, em França. Fernando Santos disse que tinha o centro de estágios reservado até dia 11 de julho, para Portugal poder jogar a final do Euro 2016 e festejar no dia seguinte. Em resposta a isto, a minha irmã disse qualquer coisa como:

 

- Bem, este 'tá chei'da fé!

 

É uma expressão que ela tem usado várias vezes ultimamente e que eu adoro.

 

Depois dessa entrevista há cerca de um ano, Fernando Santos foi reiterando várias vezes esta ambição de ganhar o Europeu e eu fui-me habituando à ideia, abrindo-me à possibilidade. O facto de termos concluído a Qualificação com os melhores número de sempre ajudou. Não garante nada, é certo, mas tal como disse na altura sete vitórias seguidas em jogos oficiais não são desprezáveis em circunstância alguma. Ao mesmo tempo, tem estado a surgir uma nova geração de jogadores, muito promissora - destaque óbvio para a equipa que chegou à final do Europeu de sub-21. O jogo com a Bélgica deixou bons sinais relativamente ao momento da Seleção, de resto. Em termos de qualidade do plantel, considero, portanto, que estamos um pouco melhor fornecidos que há dois anos, no Mundial 2014 - mas já será um enorme progresso se os vinte e três Escolhidos não se lesionarem.

 

Adicionalmente, por norma os Europeus costumam correr melhor a Portugal do que os Mundiais. Conseguimos sempre passar a fase de grupos do Euro. Além disso, em três edições do campeonato chegámos às meias-finais (em 1984, em 2000, em 2012) e, claro, em 2004 chegámos a final. A explicação possível é o facto de os jogadores e respetivas seleções nos serem mais familiares e, claro, por o clima não ser tão agreste como noutros sítios - por exemplo, o Brasil.

 

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Por fim, o facto de termos Cristiano Ronaldo é um dos maiores catalisadores desta nossa ambição. Como toda a gente sabe, ele já ganhou tudo, excepto um título pela Equipa de Todos Nós. Não deixará de ser inglório se ele terminar uma carreira, já de si extraordinária, mas com esse vazio. E visto que ele já passou a barreira dos 30 anos, está poderá ser a última oportunidade dele (embora eu tenha pensado mais ou menos o mesmo na altura do Mundial 2014).

 

Por isso, sim. Pela primeira vez em anos, neste Europeu não vou pensar apenas jogo a jogo. Pela primeira vez em anos, estou a assumir com todas as letras que quero Portugal campeão europeu. O título é o sonho, sempre o foi. Um sonho é algo irreal, fantasioso. O que o Selecionador fez - ao deixar o objetivo bem claro perante os jogadores no primeiro dia em que trabalhou com eles, ao recordar-lhes esse objetivo em todas as concentrações - foi transformá-lo numa ambição, num objetivo, em algo real, concreto e... assustador. Porque, ao se tornar real, torna-se também falível.

 

Espero que o Selecionador tenha noção do que nos está a pedir. Como escrevi antes, não é fácil voltar a acreditar depois do que aconteceu em 2014 - eu demorei meses. Fernando Santos não pode pedir-nos para voltarmos a acreditar se, depois, a Seleção fizer um Europeu para esquecer - assim vai doer ainda mais. Ele e os Marmanjos têm a responsabilidade de levarem essas ambições para o campo e jogarem para torná-las realidade. Não me quero arrepender de voltar a acreditar. 

 

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Ainda não sei de que forma estas ambições vão influenciar as comunicações com a Imprensa durante o estágio, se os Marmanjos vão dizer, preto no branco, que estão a trabalhar para ganhar o Europeu. Ainda não sabemos quem vai ao Euro, sequer (vamos descobrir hoje), nem se esse grupo terá o que é preciso para chegar lá (os particulares servirão para descobri-lo, com as devidas atenuantes). No entanto, vou assumir que Fernando Santos está a ser sincero, que sabe o que está a fazer e que os jogadores partilham a mesma ambição. Se assim for, poderemos todos - jogadores, Selecionador, restante equipa técnica, adeptos - partir para este Europeu cheios d'a fé.