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O Meu Clube É a Seleção!

Os pensamentos de uma simples adepta da Seleção Nacional, que não percebe assim tanto de futebol mas que é completamente maluca pela Equipa de Todos Nós.

Mudança de casa

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Tal como já aconteceu com o meu outro blogue, O Meu Clube É a Seleção mudou-se para a plataforma SAPO. Os motivos para esta mudança são os mesmos que motivaram a mudança do meu segundo blogue e já foram explicados aqui.

 

Para aqueles que só agora, nesta nova morada, tomaram contacto com este blogue, O Meu Clube é a Seleção foi criado em vésperas do Euro 2008. Nele, tenho analisado as aventuras e desventuras da Seleção Portuguesa de Futebol ao longo dos últimos anos. De uma maneira geral, costumo publicar antes de cada jogo ou jornada dupla, analisando a situação, os Convocados, os adversários. De igual modo, a seguir aos jogos - às vezes, só consigo cerca de uma semana depois - publico uma análise aos mesmos.

 

Quero deixar bem claro que não sou nenhuma especialista em futebol nem finjo sê-lo (ao contrário do que fazem muitos). Não sou comentadora, sou uma adepta da Seleção e, acima de tudo, uma amante de futebol. As minhas análises são informais, uma boa parte é o meu lado de fan girl de quinze anos a falar e não acho que haja nada de errado com isso. Muitas vezes engano-me (por exemplo, aquando do Mundial). Aliás, muitos dos textos incluem relatos da minha própria experiência do jogo - por exemplo, onde estava, com quem estava, o que estava a fazer aquando de determinado golo, como reagi a ele. O que me leva a um dos principais objetivos do blogue: deixar estes aspetos registados para a posteridade para, quando tiver filhos e netos, poder falar-lhes dos jogos mais marcantes da Seleção, dos seus protagonistas.

 

Tal como aconteceu com o meu segundo blogue, não vou apagar este da plataforma Blogspot pois, entre outros motivos, tenho deixado o link original em vários sítios pela Internet. Ainda estou em fase de adaptação à plataforma (não há maneira de me entender com as imagens...). Tenho tempo, visto que o próximo jogo é só em meados de novembro e só terei algo sobre que escrever nessa altura. É a parte mais chata deste blogue, passo semanas, mesmo meses, sem publicar porque durante esse tempo a Seleção não joga. No entanto, não deixo de atualizar a página do Facebook de apoio ao blogue com qualquer noticiazinha que vá surgindo sobre a Seleção, bem como uma ou outra notícia de futebol em geral que ache interessante.

 

Convido-vos, portanto, a visitarem a página do Facebook e a darem uma vista de olhos por algumas das entradas antigas deste blogue. Encontramo-nos quando a Seleção estiver reunida de novo.

 

Dinamarca 0 Portugal 1 - O primeiro passo

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Na passada terça-feira, dia 14 de outubro, a Seleção Portuguesa de Futebol defrontou a sua congénere dinamarquesa em Copenhaga, no Estádio Parken, em jogo a contar para o Campeonato Europeu da modalidade, que se realizará em França, no ano de 2016. Tal encontro terminou com uma vitória pela margem mínima para a equipa visitante.

 
Eu já sabia o que a casa gastava, sabia que os jogos com a Dinamarca são de sofrimento, que seria preciso paciência, acreditar até ao fim. Eu mesma o recordei antes do início do jogo. No entanto, não há maneira de me habituar a jogos como este, de manter a coerência. 
 
Ao contrário do que aconteceu no jogo com a França, a primeira parte começou bem para nós mas foi piorando. Graças a Deus, defendemos bem melhor. Também não atacávamos mal, mas não tão bem quanto seria desejável. Algo em que reparei foi que os nossos hesitavam demasiado quando partiam para o ataque, dando tempo para os dinamarqueses se reorganizarem. Com o tempo, os nossos adversários foram ganhando confiança. Felizmente, por uma vez, o poste esteve do nosso lado ao travar a jogada de maior perigo para a nossa baliza. Foi um alívio quando chegou o intervalo.
 

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Devo dizer que este foi um dos poucos encontros dos últimos tempos em que a Sorte nos favoreceu. Não só o poste travou um remate contra nós, quando nove em cada dez bolas ao poste em jogos da Seleção costumam ser remates nossos, mas o árbitro também foi nosso amigo (isso pode já não ser por acaso) e até a bolada que o infeliz Boilesen jogou a nosso favor na medida em que nos deu tempo suficiente para marcarmos. Teria sido muito mau desperdiçar esta oportunidade. E ainda bem que não o fizemos. Mas já aí vamos. 
 
Na segunda parte, manteve-se o mesmo jogo bipartido, ainda mais lento, quase até ao final. A partir de certa altura, já estava, à semelhança de muito boa gente, resignada com o empate. Fazia literalmente contas à nossa vida: não era assim tão mau. Afinal, já tínhamos estado várias vezes naquela situação e não tínhamos deixado de nos Qualificar para a fase final seguinte. Sabíamos que muitas coisas não estavam bem na Seleção e não era com uma troca de Selecionadores que íamos solucionar tudo. E afinal de contas, não estaríamos sozinhos na nossa infelicidade: a Holanda tinha perdido com a Islândia na véspera, a Alemanha (a Alemanha!) tinha perdido com a Polónia (inserir piada relacionando esta derrota com a Segunda Guerra Mundial) e empataria com a República da Irlanda, dando aos adeptos irlandeses mais razões para gozarem com a chanceler alemã. Claro que sabia que ainda era possível, mas sinceramente não via sinais favoráveis a isso.

E, pela enésima vez, a Seleção Nacional apanhou-me de surpresa. Desta feita, foi aos noventa e cinco minutos, numa jogada construída por Ricardo Quaresma e (quem havia de ser?) Cristiano Ronaldo. Gritei "GOLO!" como uma menina - ando a descobrir que, quando são golos dramáticos como este, quase atinjo a gama dos ultrassons - e passei os minutos seguintes, mesmo depois do fim do jogo, meio a rir meio a chorar, incrédula com o que acabara de acontecer. É paradoxal a maneira como passo a vida a escrever aqui no blogue que vale sempre a pena acreditar na Seleção em qualquer circunstância, até ao último segundo, pois esta, mais cedo ou mais tarde, recompensa-nos para, quando as minhas próprias profecias se cumprem, ser sempre apanhada de surpresa. De uma maneira tipicamente humana, sou incapaz de seguir os meus próprios conselhos.


Mas já aí vamos. No rescaldo deste jogo, destacaram-se as declarações de "amor" trocadas entre Cristiano Ronaldo e Ricardo Quaresma. "Já tinha saudades de jogar com o Quaresma." "Também tinha saudades de jogar com o Ronaldo". Para mim, que me recordo de vê-los juntos no Sporting, declarações como esta deixam-me particularmente feliz e nostálgica. Devo até dizer que o papel que Quaresma desempenhou nesta dupla jornada me surpreendeu. Eu já não contava com ele para ser decisivo na Seleção - achei que estava num melhor momento em alturas do Mundial, o treinador do FC Porto teima em não usá-lo com frequência. Depositava maiores esperanças no Nani, que depois de ter andado perdido durante dois anos, reencontrou-se no Sporting. Toda a gente sabe que o Quaresma podia ter sido um dos melhores do Mundo (chegou a ser considerado mais promissor que Ronaldo), não o foi por falta de sorte e de juízo. A teimosia de certos Selecionadores foi-lhe um obstáculo mas também teve várias oportunidades na Seleção, sem nunca se conseguir impor. Contudo, ao que parece, ainda tem algo para dar à Equipa de Todos Nós. Não acho que mereça roubar a titularidade ao Nani, ainda, mas é sempre bom termos esta competição saudável na Equipa das Quinas.

Não posso, também, deixar de referir Tiago e, sobretudo, Ricardo Carvalho, que tiveram bons desempenhos nesta dupla jornada. Destaque para o último, que fez uma exibição impecável frente à Dinamarca. Pode-se dizer que, até agora, estão a fazer bom uso da oportunidade que lhes foi concedida. Sejam bem-vindos de volta!

Fernando Santos classificou esta vitória de "justíssima", mas eu não concordo. Pelo que vi do jogo, o empate seria o resultado mais adequado. No entanto, já estivemos demasiadas vezes do outro lado. E se formos a ver, no futebol ganha quem marca mais e sofre menos; por essa perspetiva, não se pode dizer que uma equipa que não consegue marcar golos mereça ganhar, por mais bonito que seja o seu futebol, por mais posse de bola que tenha tido, por mais remates que tenha feito.  Esta nossa vitória serve sobretudo para amealharmos três pontos muitos preciosos (depois dos incidentes no jogo entre a Sérvia e a Albânia, não sei em que ficamos em termos de classificação) e também para dar moral para o resto do Apuramento.

 

É esse último aspeto que, para mim, é o mais importante: recuperarmos a esperança com a chegada de Fernando Santos e o seu trabalho nesta jornada dupla de Seleção. Depois do jogo com a Albânia, eu estava mais ou menos conformada com a ideia de que, a curto prazo, faríamos uma travessia no deserto, com apenas Ronaldo e pouco mais puxando a equipa para a frente. Também sabia que a troca de Selecionador não iria, milagrosamente, colocar a equipa a funcionar na perfeição (embora tenha sido quase milagroso o que Paulo Bento fez nos seus primeiros tempos como Selecionador). No entanto, Fernando Santos conseguiu pôr a Seleção a jogar bem de novo, mesmo com aquilo que muitos consideram uma fraca base de recrutamento e quando o fracasso do Mundial ainda está fresco na memória.

Fernando Santos deu-me, aliás, a impressão de ser um treinador inteligente, capaz de interpretar o jogo e corrigir as falhas - não será por acaso que os golos portugueses desta dupla jornada tenham partido, parcial ou totalmente, do banco. O que me deixa receosa em relação aos jogos em que ele estiver de castigo (a decisão final deverá ser anunciada até finais de novembro). Tirando isso, penso que todos concordam que (perdoem-me a frase feita) Fernando Santos é o homem certo no lugar certo, que colocou a Seleção de novo no caminho certo. Fica a ideia de que o bom período do futebol português, que começou com o Euro 2000, ainda não terminou e, tendo em conta o desempenho dos sub-21, é possível que tão cedo não termine. No fundo, Fernando Santos fez o mesmo que Paulo Bento fez em 2010, se bem que desta feita não tão ostensivamente: devolveu-nos a esperança. Tal como anteriormente, pode não ser muito, mas é o suficiente para continuarmos a acreditar.

 

Fica aqui desde já a minha gratidão a Fernando Santos por este primeiro feito como Selecionador. No entanto, tal como afirmou Fernando Gomes, ainda não se conquistou nada a não ser três pontos. Isto foi apenas o primeiro passo. A Qualificação encontra-se perfeitamente ao nosso alcance, mesmo até em primeiro lugar, desde que não descarrilemos de novo. Por outro lado, com o que aconteceu com a Sérvia e a Albânia, houve quem falasse em oferecer de imediato a Qualificação a Portugal, Dinamarca e Arménia em jeito de castigo. Eu detesto essa ideia, receber o Apuramento de bandeja, lutando apenas para não ir a playoffs. Depois desta nossa mini-ressurreição, seria no mínimo anticlimático. Sobre que escreverei eu no blogue se, de repente, todos os obstáculos (ou quase todos) na corrida para a Qualificação desaparecerem? Se ao longo dos próximos dose meses todos os jogos forem pouco mais importantes que encontros particulares? As últimas Qualificações souberam a triunfo porque foram conquistadas a custo, depois de, em diferentes alturas, se chegar a dar o Apuramento como perdido. Quero voltar a sentir o mesmo dentro de sensivelmente um ano se/quando (escolham vocês) conquistarmos um lugar no Europeu de 2016.

E eu acredito que o faremos. De uma maneira ou de outra. 

França 2 Portugal 1 - A maldição continua

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No passado Sábado, dia 11 de outubro, a Seleção Portuguesa de Futebol defrontou a sua congénere francesa no Stade de France, em jogo de carácter particular. Tal encontro, que marcou a estreia de Fernando Santos como Selecionador Nacional, terminou com uma vitória da equipa da casa por 2-1. 

 
O Stade de France estava cheio, com um ambiente infernal para os visitantes, mas não haviam assim tão poucos apoiantes portugueses nas bancadas. Fizeram-se ouvir logo no canto do hino e várias vezes ao longo do jogo. Eles não mereciam de todo a péssima entrada da Seleção Nacional no encontro. Talvez se devesse à tática diferente da habitual mas não sei se isso explica o facto de a nossa defesa estar toda a dormir no lance do primeiro golo, da autoria de Benzema. Foram uns assustadores primeiros vinte minutos, com os nossos laterais metendo água (e ainda falavam do João Pereira e do Miguel Veloso...), quase me fazendo recear um descarrilamento estilo jogo com a Alemanha. A partir de certa altura, eu começava a rezar quando Eliseu recebia a bola. Foi-nos valendo Pepe, que estava numa de Salvador da Pátria, evitando pelo menos uns quatro golos.

É uma pena que tão pouca gente se tenha lembrado das vezes em que Pepe fizera coisas destas pela Seleção aquando da sua infeliz turra a Muller, durante o Mundial. Que teria acontecido no sábado se, obedecendo à vontade de muita gente, Pepe tivesse abandonado a Seleção após o Campeonato do Mundo?

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Ao contrário do que aconteceu na nossa estreia no Brasil, Portugal tremeu mas não caiu, manteve-se firme e ganhou domínio com o tempo. Como já vai sendo habitual, Cristiano Ronaldo e Nani eram os mais interventivos no ataque. Na segunda parte, com as substituições, a equipa melhorou. O segundo golo acabou por surgir contra a tendência do jogo. Patrice Evra partiu de possição irregular, é certo, mas mais uma vez a nossa defesa ficou a dormir na forma. Destaque para um dos franceses, que fez o que quis de Cédric.

Nem este segundo golo, contudo, foi suficiente para acabar com as aspirações de Portugal. Podíamos ter falhas no aspeto técnico, mas a nossa determinação era sólida como uma rocha. Os portugueses nunca desistiram de tentarem, pelo menos, o empate. Nem mesmo quando Cristiano Ronaldo e Nani, até à altura líderes do ataque, foram substituídos por João Mário e Ricardo Quaresma, respetivamente. Foi aliás o mais recente menino de ouro do Sporting que, pouco após entrar, "provocou" um penálti a favor de Portugal. Sem Ronaldo e sem Nani, a escolha para a conversão recaiu em Quaresma, que não falhou. Talvez este penálti tenha sido algo forçado mas também o de 2006 o foi, agora estamos quites... mais ou menos. E ainda que não merecêssemos o penálti, o golo definitivamente merecíamos. Ainda se tentou chegar ao empate antes do final, sem sucesso.

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Quase quarenta anos depois da última vitória, a maldição continua. Ainda não foi desta que demos a tareia que os gauleses andam há muito a pedir. Não que esperasse um resultado muito diferente, mesmo assim. Convém recordar que a França é sempre uma adversária temível, mesmo que não fôssemos seus fregueses. Além do mais, somos uma equipa em reconstrução, cujos problemas não se resolveram todos com a troca de Selecionador - embora isso quase tenha sido esquecido na semana de preparação desta dupla jornada. Não se podia exigir muito mais.

E não se pode dizer que a Seleção tenha dado assim tão pouco. Começou pessimamente o jogo, é certo, mas cresceu com o tempo, mostrou atitude, mostrou engenho, deixou esperança para o futuro próximo. Fernando Santos afirmou mesmo que a Seleção "com mais dois ou três treinos" vai lá. Ronaldo disse mesmo que nos aguarda "um futuro risonho" - mas depois das suas declarações no Mundial, tenho as minhas reservas no que toca aos dotes de futurologia do nosso Capitão. De qualquer forma, parece ser mais consensual que estamos num bom caminho, que podemos ganhar já amanhã à Dinamarca.

Sinto-me algo relutante em alinhar nesse otimismo. Suponho que se deva ao fracasso do Mundial e à derrota com a Albânia - ainda que esta tenha empatado com a Dinamarca, provando que, ao contrário do que se poderia pensar, os albaneses têm uma palavra a dizer nesta Qualificação. É certo que a Dinamarca não é a França, estará, como disse antes, um pouco abaixo do nível a que estava há dois anos, no Euro 2012. Mas com a nossa Seleção, ninguém pode ter certezas absolutas.

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No entanto, para conseguirmos a Qualificação direta como líderes do grupo, como muitos protagonistas da Equipa de Todos Nós afirmam ambicionar, temos de vencer a Dinamarca. Algo que, acredito, estará ao nosso alcance, de uma maneira ou de outra. Espero um jogo intenso, como têm sido os nossos últimos confrontos com esta Seleção. Ronaldo afirma ter esperanças de marcar mas eu aposto mais em Nani, que tem um gostinho especial por marcar aos dinamarqueses. Acredito numa vitória, mas estou preparada para sofrer. Algo a que, de resto, qualquer adepto da Seleção está já habituado.

Quase revolucionário

fundo.jpgNo próximo sábado, dia 11 de setembro, a Seleção Portuguesa de Futebol disputará no Stade de France, em Saint-Denis (a norte de Paris), um jogo de carácter particular com a sua congénere francesa. 

 
Recorde-se que, pela primeira vez, na Qualificação para o Campeonato Europeu da modalidade, a seleção anfitriã foi incluída num dos grupos de Apuramento, efetuando jogos com todas as outras equipas do grupo sem que estes contem para a classificação final. Por sua vez, o jogo que será disputado no Estádio Parken, em Copenhaga, três dias mais tarde, com a seleção dinamarquesa, será o nosso segundo encontro da fase de Qualificação para o Euro 2016.

Esta jornada dupla marca a estreia de Fernando Santos como Selecionador Nacional. O nome do técnico foi um dos primeiros a ser referido como possível sucessor de Paulo Bento. Era o favorito de quase toda a gente, eu incluída, graças à vasta experiência de alguém que já treinou os três grandes portugueses, vários outros no País e no estrangeiro, e teve um bom desempenho recente ao leme da seleção grega. No entanto, rapidamente foi descartado devido ao castigo atribuído pela FIFA... ou assim pareceu. Fui apanhada de surpresa pelo anúncio da sua contratação.


Infelizmente, Fernando Santos continua castigado e parece pouco provável que veja o seu castigo reduzido. Parece que o castigo só é aplicável a jogos oficiais, logo, o novo Selecionador estará presente no banco durante o jogo com a França. São muitos jogos de castigo, pode até acontecer que Fernando Santos tenha de assistir na bancada a todos os seus jogos oficiais como técnico da Turma das Quinas. Durante algum tempo, não percebi porque motivo o treinador ia apanhar oito jogos de castigo, apenas menos um que Luis Suarez, com o seu famoso e triste hábito de morder adversários. No outro dia é que percebi que o castigo se deve, não ao cartão vermelho que recebeu, mas ao facto de ter desobedecido à ordem de expulsão, desrespeitando abertamente a autoridade do árbitro. Por essa perspetiva, a punição faz mais sentido. Se esta infração é mais ou menos grave que outras menos castigadas é discutível. Para mim, mais do que a FIFA, quem fica mal na fotografia é a federação grega por não avisar o seu antigo técnico a tempo de recorrer da decisão - isto depois de tudo o que Fernando Santos fez pela seleção deles!

Apesar de muitos recordarem que as seleções não são como os clubes, de salientarem a importância de os jogadores apreenderem rapidamente a filosofia do Selecionador, não estou demasiado preocupada com a ausência de Fernando Santos do banco de suplentes português: o substituto será Ilídio Vale, o homem por detrás dos bons resultados que a seleção de sub-20 tem apresentado nos últimos anos. Tenho a certeza de que terá competência para gerir a Seleção no lugar de Fernando Santos. Corremos, no entanto, o risco de, em vez de termos um Selecionador principal e um adjunto, termos dois selecionadores principais: um para os treinos, Conferências de Imprensa e jogos particulares, outro para os jogos a doer. Não sei se isso correrá bem. Toda esta situação terá de ser muito bem gerida pela equipa técnica da Seleção.

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A primeira Convocatória assinada por Fernando Santos foi Divulgada na sexta-feira passada, dia 3, uma Lista cheia de novidades, quase revolucionária como ouvi dizer na rádio, ou pura e simplesmente uma volta na arrecadação, como diziam n'A Bola. Destacam-se, clara e quase gritantemente, os regressos dos "renegados" de Paulo Bento, como Ricardo Quaresma, Ricardo Carvalho, Tiago e Danny. Nos dias antes da Divulgação, a Comunicação Social ia apresentando as pré-Convocatórias dando a entender que  Fernando Santos dizia "Vai-te lixar, Paulo Bento!", mas o Selecionador explicou que, na Federação, ninguém lhe restringiu nenhum jogador. Sabe que Paulo Bento terá tido os seus motivos para não Chamar os jogadores, mas esses motivos não são os dele. "Não foi comigo", chegou a dizer várias vezes. Um argumento que faz sentido. Ainda que compreendamos e até concordemos com as opções de Paulo Bento, Fernando Santos não é obrigado a isso, tem todo o direito a Escolher aqueles que, de acordo com a sua própria consciência, considera os mais adequados.

Eu vejo cada um destes casos de maneira diferente. O de Ricardo Carvalho, para começar, deixou-me algo dividida: se por um lado acho que o que o Ricardo fez foi infantil da sua parte e compreendesse a posição de Paulo Bento, ele já se mostrou arrependido várias vezes nos últimos anos (não sei se chegou a pedir desculpa diretamente ao antigo Selecionador), já cumpriu o castigo imposto pela Federação e ainda dois anos extra por escolha de Paulo Bento. Eu mesma cheguei a defender aqui no blogue uma segunda oportunidade por parte do antigo Selecionador. Além disso, conforme afirmei pouco após a sua deserção, o Ricardo já fez muito pela Equipa de Todos Nós ao longo dos anos, não seria justo que os golos que marcou, as vezes que salvou o couro nacional, valessem menos que uma decisão irrefletida - quando, ainda por cima, não foi o primeiro e não será o último jogador da Seleção a agir de cabeça quente; o próprio Paulo Bento teve pelo menos uma atitude dessas enquanto jogador (eu sinto vergonha só de ler esta última notícia, mesmo passados catorze anos sobre o acontecido). É um pouco estranho tê-lo de volta, provavelmente nunca mais olharei para ele da mesma maneira, mas ele tem agora uma oportunidade de se redimir. Oxalá saiba usá-la.

O caso de Tiago é diferente. Foi ele quem escolheu sair da Equipa de Todos Nós e manteve essa decisão mesmo depois de Paulo Bento ter, na altura, falado com ele. Ainda que ele diga que se arrepende "de ter enviado aquele fax", não acho justo ele ter decidido regressar, depois de quatro anos em que ele podia ter ajudado a Seleção e não o fez por escolha própria. Sei que Luís Figo fez o mesmo entre 2004 e 2005, mas isso não muda nada. Um jogador ou está cem por cento disponível para a Turma das Quinas, dentro das suas possibilidades físicas ou renuncia a ela definitivamente. Não acho legítimo um jogador disponibilizar-se ou não disponibilizar-se para a Seleção conforme lhe apetece - não digo que seja o caso, mas este pode abrir um precedente para situações como a que descrevi. Tal como comentei com um seguidor meu no Twitter, a Federação deveria definir regras para estes casos.

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Quanto ao Danny, não estou particularmente entusiasmada com o seu regresso. Tal como Paulo Bento, suponho eu, irritei-me com as suas desculpas esfarrapadas para se baldar às concentrações da Seleção. Ainda acreditei na história do quisto sebáceo em 2011 mas, depois de no ano passado ter sido dispensado da concentração por motivos físicos para, dois dias depois, treinar normalmente no clube, a minha boa vontade esfumou-se. A ideia com que fico é que ele não leva a Seleção a sério. Eu não o Chamaria. Nem a ele nem ao Tiago. Mas já que eles foram Convocados, eles e o Ricardo Carvalho, ao menos que justifiquem os regressos. Se a Seleção beneficiar com o regresso destes três "filhos pródigos", não direi mais nada.

Esta Lista fica também marcada pela ausência de alguns elementos do núcleo duro de Paulo Bento: Hélder Postiga, Miguel Veloso, Raul Meireles, João Pereira. Não posso contestar tais opções. Há quem alegue que são demasiadas mudanças mas a verdade é que o onze-base do Euro 2012 já não funciona, conforme os últimos resultados deram a entender. De resto, Fernando Santos justificou tais ausências com a falta de ritmo competitivo, não colocou de parte a possibilidade de Convocá-los dentro de um mês ou noutra ocasião qualquer. Postiga, por exemplo, pode não estar completamente descartado visto que... não há praticamente mais nenhum ponta-de-lança português, tirando Éder e Hugo Almeida. A menos que se conceba uma tática que dispense ponta-de-lança, Postiga pode voltar a ser necessário.

Pelo menos é disso que tenho esperanças.

São várias as coisas mudando na Seleção Portuguesa mas, com todo o respeito por Paulo Bento, na minha opinião, estávamos a precisar de uma mudança. O conservadorismo do antigo selecionador já não funcionava. Além de que é a primeira vez em muito tempo em que temos seis jogadores do mesmo clube, tanto quanto me lembro, incluindo um meio-campo completo - não sei se serão todos titulares, mas é sempre bom termos Marmanjos familiarizados uns com os outros. Mesmo com as minhas reservas relativamente ao regresso dos "renegados", esta Lista parece-me razoavelmente sólida, acho que pode resultar.

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No entanto, não me atrevo a ser demasiado otimista pois a jornada dupla que se avizinha será complicada. Estes não são de todo os adversários ideais para a estreia de um Selecionador. Há um ano, diria que seria bom nesta altura enfrentarmos adversários de calibre, estimulantes. Ora, depois de ver a Seleção sendo completamente atropelada pela Alemanha no Mundial, a questão já não me parece assim tão linear. Para além de serem adversários de peso por si só, são adversários com quem temos historiais muito particulares.

Comecemos pela França que tem sido um espinho na nossa carne há muitos anos, com destaque para as três traumáticas meias-finais em que nos derrotaram. Se a Holanda, por exemplo, é nossa freguesa, nós somos claramente fregueses de França: em vinte e dois jogos só ganhámos cinco e a última vitória foi em 1975. Tudo o resto tem sido derrota atrás de derrota, tirando um empate algures nos anos 20. O único jogo que testemunhei já como adepta da Seleção foi o último, nas meias-finais do Mundial 2006, provavelmente a derrota mais injusta de que me recordo tirando, claro, a final do Euro 2004. Aquela Seleção, mais do que qualquer outra, merecia ser campeã do Mundo. Os franceses não mereciam estar na final, como ficou provado pela famosa cabeçada de Zidane. Isto, aliado ao constante colinho que os franceses andam há muito tempo a receber das mais altas instâncias do futebol, tem-me alimentado uma raivazinha de estimação à equipa francesa.

Não sei em que momento se encontra a França atualmente. Sei que empataram há um mês com a Sérvia, altura em que houve polémica à volta da renúncia de Franck Ribéry à sua seleção, que muito irritou Michel Platini. Mas com os problemas dos nossos adversários posso eu bem, até os agradeço. Nesta altura do campeonato, por muito que deseje uma desforra, esta terá de ficar para segundas núpcias. O mais importante será promover uma boa adaptação à nova equipa técnica e preparar o jogo com a Dinamarca, que será a sério - sobretudo porque, sendo um particular, será um dos poucos jogos em que teremos Fernando Santos no banco.

 
Quanto aos dinamarqueses, esses são já velhos amigos nossos, provavelmente são a seleção que mais vezes foi nossa adversária nos últimos anos, possuindo uma longa tradição de nos complicarem a vida, como eu gosto de dizer, à grande e à dinamarquesa. Da experiência que eu tenho, os jogos com a Dinamarca ou correm muito bem ou correm muito mal - às vezes não tanto pelo encontro em si, mas pelo contexto em termos classificativos. O empate em 2009, por exemplo, pode não ter sido um mau resultado por si só, mas deixou-nos agarrados a uma calculadora para as últimas jornadas da Qualificação para o Mundial 2010. O 2-1 de 2011 pode também não ter sido grave por si só (embora eu tenha, na altura, achado que os nossos jogaram mal), mas impediu-nos de nos Qualificarmos diretamente para o Euro 2012. Geralmente, são jogos péssimos para a pressão arterial, com destaque para o inesquecível encontro do Europeu de há dois anos, o meu favorito desse campeonato. O inverso desse foi a derrota por 3-2 em 2008, no Estádio de Alvalade. Por outro lado, apesar de termos perdido o particular de 2006, guardo boas recordações desse jogo, pois foi a estreia de Nani com a camisola das Quinas, em que ele marcou um golo diretamente do pontapé de canto e ainda assistiu para o outro, de Ricardo Carvalho - foi nesse particular que o Nani se tornou um dos meus jogadores preferidos.

Acho uma coincidência espantosa que o novo Selecionador se vá estrear em jogos oficiais (isto é, mais ou menos) com o mesmo adversário com que o anterior técnico se estreou. Na verdade, também o segundo jogo oficial de Carlos Queiroz foi com a Dinamarca, mas o primeiro de Paulo Bento é memorável pelos melhores motivos. Ainda me lembro muito bem dessa noite (ajuda ter escrito sobre ela): de ouvir o relato dos dois golos seguidos de Nani - ele tem mesmo uma queda para dinamarqueses - do alívio que foi o terceiro golo, da autoria de Cristiano Ronaldo, do quão feliz me senti após o jogo por, depois de tudo por que a Seleção passara nos últimos meses, estarmos de regresso às vitórias e às boas exibições.

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O que mais desejo é um renascimento semelhante ao da primeira dupla jornada de Paulo Bento para os próximos dois jogos, mas sei que é pouco provável.

Consta que a Dinamarca estará uns furos abaixo do que estava nas Qualificações para o Mundial 2010 e Euro 2012. Não se Qualificou para o Mundial 2014, nem sequer chegou aos playoffs - suponho que tenham sentido falta dos pontos que Portugal lhes ofereceria... Talvez estejam de novo a contar com eles neste Apuramento, mas eu espero que, desta feita, acabemos com essa tradição.

Apesar de o passado recente da Equipa de Todos Nós não ser o mais favorável e existir a hipótese de as coisas voltarem a correr mal, como na jornada anterior, neste regresso da Seleção ao ativo sinto-me tão eufórica como sempre, como se viéssemos de uma sequência de vitórias e não de fracassos. É irracional, é quase ilusório, mas a verdade é que são poucas as coisas que me entusiasmam assim. E gosto que assim seja.


O que não significa que esteja disposta a tolerar outro fracasso. Não quando for a doer, pelo menos. Sei que será difícil, mas os Marmanjos terão de fazer um esforço se quiserem regressar a França (após o particular de sábado) em 2016. O que eu gostava mesmo era que a Seleção voltasse a ser uma fonte regular de alegrias mas... um passo de cada vez.

Concluo este texto dando as boas-vindas a Fernando Santos e com o desejo de que ele e a restante equipa técnica saibam ajudar a Seleção a regressar ao bom caminho.