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O Meu Clube É a Seleção!

Os pensamentos de uma simples adepta da Seleção Nacional, que não percebe assim tanto de futebol mas que é completamente maluca pela Equipa de Todos Nós.

Exorcizar o demónio

O estágio de preparação do Campeonato do Mundo de futebol, que terá lugar no Brasil - estágio esse também conhecido por Operação Mundial -  já começou há alguns dias. Mais de uma semana, se considerarmos os três dias de pré-estágio no Estoril. A preparação vai ainda numa fase muito inicial - os portugueses do Real Madrid, Fábio Coentrão, Pepe e, claro, Cristiano Ronaldo só se juntaram à comitiva na quinta-feira - pelo que as coisas têm andado relativamente calmas, em termos mediáticos pelo menos. Só uma ou outra réplica das polémicas em torno da Convocatória. Como já vai sendo hábito, os jogadores que participam nas Rodas de Imprensa adotam discursos tranquilos, prudentes, evitando ao máximo desestabilizar a equipa. Podem não ser os mais interessantes mas, em particular nesta altura do campeonato, ninguém duvida que são os que mais beneficiam a Equipa de Todos Nós. Haverá tempo, sem dúvida, mais adiante, para polémicas, não sentiremos falta delas - pelo menos foi o que aconteceu há dois anos.
 
Nem sempre me tem sido fácil estar a par do que vai acontecendo, estando eu em estágio (um estágio diferente do da Seleção, claro) das nove às seis. Mesmo não podendo atualizar de imediato a página, gosto - sempre gostei - de ir sabendo destas coisas à medida que vão acontecendo. Ao longo do dia, tento prestar atenção às notícias horárias da rádio. Uma das poucas vantagens de tê-la ligada a título quase constante no meu local de estágio - acreditem, é cansativo. Até Nelson Mandela se cansaria de Ordinary Love se tivessse de ouvi-la tantas vezes quanto eu. Outra vantagem diz respeito aos anúncios alusivos ao Mundial, cada vez mais frequentes - que sempre tornam os irritantes intervalos publicitários um pouco mais suportáveis. 
 
Adicionalmente, quando vou almoçar, tento sempre apanhar as reportagens dos telejornais. A caminho de casa, sintonizo as notícias do desporto na rádio, quando saio a tempo. Vou, também, tentando ir a cafés e esplanadas que tenham A Bola ou o Record, que geralmente têm algo mais que a televisão, a rádio ou a Internet - artigos de opinião, sobretudo. Gosto sempre de lê-los, quer concorde com eles ou não.
 
Quando chego, finalmente, a casa, ao fim da tarde ou à noite, atualizo a página. É aqui que agradeço ao blogue do meu parceiro, ao tumblr Fuck Yeah Portugal National Team e à página Seleção Nacional de Portugal - estas três fontes têm-me permitido aceder rapidamente a notícias e fotografias sobre a Turma das Quinas, para depois publicar.
 
 
 
Têm sido as fotografias a despertarem-me maior interesse. Sobretudo aquelas que mostram os momentos de galhofa, de bullying, como digo na brincadeira, entre os Marmanjos. Que representam bem uma das facetas de que mais gosto na Seleção: o facto de ser um grupo de amigos, um bromance a vinte e três, como às vezes digo, uma grande família; a maneira como estão sempre a brincar, como uma matilha de cachorrinhos. 
 
Ainda não está a ser bem o verão que antecipei ao longo de semanas. No entanto, não duvido que, dentro de poucos meses, vou sentir saudades destes dias. Sobretudo quando dispuser de mais tempo livre que agora sem ter nenhuma Operação Mundial para seguir.
 
Por enquanto, a minha disponibilidade reduzida tem-me privado de relativamente pouco. Isso provavelmente mudará à medida que nos formos aproximando do Mundial, mas hei-de arranjar uma solução. Por outro lado, uma grande vantagem da minha falta de tempo e, por vezes, paciência é deixar-me de importar com certas ninharias que surgem nas redes sociais, relativas à Seleção e não só. Tenho, literalmente, mais que fazer.

Entretanto, hoje, pelas sete e meia da tarde, a Seleção Portuguesa recebe no Estádio Nacional a sua congénere grega em jogo de carácter particular. Um encontro em teoria amigável, mas com um adversário que traz demasiadas recordações amargas. A malfadada final do Euro 2004 na Luz, o título que deveria ter sido nosso, que tinha tudo para ser nosso, mas que deixámos escapar. Uma oportunidade que não se tornou a repetir e que, provavelmente, não se repetirá nunca. Chegámos a defrontá-los de novo em 2008, pouco antes do Europeu, mas tornámos a perder, desta feita por 2-1 (foi um ano estranho aquele...).

Não nego que sinto uma certa vontade de ajustar contas com os gregos, ainda que apenas na teoria - é apenas um particular, obviamente não nos vai devolver a Taça e nem sequer nos dará três pontos. Por outro lado, os gregos acabaram por ganhar a minha simpatia por, entre outros motivos, serem treinados pelo português Fernando Santos e pela atitude que demonstraram no Euro 2012. Já não lhes guardo nenhum ressentimento em particular (o erro de 2004 foi nosso) e desejo-lhes a melhor das sortes para o Mundial - excepto caso se cruzem connosco, evidentemente.

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O jogo terá lugar no Estádio Nacional, no Jamor, uma arena com grande simbolismo para o futebol português, e estará integrado nas comemorações do centenário da Federação Portuguesa de Futebol. Consigo compreender esta escolha visto que, para mim, é uma das casas da Seleção, se não for "a" casa. Sobretudo ao longo dos últimos anos, em que tenho lá ido assistir aos treinos abertos. Além disso, acredido que, se algum dia conseguirmos ganhar um Europeu ou Mundial, será lá que a Seleção festejará com os seus adeptos.

A desvantagem continua a residir os fracos acessos, tanto em termos de entradas para o Estádio - depois do que aconteceu na final da Taça de Portugal, espero que as pessoas tenham a sensatez de chegarem com antecedência - como em transportes públicos. 

Seria bom deixarmos este demónio exorcizado, dentro do possível, a tempo do Mundial. No entanto, duvido que os Marmanjos estejam para aí virados. Nos primeiros particulares dos estágios de 2010 e 2012 (com o Cabo Verde e a Macedónia, respetivamente) não estiveram e ambos acabaram sem golos. Como se tal não bastasse, bem como a experiência de muitos outros particulares, desta feita temos metade da Seleção em momentos de forma duvidosos. Já se sabe que Pepe e Ronaldo não jogam (estou a mentalizar-me de que o madeirense será uma dúvida constante até ao nosso primeiro jogo no Brasil, se não mesmo depois disso). Não me parece que os jogadores queiram arriscar lesões que os afastem do Mundial. Pode ser que o nome e o simbolismo do adversário tenham algum peso. Mas não sei se será suficiente.

Espero que o seja para, pelo menos, fazerem um jogo decente. Invariavelmente, eu peço uma vitória, mesmo que não venha acompanhada de uma boa exibição. Até porque, durante o jogo, homenagearão Eusébio e Mário Coluna, ficaria bem honrá-los com um bom resultado. No entanto, se tudo isso falhar, ao menos que sirva para nos prepararmos para o Mundial. Que todos esperamos que seja inesquecível pelos melhores motivos.

A Seleção de Todos Nós

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Na passada segunda-feira, 19 de Maio, pouco após as oito e um quarto da noite, Paulo Bento anunciou os vinte e três Convocados para representar Portugal no Mundial 2014. 
 
A cerimónia contou com uma certa pompa e circunstância quanto baste e começou com um discurso do presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Fernando Gomes. Neste, o presidente teceu rasgados elogios ao atual selecionador. Agora compreende-se que Fernando Gomes pretendia dar publicamente o seu voto de confiança a Paulo Bento, antes de uma Convocatória que, como todas as outras, causaria contestação. Na altura, contudo, ansiosa como me sentia, só pensava: "Ó senhor Presidente, ninguém quer saber! Deixe o Paulo Bento dizer os Convocados, que nós não podemos esperar mais!"
 
Acabou por não ser Paulo Bento a dizê-los, estes foram-nos apresentados sob a forma de vídeo:
 
 
Com este formato, houve tempo para digerir cada um dos nomes à medida que estes iam sendo anunciados. De uma maneira geral, eu aprovava cada um deles. Fui apanhada de surpresa pela inclusão de nomes como Rafa, Éder e Vieirinha. Senti um prazer culpado com as Chamadas dos meus adorados Hélder Postiga e Nani. Só mais para o fim do vídeo é que fiquei à espera do nome de Ricardo Quaresma mas a apresentação terminou antes que este fosse anunciado. Lembro-me de fitar o símbolo da Federação no fim do vídeo e pensar: "Oh não, ele não fez isto..."

Não se pode, contudo, dizer que hajam grandes surpresas na Convocatória. Para mim, a maior surpresa foi mesmo a exclusão de Quaresma, que não consigo mesmo compreender, por muito que me esforce. De uma maneira geral, Paulo Bento referiu dois critérios para justificar as suas escolhas: polivalência e estabilidade emocional. Não sou, nem de longe nem de perto, a pessoa mais habilitada para falar sobre o primeiro aspeto, que terá justificado as inclusões de Rafa,  Rúben Amorim e André Almeida, bem como a exclusão de Adrien. Quanto à estabilidade, à confiança, compreende-se. Paulo Bento chegou mesmo a enviar uma indireta a Danny quando referiu ser "preferível levar jogadores com vontade, determinação e compromisso". Para ser sincera, por muito boa vontade que tenha anteriormente demonstrado para com Danny, estava a ficar farta das confusões dele. De uma forma quase inconsciente, fiquei aliviada quando ele nem sequer entrou na pré-Convocatória. Nesta, concordo com Paulo Bento.

O caso de Quaresma - que, coitado, deve estar a ter um dejá-vu de 2006 - na minha opinião, é diferente de Danny. É certo que o jogador do F.C. Porto continua algo imaturo, apesar dos trinta e um anos, mas ao ponto de não merecer ir ao Mundial? Tenho as minhas dúvidas. É aqui também que reside a grande incoerência de Paulo Bento. O Selecionador alega que Quaresma esteve um ano e meio sem jogar, só se tornando selecionável nos últimos dois ou três meses. No entanto, tal situação não difere muito da de metade da Convocatória que, como tem sido ampla e jocosamente comentado nas redes sociais, falhou parte da época por lesão. Ainda que Paulo Bento afirme que Nani tem características diferentes de Quaresma, que o primeiro não esteve um ano e meio sem jogar, como o segundo, em termos práticos, na minha opinião, Quaresma fez mais pelo seu clube nos três ou quatro meses que jogou que Nani fez pelo dele desde o Euro 2012. Até Carlos Mané merecia mais estar no Mundial que Nani, nesse aspeto pelo menos - é claro que não é a decisão mais sensata um jogador de dezoito ou dezanove anos estrear-se pela Seleção num Mundial.

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Não sou, contudo, verdadeiramente capaz de contestar nem a Chamada de Nani nem a de Hélder Postiga. Estive em conflito comigo mesma durante as últimas semanas pois, se tanto as lesões de Postiga como a falta de ritmo de Nani me exasperavam, a verdade é que não queria o Mundial sem dois dos meus jogadores preferidos, mesmo que não fossem titulares. Passa-se um bocadinho o mesmo com o Eduardo. Não seria justo eu estar a criticar os outros casos de momentos de forma duvidosos. Desse modo, tirando a situação de Quaresma, não tenho muito mais a apontar a esta Lista Final. No entanto, não nego que isto se torna injusto para outros jogadores selecionáveis, com ritmo de jogo e comprovada qualidade, que ficaram de fora deste campeonato. Paulo Bento aparenta dar prioridade aos aspetos psicológicos, em detrimento, um pouco, dos aspetos técnicos. Tem a sua lógica: de nada serve termos trunfos no baralho que não temos maneira de utilizá-los. Ninguém pode negar que Marmanjos como Nani, Postiga, Eduardo e outros que tais sempre mostraram empenho quando vestem a camisola das Quinas. Vão na linha dos jogadores, de que falei anteriormente, que se saem melhor pela Seleção que pelos clubes. Não esquecer o caso de Nani que tem aquele talento que o Selecionador "não se dá ao luxo de desperdiçar", tal como afirmou há um ano. Ainda deve haver tempo para os "lesionados" (Ronaldo incluído) recuperarem até ao Mundial e, de qualquer forma, duvido que muitos desses venham a ser titulares. Mas até que ponto, contudo, conseguirão as pernas acompanhar a vontade de fazer bem?

Eu confio em Paulo Bento, apesar de todas estas dúvidas. Tal como o disse antes da Convocatória, acredito que ele sabe o que está a fazer, que ele saberá tirar o melhor proveito dos jogadores que Escolheu, colocando-o ao serviço de Portugal. Como sempre, têm sido tecidas várias críticas a esta Convocatória, umas mais construtivas do que outras. Há dois anos, as mais destrutivas ter-me-iam enfurecido. Hoje, apenas me despertam indiferença. Tal como já referi anteriormente, caso o Mundial nos corra de feição, todas essas alminhas aziadas se esquecerão desses comentários e juntar-se-ão à festa, como se nunca tivessem duvidado da Turma das Quinas. Citando João Querido Manha, "a partir de agora, esta é a Seleção de Portugal, é a Seleção de todos nós". Tudo o resto é irrelevante.

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Tirando os portugueses do Real Madrid (não sei se Vieirinha já chegou), a Seleção encontra-se já reunida em Cascais, tendo já começado a Operação Mundial. É lá que o meu coração se encontra sediado. Tal como na próxima semana estará sediado em Óbidos, depois em New Jersey, nos Estados Unidos, até finalmente aportar em Terras de Vera Cruz. Apesar de, segundo o que disse anteriormente, o Verão ter começado na segunda-feira, a verdade é que o tempo piorou desde esse dia. Não faz mal. Agora, que estamos finalmente em Modo Seleção, o Sol arranjará sempre maneira de brilhar por entre a chuva, tal como reza um dos temas da minha playlist da Equipa de Todos Nós. E é meu desejo que este período abençoado se prolongue o mais possível.

O primeiro dia de verão

Cá vamos nós outra vez. Amanhã, dia 19 de maio, Paulo Bento, o Selecionador Nacional de Futebol
anunciará os Convocados para representar Portugal no Campeonato do Mundo da modalidade, que se terá início dentro de pouco menos de um mês, no Brasil.

Quem acompanha este meu blogue há algum tempo saberá, certamente, que para mim este é sempre um dia especial, o dia em que o Mundial começa. Já usei várias metáforas para explicá-lo, hoje usarei mais uma - que poderão já ter visto na minha página. Uma vez que, durante os períodos em que a Seleção Nacional se encontra reunida, quebra-se um pouco a monotonia da rotina, a vida ganha mais cor, como se o Sol brilhasse mais. Daí que sinta que o verão começa, não daqui a um mês, e sim já amanhã. 

Há pouco menos de uma semana, no dia doze, este blogue, O Meu Clube é a Seleção, completou seis anos online. Pena o Anúncio dos Convocados não ter ocorrido naquele dia, como pensei que ocorreria da primeira vez que olhei para o calendário de 2014, para o aniversário ser perfeito. Mas não faz mal, porque assim vai ocorrer exatamente seis meses após a épica segunda mão dos playoffs com a Suécia. Não tenho nada a dizer sobre estes seis anos que não tenha dito anteriormente, tirando apenas que nunca, por um único momento, me arrependi de ter criado este blogue nem senti vontade de desistir, nem mesmo quando me apercebo da fraca audiência. Enquanto tiver disponibilidade, manterei o blogue. Disponibilidade, essa, que já será um problema ao longo deste Mundial. Há dois anos, no Euro 2012, quase nunca me faltou tempo para atualizar a página nem ara escrever no blogue. Agora, no entanto, conforme já disse aqui, estou a fazer estágio das nove às seis, logo, não tenho tanto tempo. Não se admirem, portanto, se as crónicas forem reduzidas e/ou demorarem a ser publicadas.

Não acredito que isso seja muito grave, pelo menos durante as primeiras semanas - se for como há dois anos, esse será um período mais morno. O pior será o facto de, por causa do meu horário, ir perder a primeira parte dos jogos com a Alemanha e o Gana. Hei de arranjar maneira de ir acompanhando, dentro do que me for possível, o que acontecer durante esses quarenta e cinco minutos. Mas chateia-me não poder vê-los como deve ser. Afinal de contas, o Mundial só vem de quatro em quatro anos. 


Este ano, para além de se comemorar o centenário da Federação Portuguesa de Futebol, faz dez anos desde o Euro 2004. O que significa que acompanho de perto a Seleção há pelo menos uma década. Dez ano de alegrias e tristeza, triunfos e desilusões, sonhos, esperanças. Três selecionadores, cinco fases finais, cinco Apuramentos, inúmeros Marmanjos, muitos que chegaram e partiram passando quase despercebidos, muito que se destacaram, ou por fases, ou a título quase constante, centenas de jogos. A Seleção entranhou-se de tal maneira em mim que já faz parte, de certa forma, dos meus ritmos biológicos, já se tornou quase uma dependência física - ao ponto de, conforme já o referi várias vezes aqui no blogue, desenvolver sintomas de abstinência em períodos de poucas notícias sobre a Equipa de Todos Nós. E, por muito que certos aspetos venham a tornar-se repetitivos, cada jogo é único, com os seus próprios protagonistas, as suas próprias peripécias, pelo que ainda não me canso deles.

Esta é a quarta fase final que acompanho neste blogue e, apesar de cada um dos três campeonatos anteriores ter tido a sua própria história, hoje sinto-me mais ou menos da mesma maneira que me sentia no início de cada uma das fases finais anteriores: com algumas dúvidas, sem me atrever a sonhar demasiado alto, mas entusiasmada, esperançosa, decidida a encarar um jogo de cada vez, a saborear cada momento.

Com o tempo vou, também, tendo cada vez menos ilusões, vou tendo mais noção de que a equipa atual não é tão forte - ou pelo menos não tão consistente - como equipas anteriores. Por muito que me custe admiti-lo, em 2004 e 2006 tínhamos - adotando uma metáfora que ouvi recentemente - uma Seleção de Liga dos Campeões, hoje temos, mais do que "Ronaldo mais dez", uma Seleção de Liga Europa. Num campeonato como o Mundial, esses detalhes podem fazer a diferença. O período compreendido entre o Euro 2004 e o Mundial 2006 foi o mais consistente de que me recordo na Seleção - os meus dois primeiros anos acompanhando a Equipa das Quinas, daí que me tenha habituado mal. Todas as fases de Qualificação que se seguiram foram um drama, ainda que por motivos diferentes. A falta de opções para além do núcleo duro foi um dos factores que contribuiu para as dificuldades do nosso último Apuranmento. As circunstâncias em 2004 e 2006 eram-nos mais favoráveis que agora.


No entanto, a verdade é que tais circunstâncias não foram suficientes para levantarmos a Taça. E embora continue a achar que tais títulos foram injustamente atribuídos, ando a aprender que a justiça no futebol nem sempre é clara. Não ganha quem joga bem, ganha quem marca e sofre o menos possível, quer isso aconteça por mérito próprio ou por mera sorte. Isto para não falar da cumplicidade de árbitros e dirigentes da alta hierarquia do futebol.

Por outro lado, a Seleção tem vícios quase congénitos, sobretudo no que toca à tendência para sermos o nosso próprio maior adversário, de nos boicotarmos a nós mesmos, perante opositores que, em muitos casos, não nos causariam grandes problemas. Foi algo que se repetiu ao longo deste último Apuramento mas que, na verdade, também aconteceu no mítico Portugal x Coreia do Sul, do Mundial de 66 - pude testemunhá-lo quando o jogo foi transmitido pouco após a morte de Eusébio. Portugal facilitou, enfiou-se num buraco, ficando obrigado a superar-se de uma forma quase milagrosa, liderado pelo Pantera Negra - à semelhança do que aconteceu nos playoffs frente à Suécia, desta feita liderado por Cristiano Ronaldo. Dessas vezes, a coisa correu bem. No Mundial, perante seleções de calibre elevado, contudo, tal complacência pode muito bem representar a morte do artista.

Além disso, não basta uma mão-cheia de individualidades para se fazer uma equipa. Um bom exemplo é o Mundial 2002, que tinha nomes como Figo, Pauleta, Rui Costa, Fernando Couto, João Pinto, Vítor Baía, Sérgio Conceição, mas que teve um desempenho para esquecer, nesse campeonato. Em oposição, temos o Euro 2012, com uma equipa com "mais vulgaridade que qualidade", nas palavras de pessoas certamente bem mais sábias do que eu, que chegou a onde todos sabemos.

Eu quero acreditar que tal não aconteceu por acaso, por sorte, que aquilo foi a regra e não a exceção. Que é possível tal acontecer de novo. Que Paulo Bento tem razão quando diz que, mesmo não sendo favorito, Portugal tem condições para competir com os candidatos ao título (Brasil, Espanha, Argentina, Alemanha...) e mesmo vencê-los. Se por um lado considero que as premissas já nos foram mais favoráveis, por outro receio não tornar a ter uma oportunidade tão boa. Irrita-me o nosso historial de chegarmos a todos os campeonatos de seleções sob o estatuto, mais ou menos assumido, de candidatos ao título quando, na verdade, nunca ganhámos nada, falta-nos sempre aquele "quase". Dez anos depois do primeiro Menos Ais, está na altura de "passarmos à próxima fase", de uma vez por todas. Pode ser até que nos aconteça o mesmo que aconteceu à Espanha, que, depois de tantos anos numa situação semelhante à nossa, ganhou três títulos de seguida... mas não me atrevo a sonhar tão alto. A solução acaba por ser a mesma de sempre: abordar um jogo de cada vez e esperar que Deus, ou a Sorte, ou outra qualquer entidade sobrenatural em que acreditem, seja generoso(a) para connosco.


Já se volta a esse assunto, para já falemos dos Convocados. Este ano, a habitual polémica começou mais cedo, já que, desta feita, a pré-Convocatória foi divulgada pouco menos de uma semana antes da Lista Final. Jogadores como Carlos Mané, Adrien e Cédric foram já excluídos desta primeira Escolha, ao passo que jogadores como André Gomes e Ivan Cavaleiro, que tanto quanto sei jogaram pouquíssimas vezes pelo Benfica esta temporada, foram incluídos na Lista. Ninguém é capaz de compreender tais opções, nem mesmo eu, que nestas coisas, como sabem, tenho sempre muito boa vontade, até demais por vezes. A diferença deste ano em relação a campeonatos anteriores é que, por desde o Euro 2012 andar a acompanhar o futebol de clubes mais de perto, tenho uma ideia mais clara de quem, na minha opinião, merece ser Convocado ou excluído. Admito que não sou cem por cento isenta, à semelhança da maioria das pessoas - afinal de contas, tenho uma sportinguista ferrenha em casa - mas até adeptos de outros clubes contestam a exclusão de, pelo menos, Adrien. Ele e Cédric foram titulares de forma quase constante ao longo da época pelo seu clube, que até não se saiu mal este ano, tendo contribuído mais para o sucesso dele que, por exemplo, André Gomes, André Almeida e Ivan Cavaleiro contribuíram para a bela época que o Benfica fez. E se Ivan Cavaleiro até teve bons momentos - ainda assim, na minha modesta opinião, insuficientes para determinar que ele merece ir ao Mundial - e André Almeida até jogou na reta final do Apuramento, não me recordo de nada particularmente positivo sobre André Gomes, pelo menos não ao ponto de o incluírem na Convocatória. Aliás, durante a final da Liga Europa, não o vi dar uma para a caixa, antes pelo contrário, fartava-se de perder bolas comprometedoras.

Paulo Bento falou, em entrevistas recentes, de jogadores que poderiam ser excluídos por não se encaixarem no plano que ele tem traçado para a Seleção, ou por ele considerar que não têm perfil para vestirem as Quinas. Em contrapartida, referiu também jogadores que se saem melhor pela Seleção do que pelos clubes - não é difícil pensar em exemplos. No entanto, tanto Cédric como Adrien apenas foram Convocados uma vez e, se não estou errada, apenas para substituir habituais titulares ausentes por lesão. Não chegaram a ser utilizados, sequer. Como é que Paulo Bento conseguiu, desta forma, recolher dados suficientes para concluir que estes jogadores não tinham perfil para a Seleção?

A única explicação que me ocorre é André Gomes, Almeida e Cavaleiro já terem percurso nas seleções de formação, percurso esse que Paulo Bento, às tantas, considerou mais relevante que o desempenho de Cédric, Adrien e, também, o guarda-redes Ricardo da Académica - um critério discutível. Até porque o percurso dos rejeitados não deve ser assim tão diferente. Eu não quero entrar no campo das teorias da conspiração, como as que dizem respeito a um qualquer ressentimento de Paulo Bento contra o Sporting ou a um conluio com Jorge Mendes. No entanto, não deixo de achar que o Selecionador deve uma explicação. Estou certa, até, que lha vão pedir (se não exigirem) já no Anúncio dos Convocados.


Por outro lado, admito que, independentemente dos muitos sites por aí que nos permitem brincar aos Selecionadores e fazermos as nossas próprias Listas de Convocados, nenhum de nós é Paulo Bento. Nenhum de nós, tirando evidentemente o resto da equipa técnica, conhece os jogadores, o funcionamento das Seleções - tanto a principal com as de formação - como ele. Nenhum de nós conhece a forma como ele pretende abordar o Mundial. Mesmo com as minhas dúvidas e as de toda a gente, perfeitamente legítimas, acredito que o Selecionador saberá usar os jogadores que escolheu, saberá extrair o melhor de cada um e colocá-lo ao serviço da Seleção, de modo a que façamos um bom Mundial. Nem sequer sabemos quais dos trinta pré-Convocados sobreviverão até à Convocatória. Contestação existiria sempre, em maior ou menor grau, independentemente da Lista Final. De outra forma, eu não teria nada sobre que escrever na entrada pós-Convocatória - e já me preocupa que a polémica esteja a ocorrer agora, antes do Anúncio dos Convocados. Podem existir por aí muitos fanáticos do Sporting a dizer que, por causa disto, não vão torcer pela Turma das Quinas. Eu sei que, caso o Mundial corra bem, muitos deles, se não todos, esquecerão tais promessas e juntar-se-ão à alegria coletiva.

Não adianta concentrarmo-nos demasiado nestes aspetos, nas comparações com as seleções do passado - afinal de contas, o slogan escolhido para o autocarro da Equipa de Todos Nós diz precisamente que "O passado é história, o futuro é a vitória." - nos jogadores que estarão ou não na Convocatória. Interessa concentrarmo-nos no presente, no momento, empenharmo-nos em fazer o melhor Mundial possível, em escrevermos novas páginas da História do futebol português. Por muitas dúvidas que tenha, nenhuma delas mancha a felicidade que sinto por, tirando a final da Liga dos Campeões, a temporada clubística ter finalmente terminado (só aguento o futebol de clubes até certo ponto, as clubites continuam a irritar-me) e a a preparação do Campeonato do Mundo estar prestes a começar. Estou ansiosa por tudo o que aí vem - os Convocados, o estágio de preparação, com as respetivas notícias, fotografias, eventuais publicações nas redes sociais por parte dos Marmanjos, os particulares preparatórios, a cobertura mediática, as campanhas publicitárias e, claro, os jogos "a sério" - e por escrever sobre isso aqui no blogue. Ou seja, por tudo o que está ligado àquela que é a festa suprema do futebol e por deixar aqui o meu testemunho daquilo que se espera ser uma épica aventura. Que começa já amanhã.