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O Meu Clube É a Seleção!

Os pensamentos de uma simples adepta da Seleção Nacional, que não percebe assim tanto de futebol mas que é completamente maluca pela Equipa de Todos Nós.

Portugal 3 Azerbaijão 0 - Vitória + exibição = Boa noite de Seleção

Na passada terça-feira, dia 11 de setembro, a Seleção Portuguesa de Futebol recebeu no Estádio Axa, em Braga, a sua congénere azeri. Foi um jogo a contar para a Qualificação para o Campeonato do Mundo em Futebol, que se realizará em 2014 no Brasil, que a Seleção levou de vencida por três golos sem resposta.

Vi este jogo na sua totalidade acompanhada pela minha irmã mais nova, como já se tornou hábito. As suas tiradas, de um humor entre o de menina reguila e de dondoca, dão sempre uma outra graça a tudo. No início, ela disse-me que a Seleção nunca havia ganho naquele estádio. O meu irmão, prático, fez-lhe ver que existem muitos estádios no planeta que nunca albergaram uma vitória portuguesa. E este era apenas o terceiro jogo da seleção naquela arena.

No entanto, mentiria se dissesse que a ideia da maldição do Estádio de Braga, o espectro do empate frente à Albânia há quatro anos naquele palco nunca me passaram pela mente durante os noventa minutos do jogo.

A Seleção entrou e campo com uma atitude completamente diferente com que abordara o jogo de sexta-feira. Este encontro foi de sentido único, disputando-se quase todo no meio campo azeri. A baliza dos nossos adversários esteve constantemente debaixo de fogo. No entanto, a bola teimava em não entrar.


Isto é já um problema crónico, um filme muito visto, protagonizado pela Equipa das Quinas: a finalização. João Moutinho, no final do jogo, falava em azar - mas eu também vi alguma aselhice na maneira como perdiam as bolas na grande área azeri. Algumas pareciam de propósito. A páginas tantas, a coisa torna-se psicológica, formando-se um ciclo vicioso. Não ajudava o facto de o guarda-redes azeri, depois de um frango no último jogo da sua seleção, estar inspirado naquela noite. 

Há uns tempos, ouvi a minha irmã a reclamar a propósito do seu clube:

- Porque é que todos os guarda-redes fazem os jogos das vidas deles sempre que jogam contra o Sporting?

Podia-se perfeitamente reformular essa pergunta, desta feita, para a Seleção. No entanto, pior do que o guarda-redes, era o poste.


Se não se justifica falar de uma maldição do Estádio Axa, o caso muda de figura no que toca aos ferros das balizas. Só neste jogo, enviámos umas seis ou sete bolas ao poste. Já na sexta-feira, tinham ido duas ou três. E isto já vem desde o Europeu. Não percebo o que é que existe entre a Seleção e a trave para os Marmanjos estarem constantemente a enviar-lhes as bolas... Não parece ser um relacionamento saudável, como dizia a Ana, uma das minhas seguidoras no Twitter, a Turma das Quinas parecia gostar demasiado de dar boladas aos ferros...

- Juro-te, o poste é o melhor guarda-redes de sempre! - chegou a reclamar a minha irmã.

No intervalo, o Ronaldo chegou a ir até aos ferros, como que para se certificar de que não havia nenhum íman escondido que estivesse a atrair a bola. Mas talvez a melhor solução seja aquela que o Record sugeriu: ir à bruxa.

No meio de tudo isto, há que louvar a atitude dos jogadores. Apesar de exibirem, ocasionalmente, sinais de ansiedade - a certa altura o Ronaldo começou a rir-se após os remates falhados, como se tivesse chegado àquela fase em que se ria para não chorar - a equipa nunca perdeu o norte, todo e cada elemento - incluindo aqueles como o Nani que nem sequer estavam a ter um desempenho brilhante - se entregou competamente ao longo de todos os noventa minutos de jogo.

Por outro lado, o que nos valeu foi o facto de o Azerbaijão não ter tido capacidade de tirar proveito da nossa falta de pontaria. Com outro adversário, a história seria diferente.


O momento alto do jogo foi a substituição de Miguel Veloso por Varela, aos sessenta e poucos minutos de jogo, seguida, ainda nem um minuto havia passado, do primeiro golo do encontro, marcado pelo homem que acabara de entrar. Mais uma vez, Varela fez de bombeiro da Seleção, de Salvador da Pátria, depois daquele inesquecível golo frente à Dinamarca. Não quero comparar as circunstâncias em que se marcaram os dois mais recentes golos do Marmanjo envergando a camisola das Quinas, mas ambos foram celebrados intensamente, com um misto de alívio e júbilo.

Este golo deu à equipa a confiança necessária para, mais uma vez, tal como disse a Ana, deixar os postes em paz e dilatar ainda mais a vantagem O primeiro a fazê-lo foi, mais uma vez, o Hélder Postiga, após uma bela assistência de Cristiano Ronaldo.


Tal como já tinha escrito no outro dia, parece que os jornais já perceberam, finalmente, que o Hélder até é bom jogador. Hoje assinalaram que o ponta-de-lança já tem uma média de golos superior à do Ronaldo - tal como já eu tinha dito antes do Europeu. Ainda ontem, no início do jogo, o meu irmão perguntava como é que ainda deixavam o Postiga jogar.

- Ui, agora irritaste a Sofia - comentou a minha irmã, divertida.

No entanto, engoli a irritação e nada disse. O Hélder falou por mim ao marcar o golo. Depois de o celebrar, virei-me para o meu irmão e perguntei-lhe.

- Que 'tavas a dizer sobre o Postiga?

Deste modo, neste momento, depois de muito ter defendido o Hélder, no blogue, no Facebook, na televisão, cada golo dele com a camisola das Quinas ganha um sabor especial, é uma prova de que tenho razão. 

Mas também, se formos por aí, cada golo que a Equipa de Todos Nós marca também é uma prova de que tenho razão, de que faço bem em apoiá-los incondicionalmente.


O golo de Bruno Alves - que já tinha marcado no último jogo frente ao Azerbaijão - surgiu três minutos mais tarde, quase sem darmos por ele, selando o resultado. Quando o árbitro apitou três vezes, fiquei com pena pois até estava a gostar do jogo.

Como podem calcular, fiquei satisfeita. Foi uma boa noite para a Turma das Quinas. Portugal amealhou mais três pontos, totalizando seis, neste momento, e fez uma exibição globalmente positiva, tirando os problemas na finalização. Gostei sobretudo do facto de a Seleção ter melhorado de um jogo para o outro. Daqui a um mês, enfrentaremos a Rússia, a nossa principal adversária neste Apuramento. Como quero que Portugal volte a amealhar seis pontos nessa dupla jornada, espero que a Equipa das Quinas esteja ainda melhor nessa altura, que continue a crescer à medida que a Qualificação avança.


Paulo Bento fez questão de abrir a Conferência de Imprensa que se seguiu ao jogo agradecendo ao público por, numa altura em que as coisas parecem cada vez piores a nível sócioeconómico, por terem vindo ao estádio. Fica bem o agradecimento. Há que, de facto, elogiar o público que foi impecável: puxando pela Seleção durante praticamente todo o jogo, sendo paciente perante os inúmeros ataques falhados. E a Seleção até retribuiu bem o apoio que lhe foi dado.

Cada vez mais pessoas, começando pelas trinta mil que foram ver este jogo, começam a aprender aquilo que já sei há, pelo menos, dois anos: neste momento, a Equipa de Todos Nós é a única instituição neste País que cumpre as promessas que faz, que retribui aquilo que recebe da nossa parte, que nos oferece consolo e alegria. Não resolve a crise, ao contrário do que o Onze Por Todos insinuava, mas dá-nos alguma força para lidarmos com ela. Eu própria tenho tido alguns dias complicados ultimamente. No entanto, agora, este tão desejado bom arranque de Qualificação, a expectativa dos próximos jogos, ajudar-me-ão a não ter medo do que aí vem. E estou certa de que também ajudará outras pessoas. É a conversa do costume, que tenho vindo a repetir desde há dois anos a esta parte. Espero que a Seleção continue a dar-me motivos para repetir estas palavras de esperança outra e outra vez.

Luxemburgo 1 Portugal 2 - Não havia necessidade

Na passada sexta-feira, dia 7 de setembro, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere luxemburguesa por dias bolas a uma, naquele que foi o seu primeiro jogo da fase de Qualificação para o Mundial de 2014, que terá lugar no Brasil.

Estava praticamente toda a gente - eu incluída - à espera de uma vitória fácil e esmagadora. Mesmo que a Seleção não tivesse um desempenho brilhante, em princípio, a vitória chegaria sem dificuldades de maior. Não foi isso que aconteceu naquela noite.

Paulo Bento afirmara que a Seleção enfrentaria este jogo como se estivesse na fase final do Europeu. E, de facto, a maneira como entraram no jogo - lentos, desorganizados, trapalhões - lembrava-me o início dos jogos contra a Dinamarca e a Holanda. Acabou por não surpreender muito o golo do Luxemburgo - mas não deixou de ser um balde de água fira, cujo efeito nem sequer foi atenuado pelo calor que tem deito nestes dias. Dei por mim mordiscando o meu velho boné com os nervos, vendo a Seleção debatendo-se perante uma equipa na qual só jogavam três profissionais. Chegava a adquirir contornos caricatos, ridículos. Um dos jogadores é vereador. O Daniel da Mota, o luso-descendente que nos marcou o golo, trabalha num escritório durante o dia e só treina à noite. O guarda-redes é supervisor de um pavilhão desportivo ou algo do género. Havia momentos em que não sabia se devia rir ou chorar.



O golo de Cristiano Ronaldo aliviou um bocadinho os nervos. Curiosamente o abraço que trocou com o Hélder Postiga fez-me recordar o primeiro golo do jogo do ano passado, frente ao mesmo adversário. Nesse encontro, tinha sido o Hélder a marcar primeiro mas ele e o Ronaldo também se abraçaram. Fiquei com a ideia de que, em circunstâncias normais, o madeirense não festejaria um golo de empate mas, depois da polémica dos últimos dias, fez questão de agitar o punho em sinal de triunfo. E pronto, já toda a gente diz que ele está feliz de novo. 

Apesar dos golos, o ritmo do jogo manteve-se praticamente inalterado. Só depois da segunda parte é que os Marmanjos pareceram acordar para a vida: o golo do Hélder Postiga - executado de forma soberba - não surpreendeu.


Eu acho graça ao facto de só depois de o Hélder marcar é que as pessoas se recordam de todas as vezes que o ponta-de-lança já marcou pela Seleção, muitas vezes salvando-nos o couro - como, por exemplo, no Euro 2004, frente à Inglaterra. E anteontem. Ainda ontem, no Record, vieram falar da sua média de golos por jogo. Ninguém se recorda disso quando meia opinião pública contesta a sua Convocatória, quando os comentadores se queixam da falta de pontas-de-lança. Admito que o Postiga já fez os trinta, logo, já não lhe restam muitos anos de carreira, sendo, por essas e por outras, importante apostar em jovens como o Nélson Oliveira. No entanto, gostava que se desse mais valor àquilo que o Hélder faz pela Seleção.

Esperava-se que, depois deste golo, ficasse mais fácil marcar mais um ou dois tentos. No entanto, a Seleção continuava lenta e os luxemburgueses recusavam-se a render-se. Cheguei a uma altura em que só pedia para manterem o resultado - não me surpreenderia se a coisa ficasse, de novo, empatada.

Felizmente, tal não aconteceu. A Seleção conseguiu amealhar três pontos.


Fiquei bastante mais satisfeita com o resultado do que com a exibição. Não percebo como é que os luxemburgueses nos foram criar tantas dificuldades... Talvez seja como disse o Hélder, talvez já não existam adversários fáceis. Ou talvez, pura e simplesmente, não tenham levado o Luxemburgo a sério, apesar da promessa de Paulo Bento.

No entanto, três pontos são três pontos. Não me esqueci do que aconteceu há dois anos - ainda que, na altura, tivessem a desculpa do caso Queiroz. E também já tivemos uma dose exagerada de jogos em que dominámos em praticamente tudo exceto no marcador. Toda a gente prefere jogar mal mas ganhar, em vez do contrário. Não estou demasiado preocupada pois sei perfeitamente que a Seleção sabe jogar bem melhor do que isto, quando está para aí virada. Mas porque é que tivemos de sofrer tanto? Como dizia o outro, não havia necessidade...

Não é fácil ser adepto incondicional da Seleção...


Este jogo assemelhou-se imenso ao jogo com o Liechtenstein, em outubro de 2005, um a que fui assistir no Estádio de Aveiro. Também nesse começámos por estar a perder contra uma seleção amadora - acho que nunca me vou esquecer do velhotezinho isolado, apoiante do Liechtenstein, comemorando o golo - e vimo-nos gregos para virar o resultado. Tanto nesse jogo como neste, o mais importante foram os três pontos. A diferença é que, neste, foram os primeiros pontos a serem amealhados nesta fase de Qualificação. No jogo de 2005, os três pontos selaram-nos a Qualificação para o Mundial 2006.

Agora, tal como fiz em 2005, vou concentrar-me no lado positivo deste jogo, os três pontos amealhados. No entanto, estes não são suficientes para obtermos o bom arranque de Apuramento que desejo. Ainda falta ganhar ao Azerbaijão. Convinha jogar melhor do que se jogou na sexta-feira. O desempenho frente ao Luxemburgo foi suficiente para vencermos o Luxemburgo mas tenho medo que não seja suficiente frente aos azeris.

O que eu desejava mesmo era uma Qualificação imaculada, só com vitórias, como as últimas da Espanha. Mas o melhor é sempre encarar a viagem passo a passo, jogo a jogo. Para já, espero que Portugal ganhe o próximo, que dê mais um passo em direção ao Brasil. Que a viagem apenas acaba de começar.

Terapia das Quinas

Nos últimos dois dias, Cristiano Ronaldo tem sido protagonista de muitas capas de jornais, muitas notícias, muitas declarações, enfim, de toda uma polémica, daquelas bem sumarentas. Tudo isto consequência de umas declarações, após um desafio da Liga Espanhola que opôs o Real Madrid ao Granada, nas quais o jogador afirmou estar "triste".

De repente, transformámo-nos todos em psicólogos, tentando diagnosticar as causas desta tristeza do madeirense. Junto-me, por este meio, a essa onda. Analisemos então este assunto que, suspeito, tão cedo não sairá dos destaques do mundo desportivo.

Eu e a minha irmã, por acaso, assistimos a parte do tal jogo em que Ronaldo bisou mas não festejou. Por acaso, foi na altura em que publicava a entrada anterior do blogue, logo, não estava a prestar muita atenção. A minha irmã é que me disse que, depois de o madeirense ser substituído, parecia estar quase a chorar.

Tal situação recordou-me as lágrimas do Cristiano no Portugal-Holanda do Mundial 2006 aquando, igualmente, de uma lesão. Mostrei o vídeo desse momento à minha irmã e mostro igualmente aqui. Expliquei-lhe que as lágrimas se deviam, pura e simplesmente, a não poder jogar. Mas já volto a esse assunto.


Ainda antes de sabermos das declarações de Ronaldo, já nessa noite a minha mãe comentou que ele, de facto, parecia triste. No entanto, não deixei de ser apanhada de surpresa quando, na manhã seguinte, a minha irmã me disse que o Cristiano queria sair do Real Madrid.

Não demorei muito a ficar a par do que se passava realmente: o Ronaldo não dissera que queria sair do Real Madrid, apenas dissera estar triste. Desde essa altura, tenho, à semelhança de muita gente, interrogado-me sobre os motivos desta infelicidade do Cristiano.

Uma das hipóteses é tudo isto ser, pura e simplesmente, uma birra, um amuo, uma chamada de atenção. A minha irmã chegou mesmo a alegar que ele está "naquela altura do mês" - neste momento, é a piada preferida dela. Sei por experiência própria que essa altura é complicada, de facto, mas tenho um feeling de que não é disso que se trata.

Outra hipótese era um possível desentendimento com Mourinho e/ou com colegas de equipa. Contudo, esta foi depressa posta de parte pois Mourinho mostrou-se surpreendido com estas delcarações do madeirense. Além disso, já vários jogadores merengues vieram manifestar solidariedade para com o colega. Mesmo que estes últimos nada tivessem dito, o Cristiano não parece ser do género de ter zangas com companheiros de balneário, antes pelo contrário.


Há quem diga que ele está de mau humor por não ter ganho o prémio FIFA de Melhor Jogador do Ano. O Cristiano desmentiu logo esta teoria e, mesmo que não o tivesse feito, também não ia nessa. Não foi a primeira vez que o madeirense perdeu um prémio destes para outro jogador, ele deve saber lidar com isso. Se não sabe, já devia ter aprendido há muito tempo.

Uma das hipóteses mais faladas era isto ser uma tentativa de cravar um aumento. Muito se tem falado do Imposto Beckham ou lá o que é. Como seria de esperar, já li algumas opiniões ressentidas - eufemismo! - as redes sociais a propósito desta hipótese. A mim, custava-me a acreditar. Ele já é um dos jogadores mais bem pagos do Planeta, por amor de Deus! Será assim tão essencial receber ainda mais uns milhões? Será que estaria como o outro, será que o seu atual ordenado não lhe chega para as despesas? Não acreditava nisso, não queria acreditar nisso. A ser verdade, se ele tivesse criado toda esta confusão, perturbando o estágio da Equipa das Quinas, por dinheiro, o Cristiano desceria consideravelmente na minha consideração.

Como tal, fiquei satisfeita com a sua publicação no Facebook na qual afirmava que aquilo não tinha a ver com o dinheiro e exprimia a sua dedicação ao Real Madrid.

A hipótese que me parece mais provável é de que Ronaldo não se sente devidamente apoiado pelos dirigentes do seu clube. Ouvi mesmo um par de jornalistas espanhóis afirmarem que isto se trata, não de um desabafo espontâneo ma sim de algo ponderado, de um último recurso, de modo a que o clube o oiça.

Enfim, isto sou eu, somos todos nós a especular. Nenhum de nós sabe a verdade. Em todo o caso, o Cristiano deu a entender que tenciona explicar tudo isto, eventualmente.


Tenho acompanhado a carreira de Cristiano Ronaldo desde os seus tempos no Sporting, ou seja, há cerca de dez anos. Ele tem os seus defeitos, muitas vezes toma atitudes que não compreendo e/ou não aprovo. No entanto, existe muito nele que eu admiro. Ele agora é uma superestrela milionária mas foi ele mesmo que o construiu de raiz. Em criança, não tinha onde cair morto. Aos onze anos, veio sozinho para o continente, deixando a família para trás. Ao longo de anos, fez horas extraordinárias nos treinos, querendo sempre tornar-se ainda melhor do que já era. Orgulhamo-nos do facto de ele ser português mas, na verdade, Ronaldo pouco tem a ver com a mentalidade do nosso País - preguiçoso, invejoso, lamuriento, culpando todos menos ele próprio. O Cristiano nada tem a ver com isto, é um lutador, sempre o foi, se mais portugueses fossem como ele talvez não estivéssemos onde estamos agora.

Claro que ajuda sempre o facto de ele fazer o que gosta - nem todos têm esse privilégio. É outra coisa que admiro nele: a sua paixão, o facto de ele gostar de jogar futebol por jogar. Foi isso que disse à minha irmã quando ela estranhou o facto de o Cristiano ter chorado no jogo com a Holanda quando Portugal até estava a ganhar.

É por estas e por outras que Cristiano Ronaldo, para mim, é e sempre será, até mesmo depois de se retirar do futebol, o Melhor do Mundo. Como já disse em cima, mesmo que não goste de tudo o que ele faz - ainda não sei se inclua esta polémica na lista - apoiá-lo-ei sempre. Existem muitos miúdos a idolatrá-lo, a quererem ser como ele, a serem grandes jogadores de futebol como ele. Eu, contudo, aconselhar-lhos-ia a serem como ele, não no sentido futebolístico, mas no sentido de serem trabalhadores, lutadores, no que toca  aos seus próprios sonhos, às suas próprias paixões, estejam estas relacionadas com o desporto, a música ou a Medicina. 



No que toca a esta questão em específico, quer isto se trate de coisa de puto mimado ou de algo a sério, se pudesse dar um conselho ao Cristiano, dir-lhe-ia para fazer como eu: para procurar consolo na Seleção, a seguir a Terapia das Quinas. Não será muito difícil, com o bom ambiente que, ao que parece, já é característico da Equipa de Todos Nós. Dir-lhe-ia também para se vingar dando o seu melhor nos treinos e em campo, quer no Real, quer na Turma das Quinas. Tendo em conta a dedicação de Ronaldo ao seu clube, estou certa que cedo arranjará uma maneira de resolver esta situação. Para já, espero que dê uma alegria, por pequena que seja, tanto a si como a todos os portugueses, ao ajudar a Seleção Nacional a levar de vencida os dois primeiros jogos da Qualificação para o Mundial do Brasil.

"Somos favoritos mas temos de prová-lo"

No próximo dia 7 de setembro, a Seleção Portuguesa de Futebol defrontará, no Luxemburgo, a seleção local. Quatro dias mais tarde, receberá em Braga a sua congénere azeri. Ambos os jogos contarão para o Apuramento para a fase final do Campeonato do Mundo em futebol que terá lugar no Brasil em 2014.

Ao contrário do que aconteceu nos últimos dois anos, desta feita poderei ver os dois jogos de setembro. Mesmo assim, estava a passar férias no Norte na altura da Divulgação dos Convocados, o que atrasou um pouco - mas não tanto como receei - a publicação desta entrada. Felizmente, pude acompanhar a Conferência de Imprensa. Aliás, o intervalo de tempo entre o meio-dia e a uma da tarde da passada sexta-feira acabou por ser algo marcante, não só para mim, mas para a minha irmã também.

Não sei se já o revelei aqui mas ultimamente a minha irmã tem andado muito ferrenha pelo Sporting. Esta sua "doença", como o meu pai gosta de chamar, assemelha-se um pouco à minha doença pela Seleção na medida em que também ela está, quase instintivamente, a par de quase tudo o que acontece relacionado com o seu clube: jogadores, datas de jogos, adversários, declarações. A diferença reside no facto de a minha doença só desenvolver sintomas quando a Seleção joga - ou seja, durante apenas alguns dias, com semanas de intervalo. Excepto, claro, durante as fases finais - durante o resto do tempo mantém-se em latência. O Sporting joga todas as semanas. Façam as contas.

Mas regressemos a sexta-feira, ao meio-dia. A essa hora, tanto eu como a minha irmã queríamos ter o rádio ligado uma vez que se realizava tanto o Anúncio dos Convocados como o sorteio da fase de grupos da Liga Europa. Não que fizesse assim tanta questão de acompanhar o anúncio em direto. Suspeitava que a convocatória poucas novidades traria e que as respostas de Paulo Bento às perguntas dos jornalistas seriam previsíveis. Mas já que o rádio estaria ligado e como queria começar a alinhavar uma entrada nova, aproveitei.



A Antena 1 interrompeu a emissão em direto do sorteio da Liga Europa - numa altura em que já se conheciam dois dos futuros adversários do Sporting. Não me lembro quais são eles; apenas me dou ao trabalho de memorizar as coisas da Seleção e não me apetece ir agora perguntar à minha irmã - para transmitir a divulgação dos Convocados. Por brincadeira, eu e a minha irmã pusémo-nos a dizer "Iééé!" depois de cada nome lido. Acabou por acontecer uma coisa engraçada:

- Hélder Postiga.

- Iéééé!

- Nani.

- Iéééé!

- Pizzi.

- Quem?

Como podem ver, não conhecíamos o jogador do Deportivo da Corunha aquando da Convocação. Confesso que ainda não sei muito, apenas que é avançado, transmontano - por acaso, da mesma região onde estive no fim de semana passado - e tem quase vinte e três anos. Contudo, se começar a ser Chamado com frequência à Turma das Quinas, aprenderei depressa.



O estágio para a preparação desta jornada dupla arrancou segunda-feira, em Óbidos. Estes são adversários relativamente conhecidos da Seleção Portuguesa. Já jogámos com o Luxemburgo no ano passado. E o Azerbaijão fazia parte do grupo de Apuramento para o Euro 2008. 

Lembrava-me que o jogo com o Azerbaijão em outubro de 2006 me deixara satisfeita, que o Cristiano Ronaldo fizera uma bela exibição. Mas só me recordei dos pormenores depois de ter revisto o resumo do jogo: ganhámos por 3-0, com dois golos de Ronaldo, uma assistência do mesmo e ainda um pontapé de bicicleta mal anulado por um árbitro inglês - ainda deviam estar com o cartão vermelho a Wayne Rooney nos quartos-de-final do Mundial atravessado na garganta...



Do jogo do ano seguinte, só me lembrava de termos ganho. Depois de ver o vídeo-resumo, recordei-me que a vitória foi por duas bolas sem resposta, uma marcada por Bruno Alves depois de um canto de Deco, a outra marcada por Hugo Almeida assistido por Miguel.

Um aparte apenas para dar graças pelo facto de o Miguel Veloso já não usar o cabelo comprido como usava em 2007. Já me tinha esquecido deste penteado tão totó... Pode haver quem também não goste do atual penteado mas eu prefiro este mil vezes. 

De certa forma, calha bem os nossos dois primeiros adversários serem os mais acessíveis teoricamente neste grupo de Qualificação, numa altura em que a temporada futebolística ainda mal arrancou e nem todos os jogadores estão na sua melhor forma. 

As declarações de Paulo Bento após a leitura dos Convocados, tal como o previsto, não trouxeram nada de novo. Já não era a primeira vez que o Selecionador afirmava que levaria a sério todo e qualquer adversário que se cruzasse no caminho da Equipa das Quinas e que está empenhado em obter a qualificação direta para o Mundial. Tal começa por amealharmos seis pontos nesta primeira dupla jornada. Não penso que seja pedir muito, até porque, tal como afirmei acima, estes são os adversários mais "fáceis" desta Qualificação. Já tivemos a nossa dose de maus arranques nos últimos anos, queremos uma fase de Apuramento bem mais tranquila que as três últimas. Julgo que temos condições para isso, mesmo que nem sempre dê para fazer exibições brilhantes. 

Paulo Bento é que resumiu bem a questão na passada sexta-feira:

- Somos favoritos mais temos de prová-lo.

Agora que se passe das palavras aos atos.