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O Meu Clube É a Seleção!

Os pensamentos de uma simples adepta da Seleção Nacional, que não percebe assim tanto de futebol mas que é completamente maluca pela Equipa de Todos Nós.

Portugal 2 Finlândia 0 - Cada vez menos impossível

A Selecção Portuguesa recebeu na passada Terça-feira, à noite, no Estádio de Aveiro, a Finlândia, num jogo de carácter amigável e venceu-a por dois golos sem resposta, marcados pelo estreante Rúben Micael.

Desta vez consegui ver o jogo do princípio ao fim. E valeu a pena. Tivemos a nossa primeira vitória do ano. A Selecção jogou acima da média no que toca a jogos particulares, tendo em conta, sobretudo, que Paulo Bento efectuou variadas alterações à equipa habitual.

A verdade é que a Finlândia também não fez muito pela vida. Eu tinha a ideia, pelas dores de cabeça que nos deram na qualificação para o Euro 2008 e por a termos vencido por muito pouco da última vez que jogámos contra a equipa nórdica, de que eles seriam um adversário razoavelmente forte. Mais forte do que foram, pelo menos...  Aquela coisa que eu disse no outro dia, de este jogo ser um ensaio geral, no fim de contas... Só com muita sorte é que a Noruega nos facilita a vida daquela maneira!

Em todo o caso, não há nada a criticar na entrega dos jogadores portugueses. Estiveram praticamente todos bem. Os maiores problemas surgiram mesmo na hora de atirar à baliza - eles falhavam cada uma... Podíamos ter marcado uns quantos. Não sei se foi apenas uma noite má ou se existem motivos para preocupação. Há que dar os parabéns ao Rúben, que não podia ter pedido uma melhor estreia na Selecção, tendo em conta, sobretudo, o facto de ele não ser titular no seu clube. Parece que ele marcou, até, um dos golos mais rápidos de sempre, no que toca aos jogos da Equipa de Todos Nós. A emoção estava bem patente na sua voz quando o entrevistaram depois do jogo. Tinha razões para isso. É mais um que pode vir a dar muito à Selecção.

Depois do jogo, estive a ouvir na rádio as entrevistas aos protagonistas e as análises do encontro. Os elogios que os locutores fizeram à Selecção - que está muito melhor desde que tem Paulo Bento no comando técnico, que tem garra, "identidade própria", espírito de equipa e que tem cada vez mais hipóteses de se qualificar - aquecem-me o coração, apesar de não serem inéditos. Sem alinhar em euforias - já acompanho a Selecção há tempo suficiente para manter os pés assentes na terra - esta vitória deu-me esperança. São estas pequenas coisas que vão tornando o sonho cada vez menos impossível. Eu nunca deixo de acreditar mas existe uma parte de mim que acha que já tivemos a nossa dose de triunfo para os próximos anos com o Euro 2004 e o Mundial 2006. Esta boa fase da Selecção faz-me questionar se terá de ser assim. Talvez tenhamos equipa para nos qualificarmos para o Europeu e para fazermos uma boa campanha na fase final. Temos cada vez mais razões para dizer "Porque não?".

Mas isto sou eu a sonhar, a divagar. Não nos precipitemos. Neste momento, temos de pensar passo a passo, jogo a jogo. E o nosso próximo desafio será frente à Noruega, dia 4 de Junho, no Estádio da Luz. Sei que, anteriormente, revelei ter dúvidas mas agora acredito (acho que nunca deixei de acreditar) que a determinação em nos qualificarmos será mais forte do que o cansaço de final de época. Acredito que venceremos os noruegueses, que chegaremos ao primeiro lugar e que daremos um passo em direcção à Polónia e à Ucrânia. A Selecção representa uma luz, a única luz, num futuro cada vez mais negro. E cada vez teremos mais permissão para sonhar.

Portugal 1 Chile 1 - Cabeças noutro lugar

No Sábado passado, a Selecção Portuguesa de Futebol empatou a uma bola com a sua congénere chilena, num jogo de cariz particular. Os golos foram marcados por Varela (no caso de Portugal) e por Matías Fernández (no caso do Chile).

Começo a análise do encontro com uma confissão: não o acompanhei. Não o vi pela televisão, só liguei o rádio pontualmente, durante a segunda parte, apenas para ouvir o resultado. Estive a jantar com primos que raramente vejo e estava tão entusiasmada com a conversa que nunca mais me preocupei com o jogo.

Em minha defesa, alego que, segundo o que li e ouvi, os jogadores também não estavam muito concentrados no particular. Certamente, andavam mais preocupados com os respectivos clubes. A Comunicação Social, sobretudo a Desportiva, também andava mais interessada nas eleiçõe no Sporting - sobretudo depois daquilo ter dado para o torto. Em suma, estivemos todos com as cabeças noutro lugar que não o Estádio de Leiria.

É por isso que não censuro muito os Marmanjos pelo jogo fraquinho - assim, não perdi muito por não o ter visto. Parece que estes até entraram bem, que a primeira meia hora de jogo não foi má, mas depois disso não houve nem forças nem motivação para mais. O árbitro também não ajudou - passou o tempo todo a parar tudo por dá-cá-aquela-palha. Já se sabe que, excepto quando o adversário tm um nome sonante, tipo Espanha ou Argentina, é raro os jogadores darem o seu melhor quando é a feijões. Sobretudo nesta altura do campeonato - literalmente - em que já existe algum desgaste físico e se aproxima um período decisivo para os clubes.

Não, não são estes jogos particulares que me preocupam. O que me preocupa é que o nosso próximo jogo oficial é em Junho. No final da época. E se,nesta altura do campeonato, já há desgaste físico, em que estado estarão os Marmanjos quando jogarem com a Noruega?

Eu sei que um jogo a três pontos é diferete, sobretudo quando estes permitem aceder ao primeiro lugar agora que a Noruega e a Dinamarca empataram. É, sem dúvida estimulante. Mas e se uma época inteira pesar mais nas pernas dos jogadores do que a ambição da qualificação directa?

Eu continuo a ter fé. Continuo a acreditar. Nos jogadores e no Seleccionador. Continuo a acreditar que, de uma maneira ou de outra, havemos de consumar o regresso da Selecção aos bons resultados, depois do que aconteceu no Verão passado.

Uma vitória no jogo de amanhã, frente à FInlândia, também de cariz amigável, ajudaria a acreditar ainda mais. Esta Selecção é mais semelhante à Noruega, contra quem vamos jogar no dia 4 de Junho. De certa forma, será o ensaio geral antes de entrarmos em campo para lutar por três pontos e pelo primeiro lugar na tabela classificativa.

Este jogo é de carácter particular. O resultado é o menos importante, o que interessa é prepararmo-nos para a Noruega. Não é grave se não vencermos. Mas eu quero uma vitória. Quero ver a Selecção ganhar pela primeira vez este ano. Quero mais uma razão para acreditar que, apesar de tudo o que aconteceu, daqui a um ano estaremos a fazer planos para o Europeu de 2012, a realizar na Polónia e na Ucrânia.


P.S. Mil vezes enterrei este assunto, mil e uma vezes exumei-o. E começo a ficar farta. As recentes declarações de Carlos Queiroz versando Pepe revelaram ainda mais o péssimo carácter que o ex-Seleccionador possui. Eu compreendo que Queiroz, tal como disse Oceano, "durante meses foi muito injustiçado" e agora quer ripostar mas escolheu a vítima errada. Não que aquilo tenham sido coisas que se diga a qualquer um, mas Pepe apenas quis proteger a Selecção, Selecção essa que ainda está a lidar com as mazelas da confusão que ele ajudou a despoletar (quer tenha sido ou não contra o doping, ele insultou um ser humano, por amor de Deus!). O Professor perdeu outra oportunidade para ficar calado.
Agora espero sinceramente não ter de voltar a falar sobre este assunto. Espero-o há meses mas não tenho tipo grande sorte...

A única coisa boa

No próximo Sábado, dia 26 de Março, a Selecção Portuguesa de Futebol enfrenta a Chilena, em jogo de carácter preparatório. Três dias depois, enfrenta a Selecção Finlandesa, igualmente de forma amigável. Paulo Bento, o Seleccionador Nacional atribuiu importância extrema a estes dois encontros, visto que se tratam dos últimos antes da recepção à Noruega, que contará para a Qualificação para o Europeu de 2012. Além disso, como já foi assinalado, esta semana constitui o maior intervalo de tempo que a Selecção tem para treinar desde o início desta fase de qualificação.

Confesso que não sei muito sobre a Selecção no Chile. Só jogámos contra eles duas vezes. Curiosamente, foi a primeira equipa que Portugal defrontou oficialmente. Foi em 1928, nos Jogos Olímpicos de Amesterdão. A Selecção Nacional esteve a perder por duas bolas a zero, mas conseguiu virar o resultado e chegar ao apito final vencendo por 4-2! Bela estreia... Parece que foi mesmo a primeira reviravolta da História da Selecção. O nosso segundo jogo foi em 1972 e também vencemos. Desta feita, por 4-1.

Neste Sábado, as atenções também se encontrarão viradas para o embate que oporá a Dinamarca e a Noruega, os nossos maiores adversários na qualificação. Uma vitória da Dinamarca, que se encontra a três pontos da Noruega, líder da tabela, ser-nos-ia favorável, uma vez que ficaríamos dependentes de nós próprios na corrida pelo primeiro lugar e pela Qualificação directa. Não sei qual das duas selecções nórdicas será a favorita, mas já tivemos sorte anteriormente em situações semelhantes... Que seja o que Deus quiser, esta qualificação ainda vai a meio... Não vale a pena preocuparmo-nos com coisas que não podemos controlar.

No que toca à Selecção Portuguesa, existem umas quantas ausências por lesão, a mais significativa das quais Cristiano Ronaldo. Baixas nesta altura do campeonato não são muito graves - podem até constituir uma oportunidade para testar alternativas, sem pressão. E desde que, quando for a sério, estejam todos disponíveis...

A verdade é que estas vantagens não servem de consolação para Cristiano Ronaldo. O madeirense não escondeu a sua frustração por estar afastado dos relvados. Afirmou mesmo ter "a cabeça cheia por causa desta lesão". Vê-se à distância e a olho nu que este adora sinceramente o que faz, independentemente do seu salário astronómico. É raro encontrar jogadores tão apaixonados como ele.

Além disso, ele é um sortudo do catano por fazer aquilo que adora e receber absurdamente bem por isso.

Apesar daquilo que referi acima, apesar daquela máxima que diz que não-existem-jogadores-indispensáveis, Ronaldo... é Ronaldo. Não há volta a dar. Adaptando a frase-feita da moda: "A Selecção podia viver sem Ronaldo? Poder, podia. Mas não era a mesma coisa."

Entretanto, esta semana concluiu-se que, afinal, Carlos Queiroz não pretendia perturbar o controlo anti-doping durante o Estágio de Preparação do Mundial de 2010, na Covilhã. Demoraram  um ano a chegar a essa conclusão... e acho graça ter sido precisamente numa semana em que a Selecção está reunida! Pela primeira vez em quase dois meses! Queiroz já anda por aí criticando a torto e a direito e há quem lhe responda... Pepe já veio pedir ao ex-seleccionador para parar com isso, que destabiliza a Selecção. Eu pego no que ele disse e acrescento: todos os que provocaram esta situação deviam calar-se de vez, se é que têm um mínimo de respeito pela Equipa de Todos Nós! Foi ela quem mais sofreu com a confusão que eles criaram. Por causa deles estamos aqui a fazer figas para que a Dinamarca vença no Sábado, para conseguirmos limpar mais facilmente a porcaria que eles fizeram. Já dificilmente os perdoarei pelo que fizeram, eles que não piorem as coisas. E não quero falar mais deste assunto, que já me enervou o suficiente.

Também esta semana, faleceu Artur Agostinho, aos noventa anos. Não vou mentir, o senhor não me dizia por aí além. Ela um rosto simpático da televisão, colunista do Record, penso que, durante a preparação para o Mundial, foi dos poucos jornalistas a manifestar apoio incondicional à Selecção, apesar de ter criticado a Convocatória. Apesar disso, o seu desaparecimento perturbou-me. Suponho que seja típico do envelhecimento: pessoas que conhecemos vão-nos deixando...

Ao menos, Artur Agostinho foi devidamente homenageado enquanto vivo. Teve melhor sorte do que muitas personalidades, cujo mérito só foi reconhecido depois de morrerem...

Por outro lado, Agostinho deixa este mundo e um dia mais tarde, o Primeiro-Ministro pede a demissão. Não sei se ele também tinha este desejo, mas eu gostava se, quando morrer, o País já tivesse encontrado um rumo, depois de séculos e séculos sempre em crise, sempre vivendo acima das possibilidades, sem que ninguém conseguisse dar a volta ao texto. Mas isto sou eu a ser jovem, idealista, ingénua... Na verdade, estou seriamente desanimada com o estado das coisas.

Sei que já o referi várias vezes aqui no blogue, mas não me canso de repeti-lo: a Selecção é, provavelmente, a única coisa que funciona bem neste País. A única coisa que nos faz sorrir, ainda que por pouco tempo. A única coisa que nos orgulha de sermos portugueses. É por causa disso que escrevo este blogue: para, de certa forma, retribuir o que me é dado.

Por isso é que desejo que esta semana de estágio dê frutos. Para que possamos esperar, sem risco de sonhar demasiado alto, por algo de bom de futuro.