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O Meu Clube É a Seleção!

Os pensamentos de uma simples adepta da Seleção Nacional, que não percebe assim tanto de futebol mas que é completamente maluca pela Equipa de Todos Nós.

O Meu Clube É a Seleção!

Portugal 4 Letónia 1 - Dois minutos de susto

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No passado domingo, dia 13 de novembro, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere letã por quatro bolas a uma, no Estádio do Algarve, em jogo a contar para a Qualificação para o Campeonato do Mundo da Modalidade.

 

Olhando apenas para o resultado, ninguém diria que a Seleção Nacional se viu à rasca para ganhar à Letónia, em certos momentos. Ao contrário do que aconteceu nos dois jogos anteriores, Portugal não conseguiu marcar cedo e, como é frequentemente perante seleções como a letã, a coisa complicou-se. A primeira parte da Seleção foi sofrível, pastosa, fazendo lembrar vários jogos da Qualificação para o Euro 2016. A Letónia estacionara o autocarro frente à baliza e, ao contrário do que tinha acontecido com o português, este não tinha furos. O penálti, aldrabado por Nani, veio em boa hora - de outra maneira não íamos lá. Cristiano Ronaldo não desperdiçou. Mesmo assim, a vantagem no marcador não deu grande tranquilidade.

 

No início da segunda parte, pouca coisa mudou. A Seleção conseguiu cravar mais um penálti a seu favor, desta feita legítimo. Quando Ronaldo foi batê-lo, por acaso recordei-me de um jogo do Real Madrid, há tempos, em que ele tinha marcado um penálti e falhado outro. E, de facto, a história repetiu-se: a bola bateu primeiro no poste, depois no guarda-redes letão, e saiu para fora.

 

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Como qualquer adepto de futebol sabe, nestas situações, quem não marca, sofre. Numa altura em que Fernando Santos já tinha feito entrar Ricardo Quaresma, os defesas portugueses desentenderam-se e deixaram que Zjuzins rematasse para golo, conseguindo a igualdade.

 

O susto, felizmente, só durou um minuto ou dois. Logo de seguida, Quaresma assiste para a cabeça de William Carvalho, que remata para o seu primeiro golo com a Camisola das Quinas.

 

Só agora, no fim do jogo, é que os portugas acordavam para a vida - sobretudo depois da entrada de Gelson Martins. O Gelson é como a minha cadela, Jane: quando a solto para brincar com outros cães, ela dá-lhes energia, mete-os todos a correr. O Gelson faz o mesmo com os colegas de equipa, quando entra em campo.

 

Ainda houve tempo para Ronaldo se redimir do penálti falhado com um golo acrobático, após assistência, mais uma vez, de Quaresma. Mais tarde, seria Bruno Alves a marcar. É bem possível que a vantagem se dilatasse ainda mais se o jogo fosse mais comprido - de notar, aliás, que o árbitro escolheu terminar o encontro a meio de uma jogada de ataque de Quaresma. Não foi uma noite brilhante em termos de arbitragem.

 

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Em defesa dos jogadores, eles bem tinham passado a semana anterior a avisar que não ia ser fácil. Ao menos foram homenzinhos e, quando foi preciso, reagiram bem - algo que, conforme assinalaram aqui, é uma tradição do reinado de Fernando Santos. Por falar disso, este jogo lembrou-me vários outros, no Apuramento para o Euro 2016: exibições pouco entusiasmantes, Quaresma entra e ajuda a resolver com assistências. Isso não é uma crítica - conseguimos a nossa melhor Qualificação jogando assim. A diferença e que, agora, temos mais talento em campo, não nos limitamos a vitórias pela margem mínima - o que será importante para as contas do Apuramento.

 

Não houve brilhantismo mas o dever ficou comprido. Encerramos 2016 com uma vitória, tal como desejávamos.

 

Como já vai sendo hábito, esperam-nos, agora, mais de quatro meses sem jogos da Seleção. É muito tempo, muita coisa pode mudar até lá - no ano passado, por exemplo, foi tempo suficiente para promessas, como Gonçalo Guedes e Rúben Neves, perderem fulgor e para Renato Sanches surgir do nada  como o novo menino-bonito do futebol português.

 

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Este ano, porém, não me queixo muito - dá-me jeito uma pausa pois tenho sentido algum desgaste com este blogue. Por exemplo, demorei mais tempo do que o costume a escrever e publicar as duas crónicas anteriores a esta (fiz um esforço com este texto para não o arrastar demasiado). Não sei se é por andar com menos tempo para escrever, por estes jogos não serem assim tão interessantes, por o Euro 2016 ter esgotado toda a energia que costumo dedicar a este blogue. Em breve terei de começar a trabalhar na habitual revisão do ano (vai saber bem recapitular 2016) mas, depois disso, será bom não ter de escrever para este blogue durante uns tempos. É provável, no entanto, que daqui a uns dois ou três meses já ande doida com saudades da Seleção. Ao menos assim, quando estivermos em vésperas dos próximos jogos, saberei que recuperei a minha energia e estarei entusiasmada por votar escrever sobre a Equipa de Todos Nós.

 

Em todo o caso, a página do Facebook continuará no ativo durante estes meses, sempre atenta a tudo o que se relacione com a Seleção Nacional e com os seus jogadores. Não deixem de a visitar, se ainda não o fizeram.

 

Valores

 

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Na próximo domingo, dia 13 de novembro, a Seleção Portuguesa de Futebol receberá a sua congénere letã, no Estádio do Algarve, em jogo a contar para a Qualificação para o Campeonato do Mundo da modalidade.

 

Fernando Santos apresentou os Convocados para este jogo na semana passada. Não há novidades, tirando a Inclusão de Luís Neto para substituir o lesionado e castigado Pepe. João Moutinho também falhou a Convocatória por motivos físicos.

 

Não há assim muito a dizer sobre esta fase do campeonato. A Letónia ocupa o quinto lugar da tabela classificativa do grupo B, com a penas uma vitória (frente à Andorra). O nosso historial frente a esta seleção é exemplar: quatro jogos, quatro vitórias. Só me recordo dos dois mais recentes, durante a Qualificação para o Mundial 2006. O primeiro, em setembro de 2004, teve um momento engraçado, quando uma mulher em cuecas invadiu o jogo, durante a segunda parte. Até Luiz Felipe Scolari, o Selecionador Nacional na altura, se riu. Coincidência ou não, poucos minutos mais tarde, Portugal marcou os dois golos da vitória, quase de seguida: o primeiro de Cristiano Ronaldo, o segundo de Pedro Pauleta. Nada como uma mulher nua para dar inspiração...

 

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O segundo jogo, em outubro de 2005, o último desse Apuramento, serviu apenas para cumprir calendário - a Qualificação havia sido selada no jogo anterior, frente ao Liechtenstein. Portugal ganhou por três bolas sem resposta - duas de Pauleta, uma de Hugo Viana. Foi, aliás, neste jogo que Pauleta ultrapassou o recorde de Eusébio. O açoriano foi o melhor marcador de sempre pela Seleção durante oito anos e meio até Cristiano Ronaldo arrebatar-lhe esse recorde.

 

Com tudo isto em conta, é pouco provável que a Letónia nos coloque muitos problemas, para além do habitual "autocarro" à frente da baliza. Portugal continua obrigado a ganhar para se manter na luta pela primeira posição na tabela, ocupada pela Suíça. É pouco provável que os suíços escorreguem nesta jornada, pois vão jogar com as Ilhas Faroé, em casa, onde bastante fortes - nós mesmos pudemos comprová-lo. Não há volta a dar, acho que vamos andar colados aos calcanhares suíços até os reencontrarmos no último jogo de Qualificação. Quem nos mandou adormecer à sombra da Henry Delaunay?

 

Tirando esse deslize, estamos prestes a encerrar o nosso melhor ano em termos de Seleção. Sagrámo-nos Campeões Europeus em julho e continuamos a colher os frutos. Cristiano Ronaldo está entre os finalistas tanto da Bola de Ouro como do Melhor Jogador do Ano da FIFA (prémios que, a partir de este ano, deixaram de ser um só). Não que outra coisa fosse de esperar - Ronaldo é convidado recorrente na cerimónia anual da FIFA desde 2009. No entanto, esta nomeação tem um sabor que mais nenhuma outra tem: por ter sido à custa, pelo menos em parte, do primeiro título da Seleção Portuguesa.

 

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Título esse que também possibilitou a Pepe e... a Rui Patrício serem nomeados para a Bola de Ouro. Destaco a nomeação do guarda-redes português, pois eu não estava à espera. Não que ache que não seja merecida - bem pelo contrário. É a confirmação do estatuto de Rui Patrício como guarda-redes de classe mundial - algo que eu há muito que sei que ele é, sobretudo depois da final de Paris.

 

Por sua vez, a nomeação de Fernando Santos para Treinador do Ano da FIFA era algo em que eu pensava já poucas semanas após o Europeu. No entanto, achava pouco provável, demasiado bom para ser verdade. Mas não é. Fernando Santos está entre os nomeados e consta que tem boas hipóteses. O Selecionador diz que esta nomeação é produto do trabalho, não só dele, mas também de inúmeras outras pessoas na Federação Portuguesa de Futebol, começando pelo seu presidente, e também que é um prémio "dos portugueses" , que é mais um reflexo de Portugal se ter sagrado Campeão Europeu.

 

Até a campanha de marketing da Federação, com o slogan "Não somos 11, somos 11 milhões", lançada em vésperas do Euro 2016, está nomeada para um prémio da UEFA. Se o mereceu é questionável, na minha opinião - conforme escrevi na altura, eu gostei, mas faltou-lhe um bocadinho de subtileza em certos momentos, sobretudo no que diz respeito ao Tudo o Que Eu te Dou, Somos Portugal. No entanto, cumpriu o seu objetivo, Portugal ganhou o Euro 2016. Tudo acaba por desaguar no nosso primeiro título.

 

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Gosto, aliás, de pensar que este título acabou por contagiar os restantes escalões das seleções portuguesa e vice-versa - 2016 está a ser um ano excelente para a Federação. Destaco a Seleção Feminina, que se Apurou pela primeira vez para o Europeu. Tentarei acompanhar esse campeonato, no próximo ano - já devia ter alargado os meus horizontes e dado atenção ao futebol feminino há mais tempo.

 

Estas nomeações todas confirmam o bom período de que falei antes. Neste momento, o meu desejo é encerrar 2016 com chave de ouro: ou seja, uma vitória que nos mantenha presos aos calcanhares suíços e à luta pelo primeiro lugar. Tal como nos jogos anteriores, mesmo que os Marmanjos falem em possíveis dificuldades, a vitória está perfeitamente ao nosso alcance, não há desculpas. 

 

O mundo extra-futebol está a mudar e não para melhor. Nos últimos dias, tenho-me agarrado à Seleção para não sucumbir ao desespero e ao cinismo. Quem segue este blogue há uns anos já saberá que vejo a Equipa de Todos Nós como uma fonte de consolo e de esperança. Na verdade, tenho vindo a vê-la como mais do que isso.

 

Numa altura em que o racismo e a xenofobia se estão a tornar mais comuns, a Seleção Portuguesa representa um país, é certo, mas é constituída por jogadores de várias origens: de Portugal Continental, das Regiões Autónomas, das PALOPs, filhos de emigrantes em França e na Alemanha, o filho de um brasileiro, um brasileiro naturalizado português (mas que ama Portugal e a Camisola das Quinas mais do que, se calhar, muitos portugueses nascidos cá), um cigano. E, dentro da Seleção, ninguém tem problemas com isso, a cor da pele não é um fator. (Isto, para mim, é uma noção básica de civismo, algo que devia ser a norma. Mas, infelizmente, muitos não pensam assim.)

 

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Numa altura em que um medíocre, filho de milionários, sem experiência nenhuma como político, é eleito presidente dos Estados Unidos, os jogadores da Seleção Portuguesa chegaram a onde estão sem favores, por mérito próprio, por diversas vezes construíram a sua carreira do zero. O nosso melhor jogador podia nem sequer ter nascido, passou fome e frio em miúdo, saiu de casa sozinho aos onze anos e, desde essa altura até hoje, sempre trabalhou mais do que qualquer um para chegar a onde está. Ainda continua a fazê-lo, mesmo sabendo que muitos o consideram o Melhor do Mundo.

 

O autor do golo que nos deu o primeiro título cresceu como um órfão, num lar de acolhimento, e teve dificuldades em estabelecer uma carreira como futebolista (quando estava no 12º ano, treinava sozinho todas as noites, mesmo que fizesse frio ou chovesse). Até há bem pouco tempo, era desprezado pela massa adepta. Ele mesmo calou-os a todos com um golo para a eternidade. Outro jogador de destaque na Seleção afirmou mesmo, numa entrevista, que o futebol o salvou do crime, da droga, mesmo da more. Tudo o que eles têm hoje devem-no a eles mesmos.

 

Adicionalmente, já ficou mais do que provado que, como grupo, são exemplares, sobretudo como se viu no Europeu. Momentos como o Ronaldo chamando o João Moutinho para os penálties frente à Polónia; Bruno Alves indo ter com o Ronaldo, enquanto este era levado de maca para os balneários; este último andando entre os colegas entre os colegas antes do prolongamento e no intervalo deste para lhes dar força; dizendo ao Éder que ele marcaria o golo da vitória; mais tarde, já depois do golo, enviando Raphael Guerreiro de volta para o campo, depois de ele se ter magoado; oferecendo a Bota de Prata a Nani, já no fim do jogo. Juntem a isto os momentos de cumplicidade e brincadeira que vemos em quase todos os estágios, a recente troca de partidas entre Ronaldo e Quaresma

 

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Eu sei que parece estranho estar a falar disto agora, mas eu nunca precisei mais de fazê-lo. Numa altura em que, no outro lado do oceano, o medo, o ódio, o elitismo, a ignorância venceram, é mais urgente do que nunca agarrarmo-nos aos valores que os jogadores da Seleção seguem: respeito, cooperação, solidariedade, trabalho, fé, humildade, perseverança. Eu sei que isto é um bocadinho ingénuo mas, numa altura em que o futuro parece tão sombrio, preciso de algo, por pequeno e fútil que seja, que me faça acreditar nas melhores facetas da Humanidade. 

 

Felizmente, o futebol já começou a reagir ao que aconteceu e não desiludiu.

 

O tempo dirá quais serão as consequências dos eventos da semana que termina agora. Não me vou alongar mais sobre isso, que este é um blogue sobre futebol. Procuro sempre não perder a noção de que o futebol é apenas um desporto, um entretenimento. No entanto, acredito que se mais instituições funcionassem como a Seleção, se mais pessoas seguissem o exemplo dos nossos jogadores, o Mundo seria um lugar muito melhor.

À dúzia é mais barato

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Na passada sexta-feira, dia 7 de outubro, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere andorrenha por seis bolas sem resposta, num encontro que teve lugar no Estádio de Aveiro. Três dias depois, a Seleção Nacional deslocou-se às Ilhas Faroé, tendo vencido a seleção da casa pelo mesmo resultado, perfazendo um total de doze golos nesta dupla jornada (bem diz o povo, "à duzia é mais barato"). Ambos os encontros contaram para a Qualificação para o Campeonato do Mundo da modalidade.

 

Conforme escrevi na entrada anterior, os adversários desta dupla jornada eram pouco estimulantes, mas a Seleção Portuguesa levou ambos os jogos a sério. No jogo com a Andorra, para começar, Cristiano Ronaldo marcou dois golos logo nos primeiros três minutos - uma altura em que eu ainda nem estava bem em modo de jogo. O primeiro golo teve piada, pois Ronaldo tinha sido derrubado, estava provavelmente preparando-se para pedir penálti, mas ao ver o guarda-redes defendendo para a frente, levantou-se, rematou e marcou, como se nada fosse. No segundo golo, foi Ricardo Quaresma a assistir e Ronaldo a cabecear para a baliza. Dizem que foi o bis mais rápido de sempre na História da Seleção Nacional.

 

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Como acontece frequentemente quando uma vantagem é conquistada cedo, a Seleção adormeceu um bocadinho à sombra dela durante cerca de meia hora. Não que a Andorra tivesse pernas para se aproveitar disso. Assim, o 3-0 acabou por chegar pouco antes do intervalo, fruto de um remate rasante de João Cancelo.

 

A Seleção (que deve ter levado nas orelhas por Fernando Santos, ao intervalo) foi mais consistente na segunda parte. Poucos minutos após o regresso ao campo, André Silva assistiu para Cristiano Ronaldo, que rematou diretamente para as redes andorrenhas. O golo seguinte foi parecido - desta feita, foi executado após um desvio de José Fonte. Ronaldo fazia, assim, o seu primeiro póquer com a Camisola das Quinas (feito só antes conseguido por Eusébio, Nuno Gomes e Pauleta).

 

Depois desta, pareceu que os próprios companheiros de equipa quiseram ajudar Ronaldo a conquistar uma inédita mañita ao serviço da Seleção. No entanto, o Capitão começou a sentir dores e começou a recuar no campo, não fosse o Diabo tecê-las. Houve tempo, mesmo assim, para mais um golo, assinado por André Silva, perto do fim, após uma defesa incompleta do guarda-redes andorenho, na sequência de um livre.

 

No fim deste jogo, muitos diziam que Portugal devia ter marcado mais golos, já que o mais certo é continuarmos atrás da Suíça até ao fim da Qualificação. Quase todos temiam que as Ilhas Faroé nos pusessem mais dificuldades. A final, os faroenses ainda não tinham sofrido golos na Qualificação até àquele momento, tinham ganho à Letónia e empatado com a Hungria (estavam à nossa frente na tabela classificativa) e o estádio deles tinha um relvado sintético - sempre problemático.

 

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Eu, aliás, acompanhei o pré-jogo do encontro de segunda-feira e a conversa dos comentadores sobre a Suíça, os golos por sofrer das Ilhas Faroé, o relvado sintético, conseguiu deixar-me nervosa. Isso, felizmente, não demorou muito tempo a passar. Doze minutos depois do apito inicial, quando André Silva marcou, na sequência de uma jogada conjunta entre ele, João Mário e Cristiano Ronaldo. O segundo golo, dez minutos mais tarde, também começou com João Mário. Este passou para Quaresma, que tentou rematar. O guarda-redes defendeu para a frente e André Silva aproveitou. O terceiro golo também foi consequência uma defesa incompleta. Desta feita, André Silva passou a bola a João Cancelo, que fez o primeiro remate, antes do ponta-de-lança concluir a jogada. André Silva concluía, assim, o seu primeiro hat-trick vestindo a Camisola das Quinas - no seu quarto jogo. Ele podia até ter chegado ao póquer. Imagino a azia do Cristiano Ronaldo se o recorde só tivesse durado três dias, obra de um puto que ainda não tem vinte e um anos! 

 

Não me admiraria, aliás, sé o facto de o André Silva estar a açambarcar a glória toda naquela noite tiver sido o motivador para o golo de Ronaldo (que, antes disso, parecera pouco inspirado), na segunda parte, após uma deliciosa troca de bola com João Mário.

 

Quando, algum tempo depois, a Seleção abrandou um pouco o jogo, Gelson Martins entrou em campo e acelerou de novo as coisas. Os resultados, contudo, só se manifestaram depois dos noventa, com as assistências para os dois últimos golos da partida: o primeiro de João Moutinho, o último de João Cancelo.

 

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Com estes resultados, Portugal ascendeu ao segundo lugar da tabela classificativa - com Suíça ainda três pontos acima. Estamos num bom caminho. Atrevo-me, aliás, a afirmar que este é o melhor período da Seleção em anos. Somos Campeões Europeus. Temos múltiplas soluções de qualidade para quase todas as posições (a única exceção são defesas centrais) em absoluto contraste com a situação de há três ou quatro anos. Isto deve-se muito ao trabalho da FPF na formação, com destaque para Rui Jorge, fulcral para a geração de jovens jogadores que começa, agora, a dar cartas. Alguns já jogam pela Seleção há algum tempo e foram Campeões Europeus, alguns chegaram mesmo agora, alguns ainda estão por Convocar.

 

André Silva é o exemplo do momento: o Hélder Postiga e o Hugo Almeida que me perdoem; Éder, adoro-te, terás sempre Paris; mas não tínhamos um ponta-de-lança matador há anos e anos e, meu Deus, as saudades que eu já tinha! A sua parceria com Cristiano Ronaldo poderá vir a dar-nos muitas alegrias. Também João Cancelo dá ótimas indicações - três golos em três jogos é muito bom registo para um avançado, façam as contas para um lateral-direito! O Cédric que se ponha a pau. Temos, ainda, o João Mário, cujo génio ajudou Portugal a conquistar o seu primeiro título e, agora, anda a dar cartas no Inter de Milão; o meu menino de ouro Raphael Guerreiro, o Renato Sanches, o Bernardo Silva, o Gelson Martins, entre muitos, muitos outros.

 

Parte-me o coração pensar que jogadores que cresceram comigo - o Cristiano é o exemplo mais flagrante, mas também falo do Nani, do Ricardo Quaresma, do João Moutinho, do Pepe, do Bruno Alves - já não terão muitos anos com a Camisola das Quinas e que, um dia, teremos de nos despedir deles. No entanto, com esta nova geração, cheia de promessas, acredito que a Equipa de Todos Nós ficará bem entregue, quando a altura chegar. Também acredito que, se as coisas continuarem a correr assim, mais cedo ou mais tarde voltaremos a ganhar um título. 

 

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Não garanto, no entanto, que este otimismo todo não tenha sido exacerbado pelos doze golos marcados nesta dupla jornada. Como sempre, prefiro ir encarando uma coisa de cada vez. Temos ambições, sim, e qualidade que as justifiquem, mas só poderemos lutar pelo título no Campeonato do Mundo se nos Apurarmos para o mesmo Não convém esquecer que este ainda agora começou e já temos uma escorregadela para corrigir. Eu, porém, gosto sempre de recordar as situações mais complicadas que conseguimos reverter. E, apesar de me esforçar por manter os pés assentes na terra, acho que nunca estive tão crente num futuro risonho para a Equipa de Todos Nós.

 

A ver se tenho razão.

Parte do processo

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Na próxima sexta-feira, dia 7 de outubro, a Seleção Portuguesa de Futebol enfrentará a sua congénere... (*consulta o Google*) andorrenha, no Estádio de Aveiro. Três dias mais tarde, deslocar-se-á às Ilhas Faroé para defrontar a seleção local. Ambos os jogos contam para a Qualificação para o Campeonato do Mundo da modalidade, que terá lugar na Rússia, em 2018.

 

Fernando Santos divulgou os Convoccadors para esa dupla jornada na passada quarta-feira. Nas novidades inclui-se a Chamada de Marafone e os regressos de Cristiano Ronaldo e Renatos Sanches, ausentes da última dupla jornada por lesão. Quem também regressou, desta feita após ausência prolongada, foi Antunes para o lugar de Eliseu, que não tem jogado no Benfica. Acredito, no entanto, que Raphael Guerreiro continuará a ser titular, sobretudo tendo em conta que este está a passar uma excelente fase no Borussia Dortmund. Este, aliás, tem alinhado em diferentes possições para além de lateral esquerdo - como médio-esquerdo ou mesmo jogando em terrenos mais interiores. O seu treinador no Dortmund, Thomas Tuchel, afirmou mesmo há uma semana ou duas que Guerreiro é demasiado talentoso para se limitar a uma posição. Não sei o que Fernando Santos pensa disso, se também vai tentar pôr Guerreiro a jogar como médio (eis uma boa pergunta para as próximas Conferências de Imprensa). Acho pouco provável, pelo menos nesta altura. De médios estamos bem servidos; bons laterais-esquerdos, por outro lado, são tradicionalmente difíceis de encontrar para a Seleção.

 

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Outras novidades na Convocatória incluem as Chamadas à última hora de Nelson Semedo e Pizzi, para substituirem os lesionados Cédric e Nani, respetivamene. A maior novidade é, contudo, a estreia de Gelson Martins nas Convocatórias, o mais recente menino-bonito do campeonato português. Eu, à semelhança de muitos, apaixonei-me pelo jovem jogador depois de vê-lo no jogo da Champions contra o Real Madrid (a sério, olhem-me para isto!) e já andava antes a dar cartas na Seleção Sub-21. Jovens talentosos como ele são sempre bem-vindos à Seleção. Mais especificamente, Fernando Santos afirmou que a capacidade ofensiva de Gelson, capaz de causar pesadelos aos defesas mais experientes, vai dar jeito perante os nossos próximos adversários, que deverão jogar mais em bloco baixo.

 

Falemos sobre esses adversários, a propósito. Ambas são seleções de microestados (não sei se as Ilhas Faroé possuem essa designação oficial. mas tendo em conta que, segundo a Wikipédia, a população faroesa não chegaria para esgotar a lotação do Estádio de Alvalade, para os efeitos deste texto,  consideraremos as Ilhas Faroé um microestado). Não jogamos com a Andorra desde 2001 e, naturalmente, ganhámos sempre por mais de três golos de diferença. Com as Ilhas Faroé só jogámos uma vez: em agosto de 2008, na estreia de Carlos Queiroz. Ganhámos por 5-0. Só me lembro muito vagamente desse jogo: acho que o Deco marcou o primeiro golo, o Simão marcou um dos outros. Estas são o tipo de equipas que a Federação convida para particulares quando quer elevar a auto-estima da Seleção com uma vitória fácil - fê-lo, por exemplo, antes do Europeu. O facto de, desta feita, as vitórias nos darem três pontos junta o útil ao agradável. 

 

Em teoria, pelo menos. É do conhecimento geral que a Turma das Quinas, às vezes, atrapalha-se perante facilidades (vejam o que aconteceu no grupo do Euro 2016). Penso, contudo, que desta vez não haverá escorregadelas. Como disse Fernando Santos, a época já começou há algumas semanas, logo, os jogadores terão mais ritmo de trabalho que na jornada anterior. Além disso, a derrota na primeira jornada deu-nos uma dose saudável de adrenalina para o resto da Qualificação - adrenalina sem a qual, pelos vistos, a Seleção não consegue viver. Não há desculpas, vamos ter de ganhar estes jogos se queremos um Apuramento sem complicações.

 

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Não tenho muito mais a dizer sobre estes jogos. Estão longe de ser os mais interessantes - e, infelizmente, esta deverá ser a regra durante a maior parte do Apuramento. Não me queixarei enquanto a Equipa de Todos Nós fizer o que lhe compete. Há já quem fale em ganhar o Mundial, como o próprio Cristiano Ronaldo. Jogos como estes, quer para a Qualificação quer meros particulares, podem ser pouco apelativos, mas fazem parte do processo, do crescimento da equipa, da preparação da mesma para que possamos voltar a realizar sonhos como esse. 

 

Continuem a acompanhar esse processo comigo aqui no blogue e na página de Facebook.

Suíça 2 Portugal 0 - Toblerone envenenado

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Na passada terça-feira, dia 6 de setembro, a Seleção Portuguesa de Futebol foi derrotada por duas bolas sem resposta, no Estádio St. Jakob-Park em Basileia, em jogo a contar para a Qualificação para o Campeonato do Mundo da modalidade, que terá lugar na Rússia em 2018.

 

Aquando deste jogo, estava de férias no estrangeiro. Felizmente, conseguimos ver o jogo através da Internet. A nossa ideia era ver através do site da RTP mas o canal não tinha direitos para transmitir o jogo online (como é que os emigrantes veem o jogo?). Tivemos de ser Inácios. A qualidade da imagem era baixa mas, felizmente, não houve interrupções na transmissão.

 

Não que tenhamos gostado particularmente de ver o jogo. Portugal até entrou bem, com vontade de comandar. Aos cinco minutos já contávamos dois remates à baliza helvética. Um deles foi de Éder e, por sinal, foi uma jogada parecida àquela que nos deu a Henri Delaunay (pena ter sido ao lado...). Um bom motivador terá sido o público português presente, que fizera o Hino Português ecoar por todo o St. Jakob-Park e, agora, faziam a banda sonora com "Campeões, Campeões" e "É Portugal"..

 

No entanto, as boas intenções não passaram disso pois, em menos de dez minutos, Portugal sofreu dois golos. O primeiro, aos 23 minutos, surgiu na sequência de um livre. Rui Patrício defendeu para a frente, a bola foi parar a Embolo que, na recarga, não falhou. Sete minutos mais tarde, num lance de contra-ataque suíço, os portugueses não acordaram a tempo e Patrício teve de ir buscar a bola ao fundo da baliza outra vez.

 

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Não chegaram a ser dez minutos de "deslumbramento", como apelidou Fernando Santos, menos de um décimo do tempo de jogo, mas foi o suficiente para nos enfiarmos num buraco do qual já não conseguimos sair. A Seleção até ficou melhor organizada na segunda parte, com as entradas de André Silva, João Mário e Ricardo Quaresma. Porém, nesta altura, a Suíça fez o mesmo que Portugal fizera durante o Europeu: pôs-se à defesa. Tivemos uma daquelas típicas e super irritantes ocasiões em que a bola não quer entrar (eu pensava que já tínhamos passado essa fase, com o Europeu). É quase caricata, a maneira como provámos do nosso próprio veneno, como o Pouco Importa se voltou contra nós. O jogo acabou sem que se conseguíssemos sequer reduzir a desvantagem.

 

Não existem ainda motivos para colocar tudo em causa, como dizia Paulo Bento. Todos nós sabemos perfeitamente que esta não é a primeira, nem a segunda, nem a terceira vez que tropeçamos nas primeiras jornadas de uma Qualificação e não será, de certeza, a última. Esta nem sequer é a situação mais dramática: foi a primeira derrota em jogos oficiais em dois anos, acabámos de nos sagrar campeões da Europa, logo, em princípio, não será preciso correr com o Selecionador. Além disso, a Suíça é um adversário com quem Portugal tem, historicamente, sentido dificuldades; é o mais difícil do grupo, tirando, talvez, a Hungria. Tirando estes dois, os restantes constituintes do grupo de Qualificação - Letónia, Andorra, Ilhas Faroé - em princípio, não nos colocarão dificuldades. Tudo isto é um progresso relativamente ao nosso último grande tropeção. Podemos perfeitamente resolver este imbróglio.

 

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Dito isto tudo, esta derrota não deixa de ser um enorme balde de água fria, depois de termos passado os últimos quase dois meses nas nuvens, com o nosso primeiro título. Nem sequer é a primeira vez que a Seleção tropeça quando anda de ego inchado. E tendo em conta que metade do mundo futebolístico continua a questionar a justiça da nossa vitória em Paris e um dos nossos adversários disse que tivemos sorte no Europeu, eu não queria, de todo, dar-lhes mais argumentos perdendo o nosso primeiro jogo oficial depois do Euro (o que vale é que a França também não começou bem esta Qualificação, logo, não deverão implicar connosco... por agora).

 

Não que tenhamos alguma coisa a provar. Tivemos sorte no Europeu, sim, com aquele golo islandês que nos facilitou o caminho para a final de Paris, mas foi uma compensação por inúmeras participações em Europeus e num Mundial nos últimos dezasseis anos (em que até jogávamos mais bonito) em que "faltou sempre a estrelinha para ficarmos em primeiro". Nós éramos a seleção com melhores participações em Europeus sem nunca termos ganho o título, por amor da Santa! Éramos, literalmente, os campeões das vitórias morais (que, como gosto de dizer, "não têm arte nem engenho"). Podemos ter tido sorte no caminho para a final, mas na final em si não a tivemos. Perdemos cedo o nosso melhor jogador, que por sinal é um dos melhores de todos os tempos (já tinha referido que temos o Melhor do Mundo a jogar por nós há mais de doze anos?) e tivemos de fazer das tripas coração para aguentar os franceses, que pressionavam e jogavam sujo. Uma equipa com menos alma teria sucumbido. Nós não. E não foi por sorte.

 

Mesmo não tendo em consideração o que escrevi acima, a Taça continua em Portugal e por cá ficará até 2020. E isso é que ficará registado na História do futebol. Além do mais, mesmo que Portugal tivesse "jogado bonito" no Europeu, logo, merecido a vitória segundo esses critérios, continuaríamos a ser criticados. Sobretudo pelos franceses, que sempre nos trataram com desdém.

 

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Enfim, perdoem-me este aparte. Vocês sabem como eu às vezes levo criticas à nossa Seleção demasiado a peito. Dizia eu que é uma pena não termos conseguido prolongar o estado de graça. Mas não vou criticar demasiado duramente uma equipa que fez quase tudo bem durante quase dois anos. Fernando Santos garante que a Seleção ganhará os jogos que faltam. Tendo em conta que o Selecionador já garantiu coisas mais absurdas, como que Portugal ganharia o Europeu, mesmo após um par de jogos mal conseguidos na fase de grupos, não tenho motivos para duvidar dele. Continuarei a saborear o estatuto de Campeões Europeus, a cantar o This One's For You, o We Are the Champions e o Pouco Importa, a emocionar-me como vídeos como este

 

Mas é bom que a Seleção não torne a escorregar.