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O Meu Clube É a Seleção!

Os pensamentos de uma simples adepta da Seleção Nacional, que não percebe assim tanto de futebol mas que é completamente maluca pela Equipa de Todos Nós.

Siga!

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Na passada sexta-feira, dia 10 de novembro, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere saudita por três bolas sem resposta, no Estádio Municipal do Fontelo, em Viseu. Três dias depois, empatou a uma bola sua congénere norte-americana no Estádio Magalhães Pessoa, em Leiria. Ambos os jogos tiveram carácter amigável e solidário.

 

Para um particular ao qual faltaram vários titulares habituais, o jogo com a Arábia Saudita correu bastante bem. Como não pude prestar muita atenção a este jogo, não vou escrever muito sobre ela. Consegui ver, no entanto, que Portugal entrou muito forte no jogo, sobretudo graças a Manuel Fernandes e a Gonçalo Guedes – um dos principais responsáveis pelos inúmeros remates falhados pelas Quinas.

 

A bola só entrou na baliza à meia-hora de jogo. Guedes assistiu para Manuel Fernandes, que rematou diretamente para as redes.

 

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Alguém estava com saudades da Equipa de Todos Nós.

 

Na segunda parte, foi Ricardo Pereira a assistir para o remate certeiro de Guedes – finalmente. O rapaz já tinha justificado. Depois de semanas e semanas de elogios a propósito no desempenho no clube, o talento confirmava-se com a Camisola das Quinas. A Seleção agradece.

 

Portugal abrandou ligeiramente em certas alturas, durante o resto da segunda parte, mas não deixou de dominar. Os sauditos também, verdade seja dita, pouca luta deram. Foi um jogo de sentido único. O Anthony Lopes deve ter apanhado uma seca.

 

Finalmente, já em tempo de compensação, João Mário fechou o marcador com um remate de fora de área.

 

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Foi um bom particular, como disse antes. Acima da média para as circunstâncias. O jogo com os Estados Unidos, por sua vez, foi muito mais parecido com o habitual: mediano, mesmo secante, em certas alturas.

 

Fernando Santos deixou de fora jogadores como André Silva, João Mário e Bernardo Silva – peças importantes na Turma das Quinas durante a última Qualificação – meteu Gonçalo Guedes numa posição diferente e a equipa ressentiu-se. Apresentou-se desconjuntada, sobretudo durante a primeira parte. O facto de os americanos terem mais rotinas e estarem uns quantos furos acima da Arábia Saudita não ajudou Portugal.

 

Acho uma certa piada ao facto de o melhor adversário destes particulares ser aquele que não vai ao Mundial.

 

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O início do jogo foi dominado quase totalmente pelos Estados Unidos. O golo à volta do vigésimo minuto não surpreendeu. De notar que a defesa portuguesa abriu alas para McKenzie rematar – o estreante Ricardo Ferreira ficou mal na fotografia. Beto, na baliza, não pôde fazer nada.

 

Felizmente, não ficámos muito tempo em desvantagem. Dez minutos depois, numa altura em que a Seleção Portuguesa estava um pouco mais atrevida, Antunes cruzou para a pequena área norte-americana (ele garante que era um cruzamento). À primeira vista, o guarda-redes parece agarrar a bola, mas acaba por deixá-la passar entre as pernas e cruzar a linha de baliza.

 

Confesso que não evitei uma gargalhada, com um pouco de malícia. Todos os guarda-redes têm momentos infelizes como este de vez em quando, uns mais do que outros. O nosso Rui Patrício, por exemplo, sofreu um golo muito parecido com este há uns anos – por sinal, num jogo bem mais importante que este: um mísero particular que, nesta altura, muitos já terão esquecido.

 

Mas, tenho de dizer, sabe muito melhor quando, por uma vez, são os nossos adversários a cometer estas fífias.

 

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As coisas melhoraram na segunda parte, com as entradas de João Mário, Bernardo Silva e o estreante Gonçalo Paciência. Portugal esteve perto de chegar à vantagem – sobretudo quando Gonçalo Paciência atirou à barra.

 

Perdeu-se uma oportunidade para Gonçalo estrear-se a marcar pelas Quinas perante o mesmo adversário que o seu pai, Domingos.

 

Já que falamos em pais e filhos na Seleção… vai ser engraçado se/quando outros filhos de jogadores das Quinas (de 2002 para a frente, que foi mais ou menos quando comecei a seguir a Equipa de Todos Nós) vestirem, também, a Camisola. O filho do Cristiano Ronaldo parece estar num bom caminho… mas, meu Deus, eu não quereria lidar com esse legado.

 

Regressando ao jogo com os Estados Unidos, Beto foi um dos destaques. Em parte, há que dizê-lo, porque a defesa portuguesa deixava muito a desejar.

  

 

Faz parte do processo. Se não queremos ter o Pepe, o Bruno Alves ou o José Fonte a jogar de bengala, temos de Chamar jovens e dar-lhes espaço para cometerem erros, adaptarem-se à posição e ao peso da Camisola.

 

Não deixaram de ser umas belas defesas da parte do Beto, mesmo assim. Incluindo uma, acrobática, que fez as delícias de muitos, começando pelo comentador da RTP.

 

Entre ele e Rui Patrício, as redes portuguesas estão em boas mãos. E pés.

 

O marcador, no entanto, permaneceu empatado até ao fim.

 

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Esta jornada correu, assim, mais ou menos consoante o esperado. Para além da parte solidária, deu para ver que não falta matéria-prima da boa, com que Fernando Santos poderá trabalhar. Resta-nos fazer figas para que os bons momentos de forma aguentem até maio/junho. Quero ver, por exemplo, quantos destes Convocados regressarão para o(s) jogo(s) de março.

 

É essa a parte chata: os quatro meses de interregno até aos próximos jogos da Seleção. Já é habitual e, às vezes, como no ano passado, até dão jeito para curar o desgaste.

 

Até porque, dia 1 de dezembro, realiza-se o sorteio da fase de grupos do Mundial. Portugal é cabeça-de-série, evitando tubarões como a Alemanha (graças da Deus!). Mas ainda corre o risco de apanhar adversários de algum calibre, como a Espanha ou a Inglaterra.

 

A ver no que dá. Como já vai sendo habitual, depois do sorteio, farei uma breve análise ao que nos sair na rifa.

 

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Depois disso, temos a revisão do ano. No ano passado meti água, mas quero tentar novamente este ano (ênfase no “tentar”). Não vou recorrer ao modelo antigo, em que falava de todos os jogos do ano – foi uma das coisas que me deitou abaixo no ano passado e acho que para vocês, leitores, era uma seca.

 

Quero, assim, experimentar um novo formato – que deverá resultar em textos mais curtos e sintéticos. Vou tentar, aliás, escrever uma revisão de 2016. Um ano excelente como esse merece a sua própria crónica, mesmo que venha atrasada.

 

Podem, então, contar com três textos novos neste blogue nas próximas semanas. Não posso prometer nada, conforme já dei a entender acima, mas vou tentar.

 

Em todo o caso, já sabem que continuarei a acompanhar todas as notícias sobre a Seleção na página de Facebook deste blogue. Deem uma espreitadela!

Contra o desânimo

18809613_1902645163281336_3142023852700205056_n_b4Hoje, dia 10 de novembro, a Seleção Portuguesa de Futebol recebe a sua congénere saudita, no Estádio Municipal do Fontelo, em Viseu. Três dias depois, recebe a sua congénere norte-americana no Estádio Magalhães Pessoa, em Leiria.

 

Ambos os jogos são particulares, possuindo também uma componente solidária: serão transmitidos em simultâneo pelos três canais de televisão generalistas e as receitas reverterão para as vítimas dos incêndios que assolaram o país, nos últimos meses

 

Os Convocados para esta dupla jornada foram Divulgados na passada sexta-feira. Só os mais desatentos é que ficaram surpreendidos com a ausência de nomes sonantes, como Cristiano Ronaldo, Rui Patrício, João Moutinho, Ricardo Quaresma, entre outros. Já o mesmo tinha acontecido há dois anos, nos particulares de novembro.

 

Não nego, no entanto, que tinha esperado que Fernando Santos não fizesse o mesmo este ano. Não me interpretem mal, sou completamente a favor de renovação na Equipa das Quinas – ainda me lembro da situação há quatro ou cinco anos, em que era um drama de cada vez que um dos habituais titulares se lesionava. No entanto, dificilmente temos exibições decentes quando os onzes são formados por jogadores sem rotinas uns com os outros.

 

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Além disso, regra geral, os adversários destes jogos são pouco apelativos.

 

Para ser sincera, não sei se existe grande utilidade em fazer testes nesta altura do campeonato. Faltam sete meses até ao Mundial, dois terços de uma época futebolística. Jogadores que, agora, estão em alta, podem estar confinados ao banco daqui a quatro ou cinco meses. Ou lesionados.

 

Não que esteja a censurar Fernando Santos. A culpa é do calendário das seleções. Depois desta dupla jornada, só voltamos a ter jogos em finais de março (se não estou em erro). Já me fartei de queixar disso ao longo dos últimos anos, volto a fazê-lo agora. Mais do que para aqui a Sofia matar saudades da Equipa de Todos Nós, os antigos particulares de fevereiro ou princípios de março davam jeito para testar alternativas.

 

Enfim, faz-se o que se pode.

 

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Na verdade, não sei muito sobre os jogadores que se estreiam na Convocatória. Aplaudo a Chamada de Edgar Ié e Ricardo Ferreira, que a defesa das Quinas precisa de sangue novo. Por sua vez, Manuel Fernandes já merecia ter vindo mais cedo. Mais vale tarde do que nunca, suponho eu…

 

Não podemos deixar de falar da componente solidária destes dois jogos: pelas vítimas do verão horrível e infinito que tivemos este ano. É uma ótima iniciativa, na minha opinião. Quem acompanhe este blogue há uns anos, saberá que, em várias ocasiões, a Seleção tem sido das poucas coisas que me dão ânimo, que me dão esperança em algo bom no futuro. Como tal, fico satisfeita por, desta vez, essa esperança se traduzir em ajuda concreta para as vítimas dos incêndios.

 

Eu tenho a sorte de não estar, nem de longe nem de perto, numa situação tão aflitiva como essas pessoas. Dito isto, por estes dias, também me dava jeito usar a Seleção como consolo, desanimada como ando com o que se passa no Mundo – os incêndios foram só uma parte.

 

Por sinal, os países que temos como adversários encontram-se entre os culpados pelo meu estado de espírito.

 

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Portugal jogou contra os Estados Unidos há relativamente pouco tempo – durante o desastroso Mundial 2014. Juntem a este o ainda pior jogo do Mundial 2002 e podemos concluir que não temos recordações muito felizes dos americanos.

 

Estes, no entanto, acabaram de falhar a Qualificação para o Mundial 2018 e de trocar de selecionador. Não serão um adversário fácil, mas estarão, em princípio, uns quantos furos abaixo do que estiveram no Brasil.

 

E nós, graças a Deus, estamos vários furos acima: Campeões no nosso continente e Qualificados para o Mundial da Rússia.

 

Não posso deixar de referir uma declaração curiosa do, agora, ex-selecionador norte-americano. Este admitiu a possibilidade de a presidência de Donald Trump andar a servir de motivação extra para os adversários derrotarem os Estados Unidos. Sobretudo no que diz respeito à retórica anti-imigração.

 

Não posso dizer que não compreenda esta atitude, até porque também ando com imensa raiva aos Estados Unidos, pela abominação que elegeram para presidente. E, se formos a ver, os norte-americanos são dos que mais contribuem para o aquecimento global, através da emissão de dióxido de carbono. Se este ano tivemos verão quase até novembro, levando a incêndios catastróficos a meio de outubro… os Estados Unidos têm culpa no cartório. Até porque o seu presidente atual decidiu retirá-los do Acordo de Paris para as alterações climáticas.

 

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Sei perfeitamente que os jogadores de uma seleção não refletem necessariamente o governo do seu país. Também sei que existem muitas pessoas decentes entre os americanos que não se reveem em Trump. Eu mesma, há um ano, não deixei passar em branco o “muro” que americanos e mexicanos construíram, antes de um jogo entre as respetivas seleções.

 

Mas a frustração que nós, fora dos Estados Unidos, sentimos não desaparece. Nós não votámos nas eleições norte-americanas, não escolhemos ter Trump nas nossas vidas. No entanto, ele é um problema para todos nós.

 

Não que o nosso outro adversário, que defrontamos hoje, seja muito melhor. Não vale a pena falar do seu histórico futebolístico, é insignificante. Prefiro ressaltar o facto de a Arábia Saudita não aceitar a Declaração Universal dos Direitos Humanos, não garantir liberdade religiosa ou política, não respeitar os direitos das mulheres. Diz-se mesmo que se rege pelas mesmas leis do Estado Islâmico (tirem um momento para pensar nisto). Só agora é que vão deixar as mulheres conduzirassistir a jogos de futebol.

 

Nós, em suma, vamos realizar dois jogos de carácter humanitário com seleções de país que são péssimos exemplos para a Humanidade. Sou a única aqui a reparar na ironia?

 

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É evidente que estes adversários foram escolhidos apenas por critérios futebolísticos, não políticos. Fernando Santos referiu mesmo que queria testar a Seleção perante adversários de continentes diferentes, o que faz sentido. Nós só jogamos com seleções não-europeias em Mundiais e na Taça das Confederações, ou em preparação para esses campeonatos. É uma das dificuldades acrescidas de um Mundial relativamente a um Europeu e uma das razões pelos quais não coloco Portugal como favorito ao título de campeão.

 

Este texto acabou por sair mais amargo do que o habitual. Peço desculpa, mas, como disse acima, ando desanimada com o estado do Mundo e não estou a conseguir separar o futebol e a Seleção do que se passa fora das quatro linhas.

 

Estou a tentar recordar-me das minhas próprias crenças: que o futebol é mais forte que o ódio, que a nossa Seleção é um exemplo de algumas das melhores facetas da Humanidade, tal como escrevi no ano passado.

 

Estes jogos solidários servem precisamente para colocar essas facetas ao serviço daqueles que preciso. A Seleção vai jogar pela esperança, contra o desânimo. E também para que, a médio/longo prazo, possa dar-nos alegrias, com a de 2016. Alegrias essas que tornam o Mundo um pouco menos insuportável. Pelo menos para mim.

 

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Quero pedir desculpa pelo relativo atraso deste texto. E avisar que o próximo (vou analisar os dois jogos no mesmo texto) também deverá vir atrasado, que vou estar ocupada ao longo da próxima semana. De qualquer forma, não deixarei de manter a página de Facebook atualizada com as principais notícias da Seleção. Não deixem de visitá-la!

Portugal 2 Suíça 0 - Noites como estas

IMG_20170513_140959_HDR.jpgNa passada terça-feira, dia 10 de outubro, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere suíça por duas bolas a zero, no Estádio da Luz... e eu estive lá! Este era o último jogo da Qualificação para o Mundial 2018. Com esta vitória, Portugal iguala a Suíça em pontos. No entanto, como tem mais golos marcados, fica em primeiro lugar no grupo e Apura-se diretamente para o Mundial.

 

Às vezes pergunto a mim mesma porque raio ainda tenho dúvidas no que toca a esta Seleção.

 

Conforme tinha escrito antes, fui ao jogo com a minha irmã. Uma vez que a lotação estava esgotada (até a Madonna veio, para delícia de muitos), os profissionais da Federação tinham recomendado que viéssemos o mais cedo possível. Eu e a minha irmã seguimos as recomendações e chegámos mais ou menos uma hora antes do início do jogo.

 

Por sinal, chegámos ao mesmo tempo que a maioria dos adeptos suíços, entoando cânticos em coro. Não houve confusão. Pelo contrário, uns deles meteram-se comigo. Falavam alemão, do qual não compreendo uma palavra (deviam ser da chamada “Suíça alemã”), mas lá percebi que queriam tirar uma selfie comigo. Eu aceitei, sobretudo por uma questão de fair-play – é sempre bonito confraternizar com adversários.

 

Eu, no entanto, suspeito que eles estavam menos interessados em fair-play e mais no meu decote. Enfim.

 

Eu e a minha irmã ficámos sentadas na bancada BTV (julgo que é essa), não muito longe dos adeptos suíços. Estes começaram a fazer barulho desde muito cedo, puxando pela sua equipa.

 

Mais um motivo para respeitar a Suíça, de resto: os seus adeptos não se deixaram intimidar por uma Luz esgotada, decidida a fazer a sua parte na luta pela Qualificação.

 

 

E, de facto, o momento da coreografia, com as cartolinas verdes e vermelhas provocou-me arrepios – sobretudo enquanto cantávamos “A Portuguesa”. Foi uma jogada de mestre por parte da Federação.

 

O jogo não foi muito fácil, pelo menos não de início. Portugal jogava bem, sem grande brilho mas com consistência – João Mário foi o primeiro a chamar-me a atenção, mas também William, Eliseu (com a sua pouca utilização no Benfica, não estava à espera que jogasse tão bem) e Bernardo Silva se destacavam.

 

Os suíços, no entanto, iam sendo capazes de travar as iniciativas portuguesas. De tal forma que a primeira oportunidade de perigo para Portugal ocorreu apenas aos trinta e dois minutos – uma boa iniciativa de Bernardo Silva. A Suíça também atacava de vez em quando mas com ainda menos eficácia – Rui Patrício teve uma noite inesperadamente tranquila.

 

Os dedos das mãos já não chegam para contar os jogos de futebol a que já assisti ao vivo. No entanto, ainda não me fartei – ver através de um ecrã pura e simplesmente não se compara a isto. Ainda por cima, desta vez estávamos apenas algumas filas acima do campo, relativamente perto dos jogadores. Dava para irmos gritando coisas como “Corre, Eliseu!”, “Vai, miúdo!”, “Força William!” e eles podiam ouvir.

 

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Em teoria. Na prática não davam sinais disso, claro. Como seriam capazes de se concentrar no jogo se estivessem atentos a todas as baboseiras que vêm das bancadas? Quando se trata de dar força, no entanto, gosto de pensar que eles percebem a mensagem.

 

O jogo foi na semana passada mas, só recordando-me disto, já estou com saudades e ansiosa por regressar a um jogo da Seleção. O pior é que duvido que a Turma das Quinas volte a jogar tão cedo em Lisboa.

 

Mas também estou a queixar-me de barriga cheia: eu que fui a dois jogos este ano.

 

Tivemos um bocadinho de sorte com o nosso primeiro golo, há que admiti-lo. Mas também não se pode dizer que Portugal não o tenha merecido. Poucos minutos antes do intervalo, Eliseu centrou para João Mário. Este enrolou-se com o defesa e o guarda-redes da Suíça, mas a bola acabou por entrar.

 

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A partir da nossa bancada não dava para ver bem o que se passava – durante algum tempo pensámos que tinha sido João Mário a marcar. Na altura, achei justo – ele estava a ser um dos melhores em campo. Só ao intervalo é que descobrimos que tinha sido auto-golo de Djourou.

 

Enfim. Golo é golo.

 

Dá sempre jeito partir para o intervalo com um golo acabado de marcar. A segunda parte foi quase completamente dominada por Portugal, sobretudo nos primeiros dez minutos. O facto de os suíços se terem aberto mais ajudou. Esta fase culminou com uma jogada brilhante, em que a bola passou por mais de metade da Seleção antes de Bernardo Silva assistir para André Silva, que concluiu com um remate atrapalhado mas certeiro.

 

É bom ver a Equipa de Todos Nós marcar um golo assim, com a contribuição direta de quase toda a equipa. Podemos continuar muito dependentes de Ronaldo (e acho que é mais uma dependência psicológica do que outra coisa qualquer), mas ninguém pode negar que existe Seleção para além dele.

 

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A parte chata de golos como este é que os resumos em vídeo cortam uma parte da jogada. Tive de recorrer às gravações automáticas para revê-la na íntegra – e estas desaparecem ao fim de alguns dias.

 

Depois desta, o jogo decorreu sem incidentes de maior. Portugal procurou segurar o resultado, sem abdicar de tentar o 3-0. Estivemos perto, sobretudo com a oportunidade de Cristiano Ronaldo, aos oitenta minutos. O Capitão conseguiu isolar-se perante o guarda-redes suíço mas depois atrapalhou-se com a finta.

 

Não estava nos seus dias, pobre Ronaldo. É capaz de ter sido dos menos eficazes em campo, entre os portugueses – a antítese do que aconteceu em Andorra, curiosamente. Não que tenha sido grave – outros brilharam por ele, tal como vimos antes.

 

Cristiano Ronaldo um dia destes deixará a Seleção (embora Fernando Santos diga que ele ainda poderá jogar durante cinco anos). Não temos nenhum fenómeno como ele para tomar o seu lugar – nem agora, nem nos próximos... duzentos anos, provavelmente. No entanto, com jogadores como Bernardo Silva, João Mário, William, entre muitos outros, não precisamos de nos preocupar com o futuro.

 

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Finalmente, o árbitro apitou três vezes, consumando o nosso Apuramento direto. Pela segunda vez consecutiva, escapamo-nos aos play-offs. Continua a saber bem. Em termos de números, esta foi a nossa melhor Qualificação de todos os tempos, com noventa por cento de vitórias. No Apuramento anterior também só tínhamos perdido uma vez. Mas como foram apenas oito jogos, a percentagem de vitórias foi de apenas 87,5.

 

Continua a faltar, ainda assim, uma Qualificação imaculada.

 

Uma palavra sobre a Suíça. Escrevi em textos anteriores que respeitava imenso os suíços por tudo o que fizeram nesta Qualificação. Isso não mudou com a derrota deles. São uma boa equipa, estiveram à nossa frente – nós, Campeões Europeus – na tabela classificativa durante mais de um ano, os seus adeptos foram exemplares na Luz. O mais justo teria sido ambas as equipas Qualificarem-se diretamente. 

 

A Suíça, no entanto, tem ainda a hipótese de ir à Rússia via play-offs. Eu vou torcer por eles.

 

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Fernando Santos  disse na Conferência de Imprensa que esta é uma das melhores seleções de sempre. Se é a melhor, é discutível – depende dos critérios. No entanto, em termos de resultados, de consistência, ninguém discorda: é a número um até agora.

 

A Seleção de Fernando Santos (isto é, de finais de 2014 até agora) pode nem sempre ter praticado o futebol mais excitante ou bonito. Mas os únicos fracassos até agora foram a derrota perante a Suíça (que, de qualquer forma, acabou agora mesmo de ser corrigida) e as meias-finais da Taça das Confederações. Pelo meio, tornámo-nos Campeões Europeus.

 

Fernando Santos celebrava o seu aniversário naquele dia. E, de facto, todos nós devemos dar graças por ele ter nascido e dado tanto à Seleção.

 

Foi mesmo a única coisa que faltou naquela noite: cantarmos os Parabéns a Fernando Santos.

 

  

Bem, ao menos pudemos comover o Selecionador com o “Hino à capela”, como o próprio descreveu, no fim do jogo. Eu não estava à espera, mas não me surpreendeu – o mesmo já tinha acontecido há quase seis anos (!!), no jogo com a Bósnia-Herzegovina.

 

Depois de o jogo acabar (ou talvez antes, não me lembro ao certo), reparei neste cartaz, algumas filas acima do meu lugar, com uma nova versão do Pouco Importa. Quando estávamos nos túneis para sair do estádio, consegui apanhar os autores do cartaz e pedir-lhes para tirar esta fotografia (serão membros da claque do Euro 2016, que criou o cântico original?). Ainda me juntei a eles quando começaram a cantar esta nova quadra, no meio da multidão que abandonava a Luz (tentei filmar o momento, mas atrapalhei-me com o telemóvel).

 

Já cantei, portanto, que “o Mundial da Rússia, vamos ganhá-lo também”. Na realidade, contudo, ainda não quis pensar a sério nisso. É muito cedo. Mais disparatado ainda é pensar já nos Convocados, como já vi – faltam sete meses! Os momentos de forma mudam até lá!

 

Haverá tempo para falarmos sobre o Mundial e sobre as ambições de ganhá-lo. Entristece-me um bocadinho, aliás, não voltarmos a ter jogos oficiais até junho.

 

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Enfim. Havemos de sobreviver.

 

Já sabemos que, no próximo mês, receberemos a Arábia Saudita e os Estados Unidos, em jogos particulares. Não me admiraria, no entanto, se Fernando Santos deixasse a maior parte dos habituais de fora. Não esperemos, portanto, jogos muito interessantes. Os de há quase dois anos não foram.

 

Recordo, no entanto, que de uma forma ou de outra esses jogos ajudaram-nos a sagrarmo-nos Campeões Europeus. É para noites como a de 10 de julho de 2016 e a de 10 de outubro deste ano que estamos todos aqui.

 

Que tenhamos muitas noites como estas no próximo ano, na Rússia.

Andorra 0 Portugal 2 - Capitão ao resgate

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No passado sábado, dia 7 de outubro, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere andorrana por duas bolas a zero, no Estádio Nacional de Andorra-a-Velha. O jogo contou para a Qualificação para o Mundial 2018.

 

Portugal sentiu algumas dificuldades em vencer este jogo, mas só os mais desatentos é que se surpreenderam com isso. Tínhamos passado a semana anterior inteira a falar sobre o relvado artificial e as dificuldades que outras equipas sentiram em Andorra-a-Velha, ao longo desta Qualificação.

 

Aquilo que me apanhou de surpresa, no entanto, foi a ausência de Cristiano Ronaldo e de vários outros “amarelados” do onze inicial, sobrando apenas Ricardo Quaresma e Gelson Martins (pelos vistos o Pepe não tinha amarelo… Peço desculpa pelo erro). Isto apesar de o Selecionador ter repetido inúmeras vezes que não estava a pensar no jogo com a Suíça, ainda… Incoerência à parte, compreendo a decisão.

 

E resultou.  Ganhámos o jogo e vamos jogar com a Suíça sem jogadores castigados, o que é importantíssimo.

 

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Cedo se percebeu porque é que Andorra sofria poucos golos em casa: os andorranos pareciam os Pirinéus no seu meio-campo! Os portugueses viam-se à nora para contornar as montanhas – as ocasiões de perigo para a baliza andorrana foram escassas. Por outro lado, sempre que a bola saía para o meio-campo português, nenhum andorrano ia atrás dela.

 

Fernando Santos não teve outra hipótese senão, claro, meter Ronaldo. O Capitão de resto, ao que parece, passou a primeira parte com bichos carpinteiros. Chegou ao ponto de ir ralhar, amigavelmente, com um dos apanha-bolas – também eles a queimar tempo e a jogar para o empate.

 

Não foi tão épico quanto o que fez na final do Europeu, mas foi mais uma prova de que o Marmanjo não está habituado a estar no banco. Pelo menos não quando são jogos importantes.

 

Com o Capitão em campo, na segunda parte foi possível, finalmente, desbloquear o jogo. Foi ele quem marcou o primeiro golo, aos sessenta e três minutos – aproveitando uma bola perdida após uma interceção mal conseguida de um cruzamento de João Mário.

 

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Foi Ronaldo ao resgate, em suma. É um bocadinho caricato, por um lado – ter de vir o Capitão-papá resolver os nossos problemas. Por outro, conforme comentámos no início do texto, toda a gente tinha tido dificuldades neste estádio. Não vou dizer que não dá imenso jeito termos uma arma-não-assim-tão-secreta, como o nosso Capitão, para estas alturas – muitos clubes e seleções dariam tudo para tê-lo!

 

Depois desta, as coisas tornaram-se mais fáceis, como era de esperar. Aos oitenta e seis minutos, Danilo assistiu para André Silva, que ampliou a vantagem para 2-0. Ficou feito o resultado.

 

Esta não foi uma exibição brilhante – longe disso. No entanto, como temos vindo a assinalar, existiram várias atenuantes. De resto, não se pode dizer que Portugal tenha andado nesta Qualificação com exibições de encher o olho. O que conta são os três pontos.

 

Tem sido sempre assim neste último ano, desde o mal-sucedido primeiro jogo. Antes de cada jornada, dizemos sempre que temos mesmo de ganhar; que o adversário está uns quantos furos abaixo de nós, mas merece respeito. Partimos para cada jogo com uma dose saudável de pressão. Conseguimos ganhar, com maior ou menor dificuldade. Ficamos contentes, mas não nos deixamos levar pela euforia pois a Suíça também ganhou e continua à nossa frente. Nada está ainda garantido.

 

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Bem, esse ciclo termina agora. Amanhã descobriremos se todas estas vitórias seguidas valeram a pena – e isto é válido tanto para os suíços como para os portugueses.

 

 O que é um bocadinho triste, agora que penso nisso. Pelo menos um de nós vai ter de ir a play-offs, mesmo tendo conseguido ganhar quase todos os jogos da Qualificação. Ninguém merece...

 

É evidente que ninguém morre se tivermos de ir aos play-offs (três vezes na madeira, em todo o caso). Mas… eu não quero ir aos play-offs! Não quero, não quero, não quero (argumentos sofisticados, eu sei…)! Soube-me tão bem a Qualificação direta há dois anos, agora queria repetir a dose.

 

Além disso… somos Campeões Europeus! Ir aos play-offs é um bocadinho indigno.

 

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Bem, se tiver de ser, não será por falta de determinação. Fernando Santos garante que Portugal vai ganhar à Suíça – conforme disse antes, nestas coisas tendo a acreditar nele. Também estou certa de que nenhum dos jogadores quer arriscar os play-offs – não quando só dependem de si mesmos para despachar já a Qualificação.

 

Também não será por mim que falharemos – por mim ou pelos quase sessenta mil que amanhã estarão no Estádio da Luz (à hora desta publicação, os bilhetes estão quase quase esgotados). Conforme tenho vindo a dizer, vamos partir para esta Batalha Final com todas as nossas armas. Venham daí os suíços – nós estamos preparados.

A Batalha Final

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No próximo sábado, dia 7 de outubro, a Seleção Portuguesa de Futebol defrontará a sua congénere andorrana, no Estádio Nacional de Andorra-a-Velha. Três dias mais tarde, receberá a sua congénere suíça no Estádio da Luz... e eu estarei lá! Estes dois jogos serão os últimos da Seleção Portuguesa na Qualificação para o Mundial 2018.

 

Fernando Santos apresentou uma Convocatória com várias novidades para esta dupla jornada. A que primeiro me chamou a atenção foi o regresso de Éder, após ter falhado a Taça das Confederações. Eu sabia que ele estava a dar-se bem no Lokomotiv de Moscovo – marcou um golo no fim de semana passado e ainda outro no fim de semana anterior – mas não estava à espera que ele regressasse já à Seleção.

 

É claro que não vou criticar a Chamada dele – ninguém com um bocadinho de coração vai fazê-lo. Não deverá roubar a titularidade a André Silva, obviamente, mas poderá ajudar a desbloquear uma situação complicada. Já resultou antes…

 

O facto de Éder estar a jogar na Rússia, no ano em que esta organiza o Mundial, de resto, tem alguma piada – depois de o mesmo ter acontecido há quase dois anos, quando ele se mudou para França antes do Euro 2016.

 

Terá contribuído para o que aconteceu na final? Não sei.

 

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Superstições à parte, por agora estou feliz por o Éder estar a jogar regularmente e a marcar golos, sem levar com vaias de franceses aziados. Se conseguir manter este ritmo, não deverá falhar o Mundial.

 

Menos consensual é o regresso de Renato Sanches. Como é do conhecimento geral, o Renato está a jogar no Swansea. A sua estreia não correu bem e os adeptos do clube não foram meigos. Desde essa altura, tanto quanto tem sido noticiado, Renato não tem feito nada de especial. Fernando Santos garante, no entanto, que ele e os restantes membros da equipa técnica viram “sinais positivos”.

 

Eu vou acreditar – até porque ainda alimento a esperança de voltar a ver o Renato do Euro 2016.

 

Nada a apontar à Chamada de Gonçalo Guedes, que está a sair-se muito bem no Valência.

 

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Por sua vez, Antunes foi Convocado no lugar de Fábio Coentrão, presumivelmente. A exclusão do lateral-esquerdo do Sporting também não foi consensual. Eu, no entanto, não posso dizer que tenha ficado surpreendida – não depois de Coentrão não ter conseguido aguentar meia hora em campo, frente à Hungria. Sendo esta uma jornada dupla muito desgastante, sobretudo na Andorra (conforme veremos a seguir),  também acho que não valia a pena arriscar.

 

E por sinal, como que a justificar esta exclusão, o Fábio lesionou-se durante o fim de semana, acabando por falhar o Clássico. Ou seja, mesmo que Coentrão tivesse sido Convocado, teria de ser substituído. Tudo isto é, por um lado, caricato. Por outro, é triste ver um jogador como ele, cheio de garra e talento, preso neste ciclo vicioso.

 

Na verdade, estou à espera que Raphael Guerreiro regresse à competição – ainda não recuperou da lesão contraída durante a Taça das Confederações. Até porque o Eliseu anda a jogar menos no Benfica. Espero que Antunes consiga dar conta do recado.

 

Por fim, dizer apenas que não compreendo porque é que o Manuel Fernandes não tem sido Convocado.

 

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Estamos, então, na reta final deste Apuramento, ainda no segundo lugar, a três pontos do primeiro. Há cerca de um ano, havia quem dissesse que a Suíça, por esta altura, teria perdido pontos. Era natural pensar assim – com o devido respeito para com os suíços, eles não são nenhuns tubarões, tipo Alemanha ou França (e nós também não).

 

Bem, enganaram-se. Em parte, porque equipas como as Ilhas Faroé ou a Letónia dificilmente roubam pontos a equipas de maior prestígio.  Mas sobretudo por mérito dos próprios suíços. Não consigo deixar de respeitá-los por estarem a fazer uma Qualificação imaculada – feito só igualado pela Alemanha.

 

Existe a possibilidade de os suíços perderem pontos perante a Hungria – sobretudo se os húngaros levarem para Basileia o… chamemos-lhe “espírito lutador” que demonstraram no nosso último jogo contra eles. Mas mesmo na melhor das hipóteses – isto é, Suíça perder contra a Hungria e Portugal ganhar à Andorra – vencermos a Suíça continua a ser a opção mais segura.

 

Não adianta, no entanto, pensar demasiado no jogo contra os suíços antes de vencermos Andorra.  Não foi por acaso que Fernando Santos comparou este jogo a uma meia-final – ninguém no seu juízo perfeito faz planos para a final antes de passar as meias.

 

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Já se sabe que não vai ser fácil. O relvado será artificial. Os andorranos conseguiram empatar em casa com os húngaros e perder por apenas 2-1 perante os suíços. A viagem para lá é complicada: a Federação consegui arranjar um avião da Força Aérea que voe diretamente para a Andorra mas, se o tempo estiver mau, terão de aterrar em Lérida e fazer o resto da viagem de autocarro.

 

Três horas de autocarro, uma parte delas através dos Pirinéus? Só de pensar nas curvas fico com náuseas. Façamos figas para que os Marmanjos não tenham de passar por isso.

 

Por outro lado, existe uma grande comunidade portuguesa em Andorra – conforme testemunhado há algumas semanas pelo Presidente Marcelo. Na altura disseram mesmo que ia haver um problema, pois o Estádio não tem espaço para os portugueses todos em Andorra.

 

É este género de problemas que a Seleção agradece.

 

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Mesmo tendo em conta tudo o que enumerei antes, a Turma das Quinas não tem desculpas. Para além de ir jogar quase em casa… é a Andorra! Pode criar-nos dificuldades, sim, mas não queiram comparar. Eles nem sequer têm hipóteses de se Qualificar, nesta altura. É certo que devemos sempre ter cuidado com um adversário que não tenha nada a perder, mas a nossa motivação terá de chegar para contornar esse problema. Tropeçar perante a Andorra não é aceitável. Somos Campeões Europeus ou não?

 

Pode ser, até, que estejamos a preocuparmo-nos demasiado e que, depois, as coisas corram melhor do que estávamos à espera. Tem sido um pouco a regra em vários jogos deste Apuramento. De qualquer forma, é mil vezes melhor que o oposto: subestimarmos o adversário e apanharmos surpresas desagradáveis. Não me importo de sofrer desnecessariamente, desde que ganhemos os três pontos.

 

Por outro lado, se algum dia vier a sofrer do coração por causa disso, posso arrepender-me...

 

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Existe outro aspeto a levar em conta neste jogo: os “amarelados”. Durante estas últimas semanas, tenho-me preocupado mais com Cristiano Ronaldo, por motivos óbvios – e também porque o seu amarelo foi mais recente. Mas estive a pesquisar e descobri que, para além dele, também Gelson Martins, Ricardo Quaresma, Cédric, André Gomes, Pepe e José Fonte viram o amarelo nesta Qualificação.

 

Não nos podemos dar ao luxo de perder nenhum destes Marmanjos – não antes de uma final, em que todas as armas fazem falta. Se fossem apenas dois ou três “amarelados”, Fernando Santos ainda poderia poupá-los (duvido que o fizesse, mesmo assim). Com sete, não dá.

 

É difícil de prever quais destes conseguirão escapar ao amarelo. O Cristiano Ronaldo, por exemplo, já tem idade para ter juízo mas, de vez em quando, tem atitudes de criancinha. A nossa sorte é que ele saiu há pouco tempo de um castigo de cinco jogos – por agora, estará vacinado.

 

Consta que o Cédric é um bocadinho arruaceiro, também. E o Pepe... bem, é o Pepe.

 

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Só nos resta fazer figas para que os Marmanjos se portem que nem meninos de coro e para que o árbitro não se ponha a implicar com eles.

 

Se tudo correr bem na Andorra, o jogo com a Suíça será, então, a Batalha Final deste Apuramento – a épica resolução de um conflito, de um braço-de-ferro, que dura há mais de um ano. Conforme disse acima, tenho imenso respeito pelos nossos amigos suíços, pelo que têm feito nesta Qualificação. Mas só há espaço para um de nós no primeiro lugar. Portugal vai dar luta.

 

O jogo terá lugar no Estádio da Luz, tal como vimos antes. Noutras circunstâncias, acho que teriam escolhido outro estádio – talvez o de Alvalade. No entanto, o saldo desse estádio, em termos de jogos da Seleção, não tem sido favorável – eu que o diga, que fui assistir a três dos quatro últimos jogos em Alvalade e estes incluíram uma derrota (era um particular, mas mesmo assim) e dois empates comprometedores.

 

O Estádio da Luz, por sua vez, tem um histórico recente bem mais favorável – incluindo jogos decisivos, como os playoffs de 2009, 2011 e 2013, todos eles com resultados positivos. Faz sentido que tenha sido escolhido como palco desta Batalha Final.

 

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À hora desta publicação, já foram vendidos pelo menos 55 mil bilhetes – o meu e o da minha irmã incluídos. Tal como tinha prometido antes, comprámos os bilhetes assim que nos foi possível. E – milagre! – vamos ficar abaixo do terceiro anel! Nós e outros 55 mil, pelo menos (pode ser que cheguemos aos 60 mil até lá), estaremos lá, armados até aos dentes com as cores portuguesas e faremos a nossa parte na Batalha Final.

 

Fernando Santos prometeu há mais de um mês que Portugal ganharia estes últimos jogos e que, no dia 10, lhe daria uma prenda de aniversário. Sendo este o homem que nos prometeu, ainda em 2015, que seríamos Campeões Europeus, eu tendo a acreditar nele – até porque, entretanto, já ganhámos dois desses jogos. Eu ajudarei no que puder, sobretudo no dia 10 (espero que possamos cantar os Parabéns ao Selecionador). Mas, como sempre, a maior parte está nas mãos (e nos pés) dos nossos Marmanjos. Não nos desiludam!