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O Meu Clube É a Seleção!

Os pensamentos de uma simples adepta da Seleção Nacional, que não percebe assim tanto de futebol mas que é completamente maluca pela Equipa de Todos Nós.

Entre a euforia e a realidade

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No passado sábado, dia 25 de março, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere húngara por três bolas sem resposta, no Estádio da Luz, em jogo a contar para a Qualificação para o Mundial 2018 – e eu estive lá! Três dias depois, a Seleção Nacional foi derrotada pela sua congénere sueca, no Estádio Club Sport Marítimo, na Madeira, em jogo de carácter amigável.

 

Comecemos por falar do jogo com a Hungria, a que fui assistir com a minha irmã. Estava um bom ambiente na Luz. O estádio estava praticamente cheio, incluindo os tais dois ou três mil húngaros que, mesmo em minoria, conseguiram fazer-se ouvir. Foram-se calando mais à medida que a vitória portuguesa se ampliava, contudo. O público português também se manifestou sonoramente, com de resto acontece em todos os jogos da Seleção em casa. Gostei, particularmente, de cantar e ouvir cantar “Campeões! Campeões! Nós somos Campeões!”. Não dá para nos fartarmos deste cântico – da mesma maneira como não dá para nos fartarmos do orgulho de sermos Campeões Europeus.

 

Suponho que esta seja uma boa altura para falar sobre a polémica claque portuguesa e deixar o assunto arrumado. Quando descobri que a claque que puxara por Portugal durante o Euro 2016 de forma brilhante (sobretudo na final, em que silenciaram os maioritários franceses durante noventa por cento do jogo) iria regressar para o Portugal x Hungria, fiquei entusiasmada. Conforme julgo já ter referido antes, quando a minha irmã me leva aos jogos do Sporting, aquilo que mais gosto é de ouvir os cânticos da curva sul. Recriarem isso num jogo da Seleção seria fantástico.

 

E durante o jogo em si até resultou… mais ou menos. A claque ficou sentada quase debaixo os húngaros, o que não resultou muito bem em termos acústicos. No entanto, lá foi conseguindo com que os seus cânticos contagiassem ocasionalmente o resto da multidão portuguesa. Eu pelo menos ia cantando (pareceu-me ouvir o Pouco Importa a certa altura).

 

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Num mundo ideal, tudo o que uma claque faria seria isso: cantar, puxar pela equipa. Na realidade, vejo agora que esperar que uma claque se portasse civilizadamente era demasiado. À chegada à Luz terão havido desentendimentos  entre os membros da claque (que estariam a entoar cânticos anti-Benfica) e alguns adeptos no local. Não sei se esses cânticos foram resposta a alguma provocação e não me interessa. Só sei que a questão – certamente empolada pela proximidade do Benfica x F.C.Porto, bem como pelo boicote das águias à gala das Quinas de Ouro e ao próprio jogo com a Hungria – deu polémica. Chegou, em certos momentos, a desviar a atenção da Seleção em si.

 

A Federação já se veio demarcar das atitudes das claques e garantir que a Seleção não tem, e provavelmente nunca terá, um grupo oficial de apoio. Eu, apesar de tudo, acho melhor assim. Por muito que tenha gostado da claque durante o jogo com a Hungria, se o preço a pagar são mesquinhezes como estas, não vale mesmo a pena. Perdoem-me a linguagem, mas foi por causa de m*rdas como esta que desisti dos clubes. Não tragam guerras clubísticas para a Equipa de Todos Nós, não estraguem o ambiente pacífico dos jogos – a Seleção não é nada disto!

 

Agora que já arrumámos esse assunto, prossigamos.

 

   

O início do jogo com a Hungria este longe de ser perfeito. A Seleção demorou algum tempo a encaixar-se. O primeiro golo surgiu aos trinta minutos, na sequência da jogada deliciosa que dá para ver em cima, obra de Cristiano Ronaldo, Raphael Guerreiro e André Silva. Este último marcou, assim, o primeiro golo da Seleção em 2017.

 

O segundo não demorou. Desta feita, foi André Silva a assistir para Cristiano Ronaldo, que rematou de fora da área. A vantagem ampliou-se para 2-0.

 

Na segunda parte, as coisas abrandaram. André Silva saiu para dar lugar a Bernardo Silva. A ideia com que fiquei foi que Fernando Santos quis jogar pelo seguro e gerir o resultado. Neste jogo, isso correu bem. Os húngaros avançaram um pouco no terreno, mas não chegaram a ameaçar verdadeiramente. Cristiano Ronaldo marcou o terceiro golo da noite, de livre direto à esquerda – ainda não sei muito bem como é que ele rematou com aquele ângulo. O resultado manteve-se inalterado até ao apito final.

 

Tive pena que não se tivesse marcado mais um golo – acho que merecíamos. Nós, o público, chegámos a cantar “SÓ MAIS UM! SÓ MAIS UM!”. Também estranhei que Bernardo Silva não tivesse alinhado de início.

 

 Tirando isso, não há nada de mau a apontar à Seleção neste jogo. Correu melhor do que estava à espera – pensava que os húngaros iam dar mais luta. Os novos BFFs futebolísticos André Silva e Cristiano Ronaldo prometem vir a dar muitos golos à Seleção no futuro próximo. Saí da Luz muito satisfeita e otimista relativamente à Equipa de Todos Nós e assim me mantive durante os dias seguintes...

 

...até ao particular com a Suécia.

 

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Este era um jogo, tanto para homenagear Cristiano Ronaldo na sua terra natal, como para homenagear o povo madeirense. Uma maneira de lhes agradecer pelo apoio à Seleção, sobretudo durante o Europeu. Recordo que a Madeira esteve dezasseis anos à espera de voltar a ver a Equipa de Todos Nós.

 

O jogo até começou bem. Cristiano Ronaldo marcou logo aos dezoito minutos, após um momento de magia de Gelson Martins, que assistiu de trivela. Este foi o septuagésimo-primeiro golo do madeirense com a Camisola das Quinas e o quinto jogo seguido da Seleção em que marcou. Ou seja, aos 32 anos, Ronaldo está a atravessar a sua melhor fase na Equipa de Todos Nós – quando a sua época no Real não está a correr tão bem como outras.

 

Um dos seus próximos recordes a bater será o de melhor marcador europeu a nível de seleções. Ronaldo encontra-se, neste momento, no terceiro lugar, com dois húngaros à sua frente: Kocsis, com setenta e cinco golos, no segundo lugar, e Ferenc Puskas, com oitenta e quatro, no primeiro lugar. O segundo lugar é perfeitamente alcançável, na minha opinião – se Ronaldo continuar assim, por alturas do fim do ano já terá ultrapassado Kocsis. O primeiro lugar é mais difícil, naturalmente. Mas, lá está, Ronaldo tem feito carreira esticando os limites do possível.

 

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Por sua vez, Gelson voltou a participar no segundo golo. Desta feita, fintou uns quantos defesas suecos, tentou assistir para Bernardo Silva, mas acabou por ser o sueco Granqvist a desviar para dentro da baliza.

 

Entre Gelson, Renato Sanches (que também estava espevitado nesse jogo), André Silva, Bernardo Silva, Raphael Guerreiro e outros de que não me recordo neste momento, tenho imensas esperanças nesta geração. Não devemos voltar a ter um fenómeno estilo Cristiano Ronaldo nos próximos... cem ou duzentos anos. Mas julgo haver qualidade suficiente nesta nova geração para a Equipa de Todos Nós nos continuar a dar alegrias a longo prazo.

 

Confesso que, por alturas do intervalo, me deixei levar pela euforia. Na prática, a Seleção Portuguesa não se tinha mostrado assim tão superior à sueca. E a realidade atingiu-nos em força, na segunda parte. Fernando Santos efetuou várias alterações para a segunda parte, procurando, mais uma vez, gerir a vantagem. Desta vez não resultou muito bem, a defesa fragilizou-se. Para além disso, verdade seja dita, metade dos portugueses não deviam estar muito para ali virados: este era apenas um particular e, conforme toda a gente insistia em recordar-nos, em vésperas de jogos importantes de clubes.

 

Com tudo isso, não nos podemos queixar senão de nós próprios, nem no que toca aos golos de Claesson, nem mesmo no auto-golo de João Cancelo, ao cair do pano.

 

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Vou ser sincera: doeu perder este jogo. Sobretudo porque andava eufórica com a Seleção desde o jogo com a Hungria. Mas também já ando nisto há tempo que chegue para saber quando há motivo para alarme. Não é o caso. Mesmo com um onze completamente diferente do habitual, a Seleção teve bons momentos. Além de que este é apenas um particular e derrotas em particulares são frequentes na era de Fernando Santos. E, tendo em conta que a Qualificação tem corrido bem desde aquela primeira derrota, as coisas podiam estar bem piores. Acreditem, para mim o Mundial 2014 não foi há assim tanto tempo.

 

Agora vem aí a Taça das Confederações. Sendo esta a nossa primeira vez, ainda não sei ao certo como é que isso vai funcionar, em termos de calendário pelo menos (Divulgação dos Convocados, início da preparação, etc). Dava-me jeito saber, para poder planear as publicações aqui no blogue e na página do Facebook em função disso.

 

Estou a assumir que o calendário será semelhante à de um Europeu ou Mundial: Convocatória (tanto para as Confederações como para o jogo com a Letónia da Qualificação) logo após o término do campeonato de clubes (ou seja, 22 ou 23 de maio); início do estágio após a Taça de Portugal (ou seja, dia 29 ou 30 de maio). Como a Letónia fica na Europa de Leste, perto da Rússia, a Seleção deverá seguir para território russo logo após o jogo do Apuramento. Uma complicação será a final da Champions, a 3 de junho. O Ronaldo e o Pepe que me perdoem, mas espero que o Real Madrid não se qualifique este ano.

 

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Hei de falar melhor sobre a Taça das Confederações mais tarde. Para já, tudo o que precisam de saber é que, a menos que ocorra algum imprevisto, vou fazer como faço num Europeu ou Mundial: publicarei um texto antes da Divulgação dos Convocados e um texto depois. É só uma questão de a Federação confirmar a data (espero que não demore muito).

 

Em todo o caso, já sabem, podem esperar comigo pela Taça das Confederações na página do Facebook de apoio a este blogue.

Mea culpa

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No próximo sábado, dia 25 de março, a Seleção Portuguesa de Futebol recebe a sua congénere húngara no Estádio da Luz, em jogo a contar para a Qualificação para o Mundial 2018… e eu vou estar lá. (No jogo com a Hungria, não no Mundial… pelo menos ainda não tenho planos para isso.) Três dias mais tarde, receberá a Seleção sueca no Estádio Club Sport Marítimo, na Madeira, em jogo de carácter amigável.

 

Esta é a primeira entrada de 2017. Bom resto de ano a todos os leitores. Antes de falarmos sobre estes jogos e sobre os Convocados… tenho um mea culpa a fazer. Ao contrário do que aconteceu nos anos anteriores, desta feita, não houve revisão de 2016. Se alguém estava à espera desse texto, peço imensa desculpa.

 

Eu não tinha planeado saltar a revisão de 2016. Pelo contrário, de início, até estava entusiasmada por escrever sobre as aventuras e desventuras da Equipa de Todos Nós nesse ano - afinal de contas, 2016 foi o melhor ano de sempre para a Seleção Nacional. No entanto, se forem ler os últimos textos do ano passado, hão de ver que eu já me queixava de desgaste relativamente a este blogue. Ora, esse desgaste afetou a revisão do ano. Até comecei a trabalhar nela relativamente cedo - pouco após o jogo com a Letónia - mas acabei por arrastá-la durante semanas, até bem depois do início de 2017.

 

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Para além do desgaste, acho que um dos motivos pelos quais o texto estava a custar a sair era porque queria escrever sobre o Europeu e, sobretudo, sobre a final - mas não queria escrever sobre o resto do ano. Não tinha quase nada a dizer sobre os jogos antes e depois do Europeu que não tivesse dito antes. Mesmo aquilo que queria acrescentar sobre o Europeu não era assim tanto.

 

O facto de ter menos tempo do que o costume para dedicar à escrita também não ajudou.

 

A meio de janeiro dei por mim com metade do texto ainda por escrever. Ia fazendo contas à vida, pondo a hipótese de publicar este texto em data passada - fingir que o tinha publicado nos primeiros dias do ano. Mas depois pensei… o meu blogue por norma já não tem muitas visitas. Calculo que as revisões anuais tenham ainda menos - não me parece que a maior parte das pessoas tenha paciência para ler textos tão grandes. Não costumo importar-me com isso - se me importasse, já tinha desistido do blogue há muito tempo. Mas se este texto me estava a custar tanto a escrever e se muito poucas pessoas o leriam… para quê estar a chatear-me?

 

Não foi uma decisão fácil de tomar. Durante algum tempo não estive cem por cento certa de que fiz bem. No entanto agora, que já se passaram mais de dois meses, não me arrependo - só me arrependo de não ter detetado o problema antes e de não ter procurado uma solução enquanto ainda ia a tempo. As vantagens têm sido várias - a maior de todas é ter-me permitido afastar-me um pouco deste blogue, curando o desgaste que vinha a sentir. Hoje, estou de novo entusiasmada por voltar a escrever sobre a Seleção.

 

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Tenho uma certa pena por não ter partilhado convosco algumas das ideias que queria incorporar na revisão de 2016, admito. Mas devo poder falar sobre elas noutras ocasiões. Ainda não sei se, mais à frente, haverá uma revisão de 2017 - vai depender de muitas coisas. Se houver, talvez venha em moldes diferentes.

 

Mas passemos ao assunto principal deste texto: os próximos jogos da Seleção. A Convocatória para esta jornada dupla não trouxe grandes novidades. A única Chamada que causou alguma polémica, ainda que ligeira, foi a de Renato Sanches, que está longe de ser indiscutível no Bayern de Munique.  Fernando Santos disse que nunca tinha dito que os jogadores tinham de jogar os noventa minutos para serem elegíveis para serem Convocados… mas acho que o Selecionador está a arranjar lenha para se queimar em futuras Convocatórias com essa desculpa. De resto, é pouco provável que Renato seja titular, sobretudo agora em que Bernardo Silva está numa fase tão boa.

 

Como já vai sendo habitual depois destes longos hiatos, demorei um pouco a recordar-me em que ponto ficaram as coisas no que toca à Qualificação, aquando do nosso último jogo. Continuamos em segundo lugar, a três pontos da Suíça, que só tem vitórias neste Apuramento. É pouco provável que isso mude nesta jornada, já que o seu adversário será a Andorra. Por sua vez, Portugal vai voltar a jogar contra a Hungria, nove meses depois do caricato jogo do grupo do Euro 2016.

 

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Fernando Santos afirmou, aquando da Convocatória, que não acredita que a Hungria venha à Luz jogar para o empate. Eu também não. Primeiro, no Europeu, eles conseguiram fazer com que o futuro Campeão Europeu suasse para conseguir um empate. Segundo, eles estão em terceiro lugar no grupo de Apuramento, por uma diferença de dois pontos em relação a nós - ou seja, se nos vencerem, passam-nos à frente. Porque haveriam os húngaros de não dar tudo por tudo? Não, não devemos esperar facilidades - até porque, segundo Fernando Santos, os húngaros terão cerca de dois mil adeptos na Luz, puxando por eles.

 

Talvez seja por isso que a Federação esteja a fazer publicidade a este jogo de forma bastante acesa. Não que eu precisasse disso - eu e a minha irmã comprámos os bilhetes um ou dois dias após serem colocados à venda no Continente (gostamos de aproveitar os 50% de desconto em cartão). Infelizmente, voltámos a ficar no terceiro anel - por algum motivo, o Continente onde costumamos comprar os bilhetes não recebe outros lugares… Enfim, teremos de experimentar comprar noutros hipermercados.

 

Em todo o caso, eu, como sempre, quero estar lá, independentemente do lugar Quero ver a Seleção jogar, ao vivo, pela primeira vez como Campeões Europeus. Quero fazer a minha parte para obtermos uma vitória e continuarmos na luta pela Qualificação direta.

 

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Esta dupla jornada incluirá, também, um particular com a Suécia. Pela primeira vez em dezasseis anos, a Seleção irá jogar na Madeira. Na verdade, estou surpreendida por não termos tido um jogo lá há tanto tempo - quando é a terra natal da maior figura da Seleção da última década. Há muito que os madeirenses mereciam ver Cristiano Ronaldo jogando em casa - não admira que os bilhetes tenham esgotado tão depressa.

 

Vai ser giro voltar a jogar contra os suecos, três anos e meio (!?!?!?) após os inesquecíveis playoffs de Apuramento para o Mundial 2014. Estou bastante entusiasmada por voltarmos a ter Zlatan Ibrahimovic como adversário - quem acompanhe a página no Facebook deste blogue saberá que acho imensa piada aos seus modos convencidos (#daretoZlatan).

 

Por esta altura, é interessante recordar os playoffs contra a Suécia (a segunda mão, em particular) e compará-los com a final do Europeu - sobretudo no que toca ao papel de Cristiano Ronaldo. Aqueles 3-2 à Suécia foram espetaculares, ninguém duvida disso, está no meu top 10. Está, no entanto, numa posição baixa pois, como escrevi na altura, só deu Ronaldo nessa noite, os outros portugueses pouco fizeram, houve momentos em que até atrapalharam. Nessa noite, fomos mesmo Ronaldo-mais-dez.

 

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Por sua vez, na final do Europeu, notou-se de maneira diferente a influência de Ronaldo. Como todos sabemos, ele saiu lesionado ainda na primeira meia-hora de jogo. De uma maneira paradoxal, longe de se dar por vencida, o resto da Seleção uniu-se, fortaleceu-se, decidiu ganhar o jogo por ele. Num jogo em que praticamente nada estava a nosso favor, mesmo antes de perdermos Ronaldo, em que era Portugal contra o Mundo, a Seleção adotou o lema da sua maior figura: “O vosso amor torna-nos mais fortes, o vosso ódio torna-nos imparáveis.”

 

Foi por isso que vencemos. Porque, em vez de sermos Ronaldo-mais-dez, fomos onze Ronaldos. A Seleção “Ronaldo-mais-dez” já nos deu várias vitórias, mas a Seleção “onze Ronaldos” deu-nos um título. Espero que a Equipa de Todos Nós não se esqueça disso, sobretudo nos desafios que se avizinham.

 

Mas estou a desviar-me do assunto deste texto. Para já, a prioridade é ganhar o jogo com a Hungria, para continuarmos esta série de vitórias e nos mantermos na luta pelo primeiro lugar, e fazer um bom amigável com a Suécia. Enfim, as mesmas prioridades de sempre, já se sabe como é.


Vou estar muito ocupada nos dias entre os dois jogos, não devo ter tempo para escrever a crónica do jogo com a Hungria antes do jogo com a Suécia. Contem, assim, com uma entrada única sobre os dois jogos. Em todo o caso, como sempre, podem acompanhar as aventuras e desventuras da Seleção nesta dupla jornada comigo, na página do Facebook deste blogue. Fiquem bem.

Portugal 4 Letónia 1 - Dois minutos de susto

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No passado domingo, dia 13 de novembro, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere letã por quatro bolas a uma, no Estádio do Algarve, em jogo a contar para a Qualificação para o Campeonato do Mundo da Modalidade.

 

Olhando apenas para o resultado, ninguém diria que a Seleção Nacional se viu à rasca para ganhar à Letónia, em certos momentos. Ao contrário do que aconteceu nos dois jogos anteriores, Portugal não conseguiu marcar cedo e, como é frequentemente perante seleções como a letã, a coisa complicou-se. A primeira parte da Seleção foi sofrível, pastosa, fazendo lembrar vários jogos da Qualificação para o Euro 2016. A Letónia estacionara o autocarro frente à baliza e, ao contrário do que tinha acontecido com o português, este não tinha furos. O penálti, aldrabado por Nani, veio em boa hora - de outra maneira não íamos lá. Cristiano Ronaldo não desperdiçou. Mesmo assim, a vantagem no marcador não deu grande tranquilidade.

 

No início da segunda parte, pouca coisa mudou. A Seleção conseguiu cravar mais um penálti a seu favor, desta feita legítimo. Quando Ronaldo foi batê-lo, por acaso recordei-me de um jogo do Real Madrid, há tempos, em que ele tinha marcado um penálti e falhado outro. E, de facto, a história repetiu-se: a bola bateu primeiro no poste, depois no guarda-redes letão, e saiu para fora.

 

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Como qualquer adepto de futebol sabe, nestas situações, quem não marca, sofre. Numa altura em que Fernando Santos já tinha feito entrar Ricardo Quaresma, os defesas portugueses desentenderam-se e deixaram que Zjuzins rematasse para golo, conseguindo a igualdade.

 

O susto, felizmente, só durou um minuto ou dois. Logo de seguida, Quaresma assiste para a cabeça de William Carvalho, que remata para o seu primeiro golo com a Camisola das Quinas.

 

Só agora, no fim do jogo, é que os portugas acordavam para a vida - sobretudo depois da entrada de Gelson Martins. O Gelson é como a minha cadela, Jane: quando a solto para brincar com outros cães, ela dá-lhes energia, mete-os todos a correr. O Gelson faz o mesmo com os colegas de equipa, quando entra em campo.

 

Ainda houve tempo para Ronaldo se redimir do penálti falhado com um golo acrobático, após assistência, mais uma vez, de Quaresma. Mais tarde, seria Bruno Alves a marcar. É bem possível que a vantagem se dilatasse ainda mais se o jogo fosse mais comprido - de notar, aliás, que o árbitro escolheu terminar o encontro a meio de uma jogada de ataque de Quaresma. Não foi uma noite brilhante em termos de arbitragem.

 

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Em defesa dos jogadores, eles bem tinham passado a semana anterior a avisar que não ia ser fácil. Ao menos foram homenzinhos e, quando foi preciso, reagiram bem - algo que, conforme assinalaram aqui, é uma tradição do reinado de Fernando Santos. Por falar disso, este jogo lembrou-me vários outros, no Apuramento para o Euro 2016: exibições pouco entusiasmantes, Quaresma entra e ajuda a resolver com assistências. Isso não é uma crítica - conseguimos a nossa melhor Qualificação jogando assim. A diferença e que, agora, temos mais talento em campo, não nos limitamos a vitórias pela margem mínima - o que será importante para as contas do Apuramento.

 

Não houve brilhantismo mas o dever ficou comprido. Encerramos 2016 com uma vitória, tal como desejávamos.

 

Como já vai sendo hábito, esperam-nos, agora, mais de quatro meses sem jogos da Seleção. É muito tempo, muita coisa pode mudar até lá - no ano passado, por exemplo, foi tempo suficiente para promessas, como Gonçalo Guedes e Rúben Neves, perderem fulgor e para Renato Sanches surgir do nada  como o novo menino-bonito do futebol português.

 

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Este ano, porém, não me queixo muito - dá-me jeito uma pausa pois tenho sentido algum desgaste com este blogue. Por exemplo, demorei mais tempo do que o costume a escrever e publicar as duas crónicas anteriores a esta (fiz um esforço com este texto para não o arrastar demasiado). Não sei se é por andar com menos tempo para escrever, por estes jogos não serem assim tão interessantes, por o Euro 2016 ter esgotado toda a energia que costumo dedicar a este blogue. Em breve terei de começar a trabalhar na habitual revisão do ano (vai saber bem recapitular 2016) mas, depois disso, será bom não ter de escrever para este blogue durante uns tempos. É provável, no entanto, que daqui a uns dois ou três meses já ande doida com saudades da Seleção. Ao menos assim, quando estivermos em vésperas dos próximos jogos, saberei que recuperei a minha energia e estarei entusiasmada por votar escrever sobre a Equipa de Todos Nós.

 

Em todo o caso, a página do Facebook continuará no ativo durante estes meses, sempre atenta a tudo o que se relacione com a Seleção Nacional e com os seus jogadores. Não deixem de a visitar, se ainda não o fizeram.

 

Valores

 

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Na próximo domingo, dia 13 de novembro, a Seleção Portuguesa de Futebol receberá a sua congénere letã, no Estádio do Algarve, em jogo a contar para a Qualificação para o Campeonato do Mundo da modalidade.

 

Fernando Santos apresentou os Convocados para este jogo na semana passada. Não há novidades, tirando a Inclusão de Luís Neto para substituir o lesionado e castigado Pepe. João Moutinho também falhou a Convocatória por motivos físicos.

 

Não há assim muito a dizer sobre esta fase do campeonato. A Letónia ocupa o quinto lugar da tabela classificativa do grupo B, com a penas uma vitória (frente à Andorra). O nosso historial frente a esta seleção é exemplar: quatro jogos, quatro vitórias. Só me recordo dos dois mais recentes, durante a Qualificação para o Mundial 2006. O primeiro, em setembro de 2004, teve um momento engraçado, quando uma mulher em cuecas invadiu o jogo, durante a segunda parte. Até Luiz Felipe Scolari, o Selecionador Nacional na altura, se riu. Coincidência ou não, poucos minutos mais tarde, Portugal marcou os dois golos da vitória, quase de seguida: o primeiro de Cristiano Ronaldo, o segundo de Pedro Pauleta. Nada como uma mulher nua para dar inspiração...

 

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O segundo jogo, em outubro de 2005, o último desse Apuramento, serviu apenas para cumprir calendário - a Qualificação havia sido selada no jogo anterior, frente ao Liechtenstein. Portugal ganhou por três bolas sem resposta - duas de Pauleta, uma de Hugo Viana. Foi, aliás, neste jogo que Pauleta ultrapassou o recorde de Eusébio. O açoriano foi o melhor marcador de sempre pela Seleção durante oito anos e meio até Cristiano Ronaldo arrebatar-lhe esse recorde.

 

Com tudo isto em conta, é pouco provável que a Letónia nos coloque muitos problemas, para além do habitual "autocarro" à frente da baliza. Portugal continua obrigado a ganhar para se manter na luta pela primeira posição na tabela, ocupada pela Suíça. É pouco provável que os suíços escorreguem nesta jornada, pois vão jogar com as Ilhas Faroé, em casa, onde bastante fortes - nós mesmos pudemos comprová-lo. Não há volta a dar, acho que vamos andar colados aos calcanhares suíços até os reencontrarmos no último jogo de Qualificação. Quem nos mandou adormecer à sombra da Henry Delaunay?

 

Tirando esse deslize, estamos prestes a encerrar o nosso melhor ano em termos de Seleção. Sagrámo-nos Campeões Europeus em julho e continuamos a colher os frutos. Cristiano Ronaldo está entre os finalistas tanto da Bola de Ouro como do Melhor Jogador do Ano da FIFA (prémios que, a partir de este ano, deixaram de ser um só). Não que outra coisa fosse de esperar - Ronaldo é convidado recorrente na cerimónia anual da FIFA desde 2009. No entanto, esta nomeação tem um sabor que mais nenhuma outra tem: por ter sido à custa, pelo menos em parte, do primeiro título da Seleção Portuguesa.

 

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Título esse que também possibilitou a Pepe e... a Rui Patrício serem nomeados para a Bola de Ouro. Destaco a nomeação do guarda-redes português, pois eu não estava à espera. Não que ache que não seja merecida - bem pelo contrário. É a confirmação do estatuto de Rui Patrício como guarda-redes de classe mundial - algo que eu há muito que sei que ele é, sobretudo depois da final de Paris.

 

Por sua vez, a nomeação de Fernando Santos para Treinador do Ano da FIFA era algo em que eu pensava já poucas semanas após o Europeu. No entanto, achava pouco provável, demasiado bom para ser verdade. Mas não é. Fernando Santos está entre os nomeados e consta que tem boas hipóteses. O Selecionador diz que esta nomeação é produto do trabalho, não só dele, mas também de inúmeras outras pessoas na Federação Portuguesa de Futebol, começando pelo seu presidente, e também que é um prémio "dos portugueses" , que é mais um reflexo de Portugal se ter sagrado Campeão Europeu.

 

Até a campanha de marketing da Federação, com o slogan "Não somos 11, somos 11 milhões", lançada em vésperas do Euro 2016, está nomeada para um prémio da UEFA. Se o mereceu é questionável, na minha opinião - conforme escrevi na altura, eu gostei, mas faltou-lhe um bocadinho de subtileza em certos momentos, sobretudo no que diz respeito ao Tudo o Que Eu te Dou, Somos Portugal. No entanto, cumpriu o seu objetivo, Portugal ganhou o Euro 2016. Tudo acaba por desaguar no nosso primeiro título.

 

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Gosto, aliás, de pensar que este título acabou por contagiar os restantes escalões das seleções portuguesa e vice-versa - 2016 está a ser um ano excelente para a Federação. Destaco a Seleção Feminina, que se Apurou pela primeira vez para o Europeu. Tentarei acompanhar esse campeonato, no próximo ano - já devia ter alargado os meus horizontes e dado atenção ao futebol feminino há mais tempo.

 

Estas nomeações todas confirmam o bom período de que falei antes. Neste momento, o meu desejo é encerrar 2016 com chave de ouro: ou seja, uma vitória que nos mantenha presos aos calcanhares suíços e à luta pelo primeiro lugar. Tal como nos jogos anteriores, mesmo que os Marmanjos falem em possíveis dificuldades, a vitória está perfeitamente ao nosso alcance, não há desculpas. 

 

O mundo extra-futebol está a mudar e não para melhor. Nos últimos dias, tenho-me agarrado à Seleção para não sucumbir ao desespero e ao cinismo. Quem segue este blogue há uns anos já saberá que vejo a Equipa de Todos Nós como uma fonte de consolo e de esperança. Na verdade, tenho vindo a vê-la como mais do que isso.

 

Numa altura em que o racismo e a xenofobia se estão a tornar mais comuns, a Seleção Portuguesa representa um país, é certo, mas é constituída por jogadores de várias origens: de Portugal Continental, das Regiões Autónomas, das PALOPs, filhos de emigrantes em França e na Alemanha, o filho de um brasileiro, um brasileiro naturalizado português (mas que ama Portugal e a Camisola das Quinas mais do que, se calhar, muitos portugueses nascidos cá), um cigano. E, dentro da Seleção, ninguém tem problemas com isso, a cor da pele não é um fator. (Isto, para mim, é uma noção básica de civismo, algo que devia ser a norma. Mas, infelizmente, muitos não pensam assim.)

 

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Numa altura em que um medíocre, filho de milionários, sem experiência nenhuma como político, é eleito presidente dos Estados Unidos, os jogadores da Seleção Portuguesa chegaram a onde estão sem favores, por mérito próprio, por diversas vezes construíram a sua carreira do zero. O nosso melhor jogador podia nem sequer ter nascido, passou fome e frio em miúdo, saiu de casa sozinho aos onze anos e, desde essa altura até hoje, sempre trabalhou mais do que qualquer um para chegar a onde está. Ainda continua a fazê-lo, mesmo sabendo que muitos o consideram o Melhor do Mundo.

 

O autor do golo que nos deu o primeiro título cresceu como um órfão, num lar de acolhimento, e teve dificuldades em estabelecer uma carreira como futebolista (quando estava no 12º ano, treinava sozinho todas as noites, mesmo que fizesse frio ou chovesse). Até há bem pouco tempo, era desprezado pela massa adepta. Ele mesmo calou-os a todos com um golo para a eternidade. Outro jogador de destaque na Seleção afirmou mesmo, numa entrevista, que o futebol o salvou do crime, da droga, mesmo da more. Tudo o que eles têm hoje devem-no a eles mesmos.

 

Adicionalmente, já ficou mais do que provado que, como grupo, são exemplares, sobretudo como se viu no Europeu. Momentos como o Ronaldo chamando o João Moutinho para os penálties frente à Polónia; Bruno Alves indo ter com o Ronaldo, enquanto este era levado de maca para os balneários; este último andando entre os colegas entre os colegas antes do prolongamento e no intervalo deste para lhes dar força; dizendo ao Éder que ele marcaria o golo da vitória; mais tarde, já depois do golo, enviando Raphael Guerreiro de volta para o campo, depois de ele se ter magoado; oferecendo a Bota de Prata a Nani, já no fim do jogo. Juntem a isto os momentos de cumplicidade e brincadeira que vemos em quase todos os estágios, a recente troca de partidas entre Ronaldo e Quaresma

 

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Eu sei que parece estranho estar a falar disto agora, mas eu nunca precisei mais de fazê-lo. Numa altura em que, no outro lado do oceano, o medo, o ódio, o elitismo, a ignorância venceram, é mais urgente do que nunca agarrarmo-nos aos valores que os jogadores da Seleção seguem: respeito, cooperação, solidariedade, trabalho, fé, humildade, perseverança. Eu sei que isto é um bocadinho ingénuo mas, numa altura em que o futuro parece tão sombrio, preciso de algo, por pequeno e fútil que seja, que me faça acreditar nas melhores facetas da Humanidade. 

 

Felizmente, o futebol já começou a reagir ao que aconteceu e não desiludiu.

 

O tempo dirá quais serão as consequências dos eventos da semana que termina agora. Não me vou alongar mais sobre isso, que este é um blogue sobre futebol. Procuro sempre não perder a noção de que o futebol é apenas um desporto, um entretenimento. No entanto, acredito que se mais instituições funcionassem como a Seleção, se mais pessoas seguissem o exemplo dos nossos jogadores, o Mundo seria um lugar muito melhor.

À dúzia é mais barato

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Na passada sexta-feira, dia 7 de outubro, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere andorrenha por seis bolas sem resposta, num encontro que teve lugar no Estádio de Aveiro. Três dias depois, a Seleção Nacional deslocou-se às Ilhas Faroé, tendo vencido a seleção da casa pelo mesmo resultado, perfazendo um total de doze golos nesta dupla jornada (bem diz o povo, "à duzia é mais barato"). Ambos os encontros contaram para a Qualificação para o Campeonato do Mundo da modalidade.

 

Conforme escrevi na entrada anterior, os adversários desta dupla jornada eram pouco estimulantes, mas a Seleção Portuguesa levou ambos os jogos a sério. No jogo com a Andorra, para começar, Cristiano Ronaldo marcou dois golos logo nos primeiros três minutos - uma altura em que eu ainda nem estava bem em modo de jogo. O primeiro golo teve piada, pois Ronaldo tinha sido derrubado, estava provavelmente preparando-se para pedir penálti, mas ao ver o guarda-redes defendendo para a frente, levantou-se, rematou e marcou, como se nada fosse. No segundo golo, foi Ricardo Quaresma a assistir e Ronaldo a cabecear para a baliza. Dizem que foi o bis mais rápido de sempre na História da Seleção Nacional.

 

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Como acontece frequentemente quando uma vantagem é conquistada cedo, a Seleção adormeceu um bocadinho à sombra dela durante cerca de meia hora. Não que a Andorra tivesse pernas para se aproveitar disso. Assim, o 3-0 acabou por chegar pouco antes do intervalo, fruto de um remate rasante de João Cancelo.

 

A Seleção (que deve ter levado nas orelhas por Fernando Santos, ao intervalo) foi mais consistente na segunda parte. Poucos minutos após o regresso ao campo, André Silva assistiu para Cristiano Ronaldo, que rematou diretamente para as redes andorrenhas. O golo seguinte foi parecido - desta feita, foi executado após um desvio de José Fonte. Ronaldo fazia, assim, o seu primeiro póquer com a Camisola das Quinas (feito só antes conseguido por Eusébio, Nuno Gomes e Pauleta).

 

Depois desta, pareceu que os próprios companheiros de equipa quiseram ajudar Ronaldo a conquistar uma inédita mañita ao serviço da Seleção. No entanto, o Capitão começou a sentir dores e começou a recuar no campo, não fosse o Diabo tecê-las. Houve tempo, mesmo assim, para mais um golo, assinado por André Silva, perto do fim, após uma defesa incompleta do guarda-redes andorenho, na sequência de um livre.

 

No fim deste jogo, muitos diziam que Portugal devia ter marcado mais golos, já que o mais certo é continuarmos atrás da Suíça até ao fim da Qualificação. Quase todos temiam que as Ilhas Faroé nos pusessem mais dificuldades. A final, os faroenses ainda não tinham sofrido golos na Qualificação até àquele momento, tinham ganho à Letónia e empatado com a Hungria (estavam à nossa frente na tabela classificativa) e o estádio deles tinha um relvado sintético - sempre problemático.

 

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Eu, aliás, acompanhei o pré-jogo do encontro de segunda-feira e a conversa dos comentadores sobre a Suíça, os golos por sofrer das Ilhas Faroé, o relvado sintético, conseguiu deixar-me nervosa. Isso, felizmente, não demorou muito tempo a passar. Doze minutos depois do apito inicial, quando André Silva marcou, na sequência de uma jogada conjunta entre ele, João Mário e Cristiano Ronaldo. O segundo golo, dez minutos mais tarde, também começou com João Mário. Este passou para Quaresma, que tentou rematar. O guarda-redes defendeu para a frente e André Silva aproveitou. O terceiro golo também foi consequência uma defesa incompleta. Desta feita, André Silva passou a bola a João Cancelo, que fez o primeiro remate, antes do ponta-de-lança concluir a jogada. André Silva concluía, assim, o seu primeiro hat-trick vestindo a Camisola das Quinas - no seu quarto jogo. Ele podia até ter chegado ao póquer. Imagino a azia do Cristiano Ronaldo se o recorde só tivesse durado três dias, obra de um puto que ainda não tem vinte e um anos! 

 

Não me admiraria, aliás, sé o facto de o André Silva estar a açambarcar a glória toda naquela noite tiver sido o motivador para o golo de Ronaldo (que, antes disso, parecera pouco inspirado), na segunda parte, após uma deliciosa troca de bola com João Mário.

 

Quando, algum tempo depois, a Seleção abrandou um pouco o jogo, Gelson Martins entrou em campo e acelerou de novo as coisas. Os resultados, contudo, só se manifestaram depois dos noventa, com as assistências para os dois últimos golos da partida: o primeiro de João Moutinho, o último de João Cancelo.

 

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Com estes resultados, Portugal ascendeu ao segundo lugar da tabela classificativa - com Suíça ainda três pontos acima. Estamos num bom caminho. Atrevo-me, aliás, a afirmar que este é o melhor período da Seleção em anos. Somos Campeões Europeus. Temos múltiplas soluções de qualidade para quase todas as posições (a única exceção são defesas centrais) em absoluto contraste com a situação de há três ou quatro anos. Isto deve-se muito ao trabalho da FPF na formação, com destaque para Rui Jorge, fulcral para a geração de jovens jogadores que começa, agora, a dar cartas. Alguns já jogam pela Seleção há algum tempo e foram Campeões Europeus, alguns chegaram mesmo agora, alguns ainda estão por Convocar.

 

André Silva é o exemplo do momento: o Hélder Postiga e o Hugo Almeida que me perdoem; Éder, adoro-te, terás sempre Paris; mas não tínhamos um ponta-de-lança matador há anos e anos e, meu Deus, as saudades que eu já tinha! A sua parceria com Cristiano Ronaldo poderá vir a dar-nos muitas alegrias. Também João Cancelo dá ótimas indicações - três golos em três jogos é muito bom registo para um avançado, façam as contas para um lateral-direito! O Cédric que se ponha a pau. Temos, ainda, o João Mário, cujo génio ajudou Portugal a conquistar o seu primeiro título e, agora, anda a dar cartas no Inter de Milão; o meu menino de ouro Raphael Guerreiro, o Renato Sanches, o Bernardo Silva, o Gelson Martins, entre muitos, muitos outros.

 

Parte-me o coração pensar que jogadores que cresceram comigo - o Cristiano é o exemplo mais flagrante, mas também falo do Nani, do Ricardo Quaresma, do João Moutinho, do Pepe, do Bruno Alves - já não terão muitos anos com a Camisola das Quinas e que, um dia, teremos de nos despedir deles. No entanto, com esta nova geração, cheia de promessas, acredito que a Equipa de Todos Nós ficará bem entregue, quando a altura chegar. Também acredito que, se as coisas continuarem a correr assim, mais cedo ou mais tarde voltaremos a ganhar um título. 

 

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Não garanto, no entanto, que este otimismo todo não tenha sido exacerbado pelos doze golos marcados nesta dupla jornada. Como sempre, prefiro ir encarando uma coisa de cada vez. Temos ambições, sim, e qualidade que as justifiquem, mas só poderemos lutar pelo título no Campeonato do Mundo se nos Apurarmos para o mesmo Não convém esquecer que este ainda agora começou e já temos uma escorregadela para corrigir. Eu, porém, gosto sempre de recordar as situações mais complicadas que conseguimos reverter. E, apesar de me esforçar por manter os pés assentes na terra, acho que nunca estive tão crente num futuro risonho para a Equipa de Todos Nós.

 

A ver se tenho razão.