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O Meu Clube É a Seleção!

Os pensamentos de uma simples adepta da Seleção Nacional, que não percebe assim tanto de futebol mas que é completamente maluca pela Equipa de Todos Nós.

Portugal 2 México 2 - A estreia do costume

transferir.jfifNo passado sábado, dia 18 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol estreou-se na Taça das Confederações com um empate a duas bolas, perante a sua congénere mexicana – num jogo que teve lugar no Arena Kazan, na Rússia.

 

Não estou muito surpreendida por não termos ganho. Afinal de contas, Portugal não consegue estrear-se com uma vitória em campeonatos de seleções desde o Euro 2008, há nove anos (!!). Esta está longe de ser a pior estreia (ou já se esqueceram?).

 

No entanto, desta feita, o resultado menos bom podia ter sido evitado com um onze inicial diferente, na minha opinião. Não consigo entender a lógica de deixar André Silva no banco desde início, quando ele mostrou inúmeras vezes, ao longo desta época, entender-se na perfeição com Cristiano Ronaldo. É certo que seleções como a Hungria e a Letónia não se comparam com o México, mas não valia a pena arriscar?

 

A única explicação que me ocorre é Fernando Santos ter dado mais importância à experiência. Mas Nani (de quem gosto muito, como vocês sabem), não estando tão mal como estava há três ou quatro anos, não está em grande momento de forma. Além de que não sei se ele está habituado a jogar naquela posição: na frente de ataque em vez de como extremo (se estiver enganada, estão à vontade para me corrigir).

 

Com tudo isto, os primeiros quinze, vinte minutos da partida foram penosos. Portugal parecia incapaz de reter a bola. Até o público no Arena Kazan se irritou e se pôs a assobiar – aqueles é que eram os Campeões Europeus?

 

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Felizmente, o tormento não durou muito: aos vinte minutos, André Gomes (ou terá sido Nani? Ou Pepe? Nas imagens não dá para perceber…) conseguiu enfiar a bola na baliza mexicana, na sequência de um livre de Cristiano Ronaldo Os portugueses partiam já para os festejos quando o árbitro pediu ajuda ao seu homólogo em vídeo, metendo um travão na festa.

 

Falemos, então, sobre o vídeo-árbitro. À semelhança de muitos adeptos da modalidade, há muitos anos que ansiava pela introdução destas tecnologias no futebol. Sobretudo se permitisse, se não acabar, pelo menos diminuir polémicas irritantes, como foras-de-jogo mal assinalados ou por assinalar, mãos de Deus, faltas mal marcadas, cartões por mostrar, acusações de “colinho”, entre outras coisas que não contribuem para a felicidade de ninguém.

 

No entanto, ver o vídeo-árbitro em ação pela primeira vez, num jogo da Equipa de Todos Nós… foi um bocadinho chato. O jogo esteve parado durante minutos, enquanto os árbitros decidiam se o golo era válido ou não. Cá em casa, não se percebia ao certo qual era o problema, porque a realização não teve a bondade de repetir o lance do golo. No estádio, deve ser ainda pior pois não há maneira de jogadores, técnicos ou adeptos verem a repetição dos lances – a menos que mostrem nos ecrãs gigantes e, mesmo assim, não sei se dá para ver bem.

 

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Em suma, o vídeo-árbitro foi uma fonte extra de nervos para toda a gente.

 

Durante aqueles minutos de espera, pelo menos. Eventualmente, os árbitros lá decidiram que o Pepe estava em fora-de-jogo aquando do livre, logo, o golo era ilegal. Não temos o direito de reclamar – se fosse contra nós, ninguém se queixaria. Infelizmente, conforme assinalado neste blogue, os jornalistas desportivos portugueses começaram já a implicar com o vídeo-árbitro. Será que, sem as controvérsias evitadas por ele, ficam sem assunto para os artigos de opinião e para os programas de debate?

 

Eu concordo que existem, ainda, muitas arestas para limar nesta questão do vídeo-árbitro, mas isso há de melhorar com o tempo. No cômputo geral das coisas, o futebol tem mais a ganhar do que a perder.

 

Mas regressemos ao jogo com o México. O golo anulado teve o mérito de, ao menos, fazer os portugas acordarem para a vida. Assim, aos trinta e cinco minutos, Cristiano Ronaldo aproveitou um passe falhado para o mexicano Salcedo e arrancou em direção à baliza. Já na grande área, assistiu para Quaresma, que ainda teve o desplante de fintar o guarda-redes antes de atirar à baliza.

 

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Não deu para festejar durante muito tempo. Raphael Guerreiro, que estava já a fazer um jogo abaixo do nível a que nos habituou, deixou que Carlos Vela recebesse a bola, mesmo em frente da nossa baliza, e assistisse para Chicarito.

 

E eu, que, um minuto antes, me regozijava por a Seleção se ter tornado aquela equipa, que não perdoava os erros aos adversários…

 

Na segunda parte, Portugal continuava sem conseguir dominar o jogo. Isso acabou por mudar com as entradas de Adrien e Gelson (a Seleção estava mesmo a precisar de alguém como este último, que pusesse aquela rapaziada a correr…). Aos oitenta e dois minutos, André Silva lá entrou. Menos de cinco minutos depois (não acredito que seja coincidência), Portugal marcava o segundo golo – cortesia de Cédric Soares, que aproveitou um deslize de Herrera.

 

Uma parte de mim sabia que o jogo não estava, ainda, resolvido, que os mexicanos ainda tinham tempo de empatar a partida, de novo. Infelizmente, não me enganei: já em tempo de compensação, Moreno marcou na sequência de um canto, em que os defesas portugueses voltaram a ficar mal na fotografia.

 

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Dói um bocadinho ter a vitória na mão e deixá-la voar a um ou dois minutos do fim, mas a verdade é que Portugal só se pode queixar de si próprio. Não provou merecer a vitória. É certo de isto do mérito no futebol é muito relativo mas, mesmo assim, pelo que se viu em campo, o empate será mesmo o resultado mais justo.

 

Para além dos erros individuais, na minha opinião, este resultado deve-se ao onze inicial inadequado. Já falei sobre André Silva, Nani e Gelson. Há que assinalar, no entanto, que Portugal melhorou com a saída de João Moutinho e a entrada de Adrien.

 

Recordar, ainda, que temos Bernardo Silva – um jogador fabuloso como todos sabem – mas que não tem saído do banco.

 

Tudo isto faz lembrar o início do Europeu, em que Fernando Santos pareceu demorar vários jogos a perceber quais eram os melhores jogadores. É claro que, no fim, as coisas acabaram bem para o nosso lado e, de uma forma paradoxal, os “erros” nos onzes dos primeiros jogos permitiram fazer a gestão de esforço dos jogadores.

 

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Mas também tivemos sorte. Será prudente repetir a gracinha este ano?

 

O meu medo é, então, que Fernando Santos volte a cometer os mesmos erros. Que, por um motivo ou por outro, guarde os trunfos para a segunda parte, adiando a vitória.

 

Pode ser que isso funcione hoje, por outro lado. Os russos são a única equipa nesta competição que não ganhou nada, não estão ao nível dos mexicanos (ainda que estejam a jogar em casa e que Portugal nunca tenha conseguido marcar um golo, sequer, em território russo). E não se pode dizer que Portugal tenha estado a jogar para o empate, frente ao México – ao contrário do que aconteceu em certos momentos da fase de grupos do Europeu.

 

Tudo vai depender, então, do jogo de hoje. A vitória é possível, ninguém duvida disso. Mesmo que Portugal não comece com o seu melhor onze, já será uma grande ajuda se os Marmanjos não cometerem fífias, como as de domingo passado.

 

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A verdade é que estes jogos não são fáceis para mim. Eu fico nervosa, chego a perder anos de vida a cada jogo. Isto ainda não aconteceu este ano, mas, em momentos mais críticos destes campeonatos, chego a perder o apetite, a ter insónias. E, claro, se as coisas correm mal, fico em baixo.

 

Muitas vezes – sobretudo quando as coisas correm bem, como no ano passado – tenho saudades dos campeonatos de seleções. Mas a verdade é que estes não são assim tão agradáveis quando estão a decorrer.

 

É por estas e por outras que tenho cada vez menos vontade de apoiar um clube a sério – viver assim durante os nove, dez meses que dura uma época? Não, obrigada.

 

Mas chega de falar sobre as minhas neuroses. Estamos a poucas horas do jogo com a Rússia (isto de jogos a cada três dias não dá com nada...). Eu acredito numa vitória e na passagem às meias-finais. Esperemos que os Marmanjos não desiludam.

 

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Continuem a acompanhar este campeonato aqui no blogue e na página do Facebook.

 

Letónia 0 Portugal 3 - Os suspeitos do costume

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Na passada sexta-feira, dia 9 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere letã por três bolas sem resposta, no Estádio Skonto, em Riga. O jogo contou para a Qualificação para o Mundial 2018.

 

Este jogo não começou muito bem para Portugal – eu diria mesmo que os portugueses chegaram vinte minutos atrasados ao jogo, incapazes de furar a muralha letã. Gelson Martins, por exemplo, estreava-se a titular, mas esteve uns quantos furos abaixo daquilo a que nos habituou. Mesmo Cristiano Ronaldo pouco se fez notar em campo. Quase só houve Letónia durante a primeira meia hora de jogo, embora os letões não tivessem capacidade para grandes ameaças à baliza portuguesa.

 

Eventualmente, os portugueses foram-se encaixando no jogo – sobretudo depois de Fernando Santos ter pedido a André Gomes para jogar mais adiantado. O primeiro golo surgiu ao minuto quarenta e dois (curiosamente, o mesmo minuto em que João Moutinho marcara o seu segundo golo no jogo anterior). Numa altura em que a Seleção se instalara na grande área letã, André Gomes cruzou para José Fonte, que cabeceou para o poste. Na recarga, Ronaldo marcou.

 

Como já é habitual neste tipo de jogos, depois do primeiro golo ficou tudo mais fácil. Mais ou menos aos dez minutos da segunda parte Fernando Santos enviou Ricardo Quaresma para o campo. Este, de uma maneira igualmente típica, recebeu um cruzamento de André Gomes e, mesmo em cima da linha de fundo, assistiu para o segundo golo de Ronaldo.

 

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Menos de três minuto depois, o Capitão pôde dar-se ao luxo de oferecer a bola de André Silva e o miúdo (que acabou de ser contratado pelo AC Milan) não desperdiçou a prenda. Estava feito o resultado.

 

Não há muito mais a dizer sobre este jogo. Esteve longe de ser uma partida empolgante, mas Portugal fez o que tinha a fazer, com três golos assinados pelos suspeitos do costume desta fase de Qualificação. Tendo em conta que a Suíça também ganhou o seu jogo, as contas do Apuramento continuam na mesma. Estou cada vez mais convencida de que a coisa se vai manter assim durante os próximos tempos. Tinha esperanças de que os nossos amigos húngaros nos dessem uma mãozinha na antepenúltima jornada. No entanto, a Hungria acaba de perder perante… a Andorra.

 

Acham mesmo que eles estão em condições de roubar pontos à Suíça?

 

Não, não dá mesmo para esperar que outras equipas resolvam o imbróglio em que Portugal se meteu, no início desta Qualificação. Vamos ter de ser nós mesmos a corrigir os nossos próprios erros.

 

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Mas isso fica para outras núpcias. Agora começou oficialmente a Operação Taça das Confederações. O nosso primeiro jogo, perante o México, é no próximo domingo, às três da tarde. Fernando Santos não promete nada, exceto “que vamos trabalhar muito, como sempre fizemos, e que vamos lá para tentar vencê-la”.

 

Suponho que o “só venho dia 11 para Portugal” (expressão que, de resto, espero que fique gravada na lápide do Selecionador) tenha ido uma ocasião única: palavras de desafio aos mais céticos, após uma má estreia no Europeu, uma forma de inspirar os jogadores. A Seleção tem definitivamente os olhos na Taça. No entanto, numa altura em que Portugal é Campeão da Europa e a moral do povo está em alta, o Fernando Santos faz bem em adotar um discurso mais sóbrio, com os pés assentes na terra.

 

Quanto a mim, estou mais otimista do que o costume, mas vou manter a tradição de pensar jogo-a-jogo. Espero que Portugal fique muito tempo na Rússia, que só regresse dia 3 de julho. Porque não? Já tivemos um final feliz antes…

 

Acompanhem o desenrolar desta história comigo, quer neste blogue, quer na sua página no Facebook.

 

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Portugal 4 Chipre 0 - Dever cumprido

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No passado dia 3 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol venceu a sua congénere cipriota por quatro bolas sem resposta, num jogo particular no Estádio António Coimbra da Mota.

 

Conforme tinha previsto na crónica anterior, acompanhei a maior parte do jogo via rádio. Só vi alguns minutos da primeira parte na televisão, quando fui rapidamente tomar um café. Não sendo este um jogo muito apelativo, nem sequer prestei muita atenção ao relato – ainda que este tenha estado ao nível a que Nuno Matos nos habituou.

 

Por exemplo, aquando do primeiro golo, aos três minutos, estava a conversar com a minha irmã sobre o desgaste provocado pela Taça das Confederações, se os jogadores teriam tempo para recuperar antes do início da época seguinte. Ela, sportinguista, estava particularmente preocupada com os “seus” jogadores, pois o clube leonino terá de ir aos playoffs de acesso à Champions.

 

Um aparte: aqui para nós, que ninguém nos ouve, os problemas que os clubes poderão ter por causa desta competição estão no fundo da minha lista de preocupações neste momento (muito abaixo, por exemplo, dos utilizadores de GPS aldrabado com quem tenho de competir pelos ginásios em Pokémon Go). Não me peçam para ter pena dos clubes quando, muitas vezes, estes agem como se fizessem um grande favor ao deixar os seus jogadores vir às respetivas seleções (como aconteceu, por exemplo, há cerca de ano e meio). Desde que não vá contra a vontade dos jogadores – na verdade, acho que são eles mesmo a fazer questão de vestir a Camisola das Quinas, independentemente do seu momento de forma – os clubes têm é de aceitar.

 

É claro que não disse nada disto à minha irmãzinha. Ainda me habilitava…

 

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Deixando de lado a minha embirração com os clubes (eu bem vos digo, uma miúda não é de ferro…), acredito que, apesar de tudo, Fernando Santos e o departamento médico da Equipa de Todos Nós terão o desgaste dos jogadores em conta. Um dos motivos, aliás, pelos quais o Europeu teve um final feliz para o nosso lado foi a rotação dos jogadores. Em parte por tentativa e erro (na fase de grupos), em parte por lesões. Tenho a certeza de que os responsáveis pela Seleção voltarão a gerir os esforços dos jogadores da maneira adequada durante a Taça das Confederações.

 

Regressemos ao jogo com o Chipre. O primeiro golo da partida foi marcado, então, por João Moutinho, de livre direto. O segundo golo, os quarenta e dois minutos, seria quase um copy/paste deste. Estão todos, naturalmente, à espera da reação de Ronaldo – à espera que os colegas da Seleção se metam com ele.

 

Para ser honesta, não me parece que o Capitão se rale por aí além. Pode ser, até, que fique satisfeito. Afinal de contas, foi o próprio Ronaldo a dizer que Moutinho batia bem.

 

  

Pelo meio, houve tempo para Fernando Santos deliciar o público do Coimbra da Mota com um toque de calcanhar a uma bola saída da linha. Graças a Deus que isso aconteceu quando eu estava no café, a ver o jogo na televisão. Reparei também que, apesar da habilidade, o mister estava com cara de poucos amigos. Não estava a gostar do jogo.

 

Até tinha motivos para isso. Portugal dominava, mas com pouca intensidade e de forma estranhamente desconjuntada, em certos momentos. Sejamos sinceros, o Chipre está longe de ser um adversário estimulante e, naquela tarde, pouca luta deu. O vento também não terá ajudado.

 

Por sua vez, Eliseu ia-se destacando com uma ou outra iniciativa – sempre que ele arrancava, Nuno Matos dizia que ele ia “de lambreta”, claro – mas nem André Silva nem Bernardo Silva foram capazes de aproveitar as oportunidades.

 

Com a segunda parte, veio um meio-campo novo: William, Adrien, André Gomes, Gelson Martins e, mais tarde, Pizzi. Gelson, como já vai sendo hábito, foi suficiente para aumentar a velocidade da Seleção. Sem desprezar o papel de Pizzi, que marcou meros três minutos após entrar em campo – numa jogada iniciada por um arranque de Gelson, com assistência de André Silva.

 

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Gostava de assinalar o facto de este golo ser produto da colaboração de um jogador de cada clube grande português. Mais uma prova de que, na Equipa de Todos Nós, não há espaço para mesquinhezes clubísticas.

 

Não pude acompanhar o quarto golo via rádio porque a minha mãe escolheu aquele preciso momento para me telefonar. O telemóvel estava ligado ao bluetooth do carro, logo, a chamada interrompeu a emissão de rádio. Mães…

 

Em todo o caso, este quarto golo foi assinado por André Silva, que cabeceou após uma primorosa assistência por parte de André Gomes.

 

Não há muito mais a dizer sobre este jogo. Portugal cumpriu o seu dever. Vários jogadores mostraram o seu valor, o que dá dores de cabeça agradáveis a Fernando Santos. Há quem diga que Portugal poderia ter marcado mais – com razão – mas os principais objetivos do jogo foram cumpridos.

 

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Na sexta-feira, frente à Letónia, é que será a doer – mas também já contaremos com o grupo todo. Incluindo Ronaldo, que ontem se juntou à comitiva. A vitória é a única opção. Mas toda a gente sabe disso.

 

Continuem a acompanhar as aventuras e desventuras da Seleção comigo, aqui no blogue, ou então na sua página no Facebook.

 

Hipocrisia

youonlyfailwhenyoustop.jpgNo próximo dia 3 de junho, a Seleção Portuguesa de Futebol receberá a sua congénere cipriota, no Estádio António Coimbra da Mota, no Estoril, em jogo de carácter particular. Seis dias depois, a Seleção desloca-se à Letónia, para um jogo da Qualificação para o Mundial 2018.

 

Fernando Santos divulgou os Convocados para estes jogos – bem como para a Taça das Confederações – na passada quinta-feira, dia 25. A lista não trouxe grandes surpresas, mas não deixou de causar alguma controvérsia. O principal motivo prende-se com a ausência de Éder, o herói da final do Europeu.

 

Ninguém pode negar que a polémica é cem por cento emocional – Éder marcou pouquíssimos golos esta época, no Lille. O próprio Fernando Santos, igual a si próprio (e ainda bem!), não deixou de assinalar a hipocrisia: “Quando ninguém acreditava no Éder, quem é que o levou? No último ano [em que o ponta-de-lança contava cinco ou seis golos marcados pelo Lille desde janeiro], nesta mesma sala, perguntavam-me porque é que eu o tinha Convocado...”

 

Dito isto, o Selecionador deixou bem claro que não deixou de confiar no Éder só porque o deixou de fora desta Convocatória.

 

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Ninguém fica feliz por o Éder ficar de fora da Taça das Confederações. Uma grande parte de mim pensa que isto é profundamente errado, quase uma blasfémia. É provável que Fernando Santos se sinta da mesma forma – sou capaz de apostar, até, que Éder só foi incluído em Convocatórias anteriores por este motivo, só porque o Selecionador não queria excluir o herói de Paris.

 

No entanto, isto é a Taça das Confederações. Não há espaço para sentimentalismos. Fernando Santos não ia deixar André Silva (que tem marcado regularmente pela Seleção nesta última época) para dar lugar a um jogador, cujo único argumento a favor é “marcou um golo importantíssimo no ano passado”. Custa-nos a todos – o próprio Fernando Santos admitiu-o – mas não há volta a dar.

 

Também tem sido comentada a ausência de Renato Sanches, mas essa é ainda menos inquestionável – com tanta boa opção para o meio-campo, não vamos ocupar um lugar com um jogador que, coitado, pouco mais tem feito do que aquecer o banco do Bayern de Munique. Isso tem, aliás, sido usado como argumento para os muitos detratores (vulgo, haters) do Renato (este artigo responde bem a essas críticas).

 

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Tenho uma certa pena por o jovem não vir à Taça das Confederações, depois do papel que teve na conquista do Europeu. Fico, no entanto, satisfeita por ele ter sido chamado por Rui Jorge para o Europeu de Su-21. Não lhe faltarão oportunidades para brilhar nesse campeonato.

 

Por fim, queria falar sobre os guarda-redes suplentes – terão sido a melhor escolha? Beto tem sido o suplente de Rui Patrício no Sporting e José Sá tem sido o suplente de Iker Casillas no F.C.Porto – ou seja, nenhum deles conta muitos jogos nas pernas. Nesse aspeto, Bruno Varela seria melhor escolha, na minha opinião.

 

Por outro lado, Beto já não é um novato no que toca à Turma das Quinas, bem pelo contrário. José Sá, por sua vez, foi um dos destaques da Seleção de Sub-21, no Europeu de 2015 – já podia ter vindo antes à equipa principal.

 

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Além disso, sejamos sinceros, nestes campeonatos é raro os guarda-redes jogarem – o Mundial 2014 foi a exceção. Eu mesmo podia ter sido Convocada como guarda-redes suplente de Rui Patrício e pouca diferença faria.

 

Exceto para mim, claro. Fazer parte da comitiva da Seleção num campeonato destes? É o sonho!

 

Desde que não me obrigassem a participar nos treinos. Eu mal conseguia sobreviver às aulas de Educação Física no ensino básico e secundário, imaginem-me num treino de futebol profissional…

 

Enfim, voltemos à realidade.

 

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Aquando da Divulgação dos Convocados, Fernando Santos disse que, para já, não quer falar sobre a Taça das Confederações. Neste momento, a prioridade é o jogo com a Letónia. Nós, aqui, já falámos sobre as Taça das Confederações no texto anterior, de qualquer forma. Hoje falamos sobre os outros jogos.

 

No sábado temos, então, o particular com o Chipre. Os nossos jogos mais recentes com os cipriotas ocorreram durante a Qualificação para o Euro 2012 – embora não tenha podido ver nenhum dos dois jogos. O nosso historial com o Chipre é francamente positivo. O pior resultado foi um empate a quatro golos, em setembro de 2010, em pleno caso Queiroz – outra altura excecional.

 

Já que falamos em alturas excecionais, gostava de referir que, ao longo deste último ano, tenho feito questão de reler textos antigos deste blogue, escritos aquando dos piores períodos da Seleção nestes últimos tempos – como o caso Queiroz e o Mundial 2010. Por vários motivos. Um deles é para apreciar o quão longe chegámos desde essas alturas. O Mundial 2014, por exemplo, foi há apenas três anos.

 

No entanto, o principal motivo pelo qual procuro recordar esses períodos é para não tomar a atual maré alta como garantida. Para me recordar do quão difícil foi chegar cá, as dificuldades que foi necessário.

 

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Eu, de resto, recomendava esse exercício a mais pessoas – os portugueses têm memória curta.

 

Regressemos ao presente. Queria chamar a atenção para um pormenor curioso: o particular com o Chipre realiza-se no mesmo dia que a final da Liga dos Campeões. Yep. Já não bastou ter tido um jogo de clubes e um de seleções no mesmo fim de semana, como no ano passado – agora vão ser no mesmo dia.

 

A sério. Quem é o responsável por estes calendários? Qual é a ideia deles?

 

O que vale é que os jogos são a horas diferentes (mas não me admirava se isso mudasse no próximo ano). O jogo com o Chipre começará às quatro da tarde – o que, aliás, não me dá muito jeito, pois não estarei em casa. Vou poder, no entanto, acompanhar o jogo pela rádio. Como não espero um jogo muito interessante, não me queixo.

 

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Outra consequência de o jogo coincidir com a final da Liga dos Campeões é a ausência de Pepe e Cristiano Ronaldo deste jogo, bem como dos primeiros dias de estágio da Seleção – já que o Real Madrid se apurou para esta final. Por esta altura, estas ausências dos madrilenos já fazem parte da rotina. Este ano temos, aliás, uma vantagem relativamente a 2014 e 2016 – segundo consta, Zidane terá conseguido convencer o Cristiano a poupar-se, de modo a não chegar demasiado desgastado ao fim de época.

 

Durante muitos anos guardei um certo ressentimento para com Zidane, por nos ter expulsado do Mundial 2006 com um penálti duvidoso e provar, com a cabeçada a Materazzi, que não merecia estar na final. Depois desta, no entanto, sou capaz de lhe perdoar tudo. O joelho esquerdo do Ronaldo já nos tirou anos de vida suficientes!

 

Como já vai sendo hábito, já que Pepe e Cristiano estão na final da Champions, todos desejamos que a vençam… outra vez. Para poderem juntar mais um título ao currículo, para que eles venham animados para o estágio da Seleção, motivados para os próximos desafios da Equipa de Todos Nós.

 

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O primeiro desses desafios é o jogo com a Letónia, no dia 9 de junho. A história tem sido sempre a mesma em todas as jornadas desta Qualificação: para continuarmos na luta pelo primeiro lugar, a vitória é a única opção. E, como os nossos rivais suíços vão jogar contra… as Ilhas Faroé, não me parece que seja desta que eles tropecem.

 

Portugal ganhou todos os jogos que disputou com a Letónia. No entanto, se bem se recordam, a Letónia fez-nos suar no jogo de novembro passado. Os letões estão ao nosso alcance, ninguém o questiona – desde que os portugueses estejam com a cabeça no lugar.

 

A Seleção tem estado a preparar estes jogos desde o início da semana. Tal como já aconteceu há um ano, antes do Euro 2016, esta primeira semana é mais leve, com os jogadores chegando à Cidade do Futebol em alturas diferentes e a regressarem a casa após os treinos. Tudo indica, no entanto, que a Seleção estará na máxima força quando for jogar contra a Letónia.

 

Estes dias são, de resto, apenas o início de várias semanas de Seleção. Se tudo correr bem, será um mês inteiro a partir de agora – até à final da Taça das Confederações, dia 2 de julho. Ainda não estou cem por cento em modo Seleção, mas hei de lá chegar muito em breve. De qualquer forma, todos desejamos o mesmo: que estas semanas terminem com mais um final feliz para a Equipa de Todos Nós.

 

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Ensaio Geral

IMG_20170325_194109_1.jpgHoje, ao meio-dia, Fernando Santos anuncia a lista de Convocados para representar Portugal no encontro particular com o Chipre, no jogo da Qualificação para o Mundial 2018 com a Letónia mas, sobretudo, na Taça das Confederações, que terá lugar na Rússia.

 

Esta será a primeira vez que Portugal participa na Taça . E, já que esta não tem a mesma mediatização de que gozam os Europeus e Mundiais, é possível que alguns de vocês não sabiam ao certo como funciona esta prova.

 

Eu passo a explicar.

 

A Taça das Confederações é um torneio, apadrinhado pela FIFA, que reúne as seis seleções campeãs das provas continentais, a seleção atualmente campeã do Mundo e a seleção anfitriã. Desde 2005, a Taça das Confederações têm-se realizado um ano antes de cada Mundial, no país que lhe servirá de anfitrião. Acaba por ser uma espécie de ensaio geral.

 

Eu mesma só descobri acerca da existência da prova em 2005 (é possível que tenha captado qualquer coisa em 2003, mas não tenho a certeza). Ainda assim, nunca lhe dei muita importância – Portugal nunca participou numa!

 

A única exceção ocorreu há quase quatro anos: a final da edição de 2013, entre a Espanha e o Brasil, ainda comandado com Luiz Felipe Scolari. Fiquei acordada a ver esse jogo, apesar de ter de me levantar cedo no dia seguinte.

 

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Foi engraçado. Confesso que, um ano após as meias-finais do Euro 2012, deu-me um certo gozo ver os nuestros hermanos caindo aos pés dos nossos irmãos. Lembro-me, em particular, da fantástica defesa do David Luiz, em cima da minha de baliza – e também do facepalm de Xavi mesmo antes de o Sérgio Ramos falhar o penálti.

 

Tirando essa final em 2013, a prova nunca pareceu despertar grande interesse – sobretudo quando comparada com um Europeu ou Mundial. Não que outra coisa fosse de esperar quando, por norma, só uma ou duas seleções por continente se Qualificam. Consta, aliás, que será esta a primeira vez que temos três equipas do mesmo continente (ou melhor, da mesma Confederação) a participar: nós, na qualidade de Campeões Europeus; a Alemanha, na qualidade de Campeã Mundial; a Rússia, na qualidade de seleção anfitriã.

 

É também por esse motivo que a prova não tem tantos patrocinadores como um Europeu ou Mundial – parecendo que não, os patrocinadores fazem diferença no que toca à mediatização de uma prova. O que, por sua vez, ainda mais diminui o interesse do adepto comum. O que, por sua vez,  ainda mais diminui o interesse dos patrocinadores. E por aí adiante.

 

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Parece que, este ano, o interesse é ainda menor. Consta que os bilhetes para os jogos têm vendido pouco e ainda há direitos de transmissão televisiva dos jogos por vender (à data deste artigo da semana passada, pelo menos).

 

Mais grave, na minha opinião, é o facto de os próprios participantes na prova não a levarem a sério. O alemães, então, vão para a Rússia desfalcados de Manuel Neuer, Mezut Ozil e Thomas Muller – o que diminui ainda mais o interesse do adepto comum. O presidente da Federação Alemã defendeu mesmo a abolição da Taça das Confederações, apelidando a prova de “obsoleta”.

 

Não que este ponto de vista esteja errado. Mas a verdade é que os alemães podem dar-se ao luxo de pouparem jogadores e mesmo de defender a abolição de uma prova. Eles são tubarões do futebol mundial, têm uma sala de troféus bem preenchida, não precisam da Taça das Confederações para nada. Nós, os portugas, é que ainda somos estreantes nestas andanças de Campeões em seleção A. Se temos a oportunidade de lutar por um título para a Equipa de Todos Nós, não vamos ser ingratos.

 

A presença de Cristiano Ronaldo será, de resto, um dos poucos trunfos de que esta edição da Taça das Confederações dispõe. No entanto, receio que, se o fracasso que alguns preveem se confirmar, esta poderá ser a última edição do torneio.

 

O que significa que ganhámos o nosso primeiro título na altura certa.

 

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Cristiano Ronaldo já veio dizer que quer ganhar a prova. Fernando Santos concorda, mas diz que a prioridade é a Qualificação para o Mundial 2018. Deu também a entender que vai encarar a Taça das Confederações como um ensaio geral para o Campeonato do Mundo, sobretudo no que toca ao ambiente e à meteorologia.

 

E eu não consigo evitar pensar que podíamos ter evitado muito sofrimento no Mundial 2014 se nos tivessem convidado para a Taça das Confederações do ano anterior.

 

Pessoalmente, não estou tão entusiasmada acerca desta prova como estaria aquando de um Europeu ou Mundial – em parte, por ser menos mediatizada. No entanto, serão sempre mais uma mão-cheia de jogos oficiais da Seleção para acompanhar, para me fazerem sofrer e sobre os quais escrever aqui no blogue.

 

E, claro, se der para ganhar, todos nós apreciamos. Conforme escrevi antes, não quero que Portugal seja uma One Hit Wonder. Um bom desempenho nesta prova ajudaria, aliás, a provar aos nossos detratores (ou, como se diz agora, haters) que o nosso triunfo no Euro 2016 não foi apenas sorte.

 

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Os nossos adversários para a fase de grupos da prova foram sorteados em dezembro do ano passado. Ainda não tive a oportunidade de escrever sobre eles. A Seleção estreia-se na Taça das Confederações no dia 18 de junho, frente ao México. Portugal só defrontou esta seleção três vezes – a última vez foi num particular há três anos, em vésperas do Mundial 2014. Se bem se recordam, ganhámos por 1-0, cortesia de Bruno Alves, mesmo ao cair do pano.

 

Essa, no entanto, foi uma altura muito estranha para a Equipa de Todos Nós. Não dá para tirar grandes conclusões com base nela.

 

O México, na verdade, já conta cinco participações na Taça das Confederações, tendo sido campeão em 1999. Nesse aspeto, leva clara vantagem sobre nós. Tudo pode acontecer. Desenganem-se aqueles que pensam que vai ser fácil.

 

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Por sua vez, os russos (contra quem jogaremos no dia 21) são já velhos conhecidos nossos. O historial que temos com eles é positivo, mas, nos três jogos contra a Rússia dos últimos cinco anos, perdemos dois – um em outubro de 2012, outro em novembro de 2015. Na condição de anfitriões, têm o fator casa do lado deles – e Portugal nunca marcou um golo que seja em território russo.

 

No entanto, acredito que, se os Marmanjos tiverem a cabeça no lugar, a Rússia está ao nosso alcance. O mesmo pode ser dito em relação ao México, de resto.

 

Por fim, no dia 24 de junho, jogamos contra a Nova Zelândia… pela primeira vez em seleções A, segundo o que li na Internet. Os neozelandeses têm várias Taças das Nações da OFC (a Confederação da Oceania) no currículo mas também o único de adversário de peso com quem disputavam os títulos era a Austrália – isto é, antes de esta se mudar para a Confederação asiática.

 

Tirando isso, a Nova Zelândia participou em três Taças das Confederações, sem nunca ganharem um jogo. Só se qualificaram para dois Mundiais – em 1982 e 2010 – também sem nunca ganharem. No entanto, na África do Sul, conseguiram arrancar um empate à Itália.

 

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A Nova Zelândia será, assim, o nosso adversário mais acessível. Em teoria, pelo menos. Visto serem desconhecidos, eu teria cuidado.

 

Todos concordam que Portugal não se pode queixar deste sorteio, ao evitar adversários como o Chile ou a Alemanha. No entanto, isso também tinha acontecido aquando do sorteio do Euro 2016 e vejam como isso correu. Aliás, como desta feita só os dois primeiros de cada grupo passam às meias-finais, só com empates não vamos lá.

 

Não garanto que mantenha essa opinião nos próximos tempos, mas, por agora, estou razoavelmente confiante numa boa prestação de Portugal na Taça das Confederações. Ainda vamos ter um par de jogos antes de partirmos para a Rússia… mas sobre isso escreverei no próximo texto, já depois de conhecermos os Convocados. Ainda não sei ao certo quando conseguirei publicá-lo, mas será sempre antes do jogo com o Chipre, no dia 3 de junho.

 

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A Taça das Confederações virá, aliás, numa altura um pouco complicada para mim. Não posso prometer que as análises aos jogos venham sempre a tempo e horas. É possível, até, que fale de dois jogos na mesma crónica.

 

No entanto, tão cedo não me apanharão a queixar-me de mau timing relativamente à Equipa de Todos Nós. Não depois de, no primeiro campeonato de seleções em… uma década em que tive tempo livre, termos ido para casa com a Taça.

 

Em todo o caso, como sempre, podem acompanhar tudo comigo na página de Facebook aqui do blogue.